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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Dilma admite a existência do mensalão e deixa Lula em péssima situação

02.09.2010 - 9:56am | Autoflagelo petista
Candidata palaciana à sucessão do messiânico companheiro Luiz Inácio da Silva, a neopetista Dilma Rousseff tem levado ao desespero o staff de sua campanha. Tudo porque a presidenciável do PT tem confirmado em entrevistas o que o presidente Lula sempre negou.
Entrevistada pelo Jornal da Globo na última segunda-feira (30), Dilma, ao responder uma pergunta, acabou confirmando que os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estão envolvidos com tráfico de drogas. Ou seja, são criminosos transnacionais. Isso complica sobremaneira a situação do PT, pois o partido tem histórica ligação com as Farc, desde a criação do Foro de São Paulo, algo comprovadamente inegável.
Na quarta-feira (1), na bancada do telejornal SBT Brasil, Dilma Rousseff acabou tropeçando em pergunta formulada pelo jornalista Carlos Nascimento. Perguntada sobre possíveis integrantes de seu eventual governo, a candidata afirmou com todas as letras que em sua equipe não aceitará nenhum mensaleiro.
A afirmação de Dilma Rousseff sepulta temporariamente as especulações sobre a participação do ex-ministro José Dirceu no um novo governo do PT, já que no STF o ex-ministro-chefe da Casa Civil responde a processo por liderar a quadrilha do “mensalão”.
A fala da presidenciável petista coloca ao rés do chão a conversa dissimuladora do presidente-metalúrgico, que, desde 2005, nega a existência do escândalo do “mensalão”. Agora, Lula passou à condição de mentiroso reconhecido pelos companheiros, pois se Dilma afirma que em seu governo não terá espaço para “mensaleiros”, não há como dizer que o “mensalão” foi uma obriga de ficção dos oposicionistas.
Fonte: ucho.info

Quebra de sigilos: sentença de juiz dá indicativos de quem deve ser punido

No caso da quebra de sigilo bancário de pessoas próximas ao candidato José Serra ainda merece maior destaque e atenção – para os cidadãos interessados em preservar a lisura do Estado brasileiro – a sentença do juiz Antônio Carlos Macedo da Silva, da 8ª Vara Federal (DF), que concedeu ao vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, o direito de acesso aos autos de investigação de sua quebra de sigilo fiscal.
De acordo com o ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel, que há alguns dias revelou ao Poder Online sua opinião de que quem violou o sigilo de Eduardo Jorge também teria feito o mesmo com outras pessoas, a sentença de Macedo da Silva é um indicador do possível desdobramento jurídico do caso
O juiz aponta uma “relação promíscua entre alguns setores da Administração Pública e alguns setores da imprensa”, sublinha Maciel. Para ele, caso a Polícia Federal consiga estabelecer o que o mundo político desconfia, ou seja, que o material teria sido liberado por servidores para jornalistas produzirem dossiês para serem usados na campanha do PT, a Justiça já apontou os possíveis culpados.
Maciel destaca que, em seis páginas, o juiz produziu uma peça jurídica “exemplar na história do Direito”. Macedo da Silva escreve:
- A primeira pergunta seria: que Estado é esse?
Em seguida, derruba, uma por uma, todas as argumentações de defesa do governo Lula sobre o caso da quebra de sigilos, com admirável demonstração de cultura. E termina pedindo “tolerância zero” por parte da Administração Pública e do Poder Judiciário.
Recomendo a leitura da sentença, clicando no link em "azul" ou "aqui"
Fonte: Poder OnLine

Freire: Com devassa em sigilos, governo do PT leva Estado brasileiro a um processo de decomposição

Freire diz que Receita Federal quer transformar vítimas em réus.
Por:
Valéria de Oliveira
Vivemos um momento "extremamente perigoso", advertiu o presidente do PPS, Roberto Freire, ao comentar o vazamento dos dados fiscais de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB a presidente. "Aquilo que é fundamental em qualquer estado democrático de direito, que são as garantias constitucionais da pessoa, está sendo enxovalhado, rasgado, ofendido em episódios como esse, permitidos pela Receita Federal, no governo em que Dilma é a mãe de todos".
Para Freire, o governo, com ações como a que envolve quebras de sigilos, leva "o Estado brasileiro a entrar em um processo de decomposição; ele está sendo utilizado para bandidagem, para chantagem contra grupos econômicos, pessoas físicas e para  a bandidagem política também". A reação de Serra, demonstrada no Jornal da Globo de terça-feira, foi comedida, mas muito dura, diz Freire, já que o caso envolve a família. Nas investigações sobre os ilícitos, afirmou Freire, a Receita tem usado o seu poder "para obstruir e distorcer, para tentar transformar a vítima em réu".
Em cadeia
Freire disse que o desrespeito ao sigilo vem ocorrendo em cadeia. "Primeiro, foi o caseiro (Francenildo), depois,  grupos de empresários, e agora, a política", afirmou. Até agora, sabe-se que 140 pessoas tiveram seus dados fiscais revelados pela Receita.
"E ainda têm o desplante de dizer que ela (a funcionária responsável por acessar os sigilos dos tucanos) cometeu um erro, por descaso. Não, ela cometeu um crime. A Receita permitiu que se cometesse um crime contra o artigo V da Constituição, que garante a qualquer cidadão o direito ao sigilo", insistiu Freire.
Cinismo
Segundo ele, o argumento "de um cinismo atroz" que vem sendo usado para minimizar as quebras de sigilo é o de que as pessoas de bem não precisariam temer as revelações. "É preciso entender que a Receita tem todos os dados, toda a vida, a movimentação financeira da pessoa está lá declarada. O que não pode é isso ser do conhecimento público. Não há razão para esse argumento fascistóide, porque ninguém está escondendo nada". O ex-senador insiste: "está na Constituição, a Receita tem de respeitar".
Ele lembrou o episódio de que o PT foi vítima em 1989, quando o então candidato Fernando Collor usou um fato particular da vida de Lula na campanha. Utilizou a família para atacar o adversário. "Eles fizeram, agora, aquilo que sofreram na época; e isso não pode ser entendido nem como vingança histórica, até porque Collor está lá com eles", disse Freire.
Fonte: Portal PPS


  
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 O socialismo é a filosofia do fracasso, a crença na ignorância, a pregação da inveja. Seu defeito inerente é a distribuição igualitária da miséria. Churchill

Fábio Barbosa - TEDxSP 2009

ILUSIONISMO NAS CONTAS PÚBLICAS

EDITORIAL - O ESTADO DE S. PAULO - 2/9/2010

Com os gastos em alta, meta fiscal em perigo, compromissos pesados para os próximos anos e às vésperas da complexa capitalização da Petrobrás, o governo decidiu apelar para a criatividade contábil e para o método Chacrinha - "eu vim para confundir, não vim para explicar". A estratégia inclui um emaranhado de transações entre o Tesouro Nacional, o Fundo Soberano do Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Caixa Econômica Federal, a Petrobrás e a Eletrobrás. Quem suceder ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá muito trabalho para avaliar os efeitos fiscais dessas manobras. O esforço resultará, quase certamente, em revelações nada agradáveis.
A última manobra foi a edição da Medida Provisória (MP) 500, para autorizar a União a ceder ao Fundo Soberano, ao BNDES e a outros entes federais seu direito de preferência na compra de novas ações da Petrobrás, mantida a maioria exigida por lei. O objetivo é evidente, embora o nome da empresa não seja mencionado. O Fundo, hoje com aproximadamente R$ 15 bilhões, poderá participar da capitalização da petrolífera, assim como o BNDES e outros bancos sob controle da União.
A nova medida repete os pontos essenciais da MP 487 - editada em abril e com validade até 5 de setembro - e explicita a possibilidade de compra de ações de empresas de economia mista pelo Fundo Soberano. Essa MP havia autorizado o Tesouro a fornecer recursos a uma estatal por meio do repasse de ações de outras empresas públicas ou de economia mista.
A MP 500 abre amplas possibilidades de intervenção do governo, por meio do Fundo Soberano ou de outros entes, em operações de capitalização. Tudo será possível, admitiu à reportagem do Estado um funcionário do Ministério da Fazenda. A capitalização da Eletrobrás, prevista para breve, e a de bancos estatais ficarão legalmente mais fáceis.
O objetivo imediato é abrir espaço para participação na compra das novas ações da Petrobrás. A União foi inicialmente autorizada a contribuir para o aumento de capital por meio da cessão onerosa de 5 bilhões de barris de petróleo do pré-sal. Mas uma participação maior poderá ser necessária, se o preço desses barris for fixado em nível muito alto e os acionistas minoritários absorverem um número insuficiente de ações. A MP facilita ao governo uma intervenção maior que a cessão dos 5 bilhões de barris. Além do mais, o presidente Lula já havia mostrado interesse em aumentar a parte da União no capital da Petrobrás.
Também o Decreto 7.279, publicado em 31 de agosto, contribui para o emaranhado de transações entre o Tesouro e entidades estatais. Esse decreto autorizou a União a transferir ao BNDES créditos no valor de R$ 1,4 bilhão. Esses créditos são relativos a "participações societárias no capital das Centrais Elétricas Brasileiras S.A. - Eletrobrás". Essa é uma cessão onerosa e a contrapartida é o pagamento ao Tesouro, pelo BNDES, do valor correspondente aos direitos transferidos. Esse pagamento entra no caixa do Tesouro como receita e reforça as contas federais, facilitando o cumprimento da meta fiscal ameaçada pelo excesso de gastos públicos. Com o mesmo objetivo, a Caixa Econômica Federal antecipou em agosto a entrega de R$ 958,5 milhões ao Tesouro. Em condições normais, a transferência desse dinheiro só ocorreria mais tarde, no momento de pagar dividendos. No fim de 2009, o BNDES já havia reforçado as contas do governo com a compra de R$ 3,5 bilhões correspondentes a dividendos esperados da Eletrobrás.
Há poucos dias o governo anunciou a transferência de ações da Petrobrás para capitalização do BNDES e da Caixa - manobra concebida para permitir a transferência de recursos sem endividamento do Tesouro. As duas entidades precisam da capitalização para participar dos enormes compromissos assumidos pelo governo - incluída a própria capitalização da Petrobrás.
Com essas manobras, as contas públicas tornam-se cada vez menos claras. O governo quer atender a muitos objetivos ao mesmo tempo - incluídos, é claro, os objetivos partidários e eleitorais - e não tem a mínima disposição de bem administrar suas contas. Ao contrário: torná-las cada vez mais obscuras é um requisito de sua política.
Fonte: pps.org.br

UMA GUERRA CIVIL

EDITORIAL - - ZERO HORA (RS) - 2/9/2010

Pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo IBGE aponta um dado preocupante: nos últimos 15 anos a taxa de homicídios cresceu 32% no país, um índice que supera os da expansão da população e do aumento da renda média dos trabalhadores. Trata-se de um retrato perverso. Cento e dezessete brasileiros são assassinados por dia. Em 10 anos, entre 1997 e 2007, houve 512,2 mil assassinatos. No ranking da violência, o Brasil está na sexta posição, entre 91 pesquisados, perdendo apenas para El Salvador, Colômbia, Guatemala, Ilhas Virgens e Venezuela. Os dados, originados de levantamentos do IBGE e de um recente Mapa da Violência elaborado pelo sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz, desafiam os planejadores sociais e representam um estímulo para que a questão da violência seja mantida como uma das prioridades do debate eleitoral no Estado e no país.
Esse panorama de violência cresce de importância por representar um dado negativo, uma espécie de contramão, num conjunto de constatações positivas para o país. Os Indicadores de Desenvolvimento Sustentável do IBGE mostram que o país cresceu 21,7% entre 1995 e 2009, fazendo com que a renda média per capita tenha passado de R$ 4.441 para R$ 5.405 e o PIB tenha pela primeira vez superado R$ 1 trilhão. Esse crescimento no nível de renda não repercutiu num indicador social tão importante quanto é o de homicídios no país.
A informação chama a atenção para um debate, ainda inconclusivo, sobre que medidas são as mais eficazes para que uma sociedade enfrente a violência e a criminalidade. Comumente se diz que tais mazelas devam ser atacadas em suas raízes sociais a miséria, a má distribuição de renda, o desemprego e a ausência de condições de educação e saúde. Essa posição não tem a unanimidade dos especialistas. Muitos entendem que não basta unicamente criar serviços e oportunidades, especialmente em países cujas populações convivem com disparidades sociais e onde amplas camadas da população estão submetidas ao convívio do crime e da marginalidade. Embora haja uma relação direta entre desigualdade e criminalidade, essa relação não explica todo o fenômeno da violência nem aponta o caminho único para seu combate. Aqui e em qualquer lugar do mundo há um papel intransferível para as políticas públicas de segurança, entre elas a que definem ações repressivas.
A questão dos homicídios, como o dos acidentes de trânsito ou as demais causas de mortes violentas, pela gravidade que seus números atestam, merece a atenção do país. Está em curso uma guerra civil mortífera, contínua e interminável. O Brasil, neste momento de avanços em várias áreas e de crescimento de sua autoestima, não pode deixar de enfrentar com a prudência que se impõe, mas com a coragem que o problema exige, o desafio de reduzir os índices de homicídios, que atestam um severo problema de qualidade de vida.
Embora haja uma relação direta entre desigualdade e criminalidade, essa vinculação não explica todo o fenômeno da violência nem aponta o caminho único para seu combate.
Fonte: pps.org.br

DESCALABRO

EDITORIAL - FOLHA DE S. PAULO - 2/9/2010

Novas revelações reforçam aspecto político da quebra de sigilos na Receita e exigem apuração que vá além da tentativa de culpar barnabés
A empresária Veronica Serra, filha do candidato tucano à Presidência da República, José Serra, também teve seu sigilo fiscal violado por funcionários da Receita. O caso se soma a outros, noticiados recentemente, no que já se configura como mais um escândalo nacional. O novo capítulo reforça a percepção de que as ações criminosas no âmbito do órgão federal têm motivações políticas.
É bom recapitular a sucessão dos fatos para que se tenha noção mais clara do banditismo em curso: em junho, esta Folha revelou que Eduardo Jorge Caldas Pereira, vice-presidente do PSDB, teve seu sigilo fiscal violado no ano passado. Dados do Imposto de Renda do dirigente tucano integravam um dossiê confeccionado pelo grupo de inteligência da campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT), que negou participação no episódio.
Há uma semana, descobriu-se que outros três nomes ligados ao PSDB também haviam sido vítimas de idêntico abuso, na mesma agência da Receita, localizada em Mauá, na região do ABC paulista, berço do PT e reduto histórico do sindicalismo atrelado ao partido.
Tudo leva a supor que a violência perpetrada contra a filha de Serra faça parte de uma mesma articulação delinquente a serviço da candidatura petista.
No que se refere a Veronica Serra, há algumas diferenças de procedimento em relação às demais violações. O acesso aos dados fiscais ocorreu na delegacia da Receita de Santo André, também no ABC, mediante uma procuração fajuta. A filha de Serra não tinha firma reconhecida no cartório, a assinatura que consta no documento não é a sua, e o carimbo utilizado é falso. Além disso, o titular da procuração utilizava cinco CPFs e ostenta vasto histórico de cheques sem fundo -um perfil típico do estelionatário.
Sabe-se já da existência de um esquema criminoso de compra e venda de dados sigilosos envolvendo a agência de Mauá. Ali teriam acontecido pelo menos 320 acessos sem amparo legal.
Estarrecedor, o descalabro está sendo usado como cortina de fumaça pelo governo para tentar despolitizar o escândalo. Se há crime comum, há também crime político-eleitoral, cuja intenção é intimidar e chantagear adversários do grupo hoje no poder.
Não bastassem as evidências (há petistas entre as vítimas?), é preciso registrar que o atual governo tem caudaloso histórico de aparelhamento do Estado -do mensalão à quebra de sigilo do caseiro, dos aloprados de 2006 aos delinquentes de agora.
Instalou-se no país um ambiente intolerável de impunidade e desfaçatez. Espera-se que a Polícia Federal e o Ministério Público ainda reúnam condições de desmascarar a farsa de uma investigação propensa a apontar a responsabilidade de barnabés e ocultar as motivações políticas que, conforme todos os indícios, estão por trás do caso.
Fonte: pps.org.br

Quem cedeu endereço eletrônico dos bolsistas do PROUNI para este candidato?

Candidato a deputado do PCdoB é acusado de usar banco de dados do ProUni para propaganda eleitoral
E-mail, enviado pela campanha do ex-presidente da UNE Gustavo Petta, tinha como campo de assunto \"Mensagens aos ProUnistas\"
Dezenas de estudantes bolsistas do Programa Universidade para Todos (ProUni) receberam na última terça-feira, 31, propaganda eleitoral não solicitada enviada pela equipe da campanha do candidato a deputado federal Gustavo Petta (PCdoB-SP). A acusação dos universitários é de que houve uso do banco de dados do programa. O estudante de publicidade Ibrahim Cesar, 21, foi um dos primeiros a alertar para a irregularidade: "Percebi que meu nome estava completo e que a mensagem não era personalizada. Comecei a perguntar às pessoas pelo Twitter e na faculdade". O publicitário não foi o único bolsista do ProUni que recebeu o spam. Outros beneficiados de São Paulo contatados pelo Estadão encaminharam a mesma mensagem. Para Ibrahim, o Ministério da Educação, que gerencia o programa cedeu o endereço eletrônico dele e de outros bolsistas. "O que mais me revolta é que não são apenas dados como o meu nome e endereço, são os financeiros. Que outros usos podem fazer destes meus dados? Sinto-me como se meus direitos civis não valessem nada para essa administração”, explica. O e-mail, enviado pela campanha do ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) entre 2003 e 2007, tinha como campo de assunto “Mensagens aos Prounistas”. "Aos amigos e amigas bolsistas do ProUni, você é um dos 704 mil estudantes brasileiros que estão mudando o rumo da sua própria história e do nosso país com a oportunidade de se formar no ensino superior a partir do Programa Universidade Para Todos, o PROUNI", O texto também mostra uma mensagem de apoio do presidente Lula a Petta: "Foi um dos melhores presidentes da UNE, sempre lutando para dar mais acesso á (sic) educação para os nossos jovens, pensando no futuro do nosso Brasil". Contatado pela reportagem no início da tarde, Gustavo Petta ainda não respondeu ao pedido de entrevista.
MEC
A assessoria do MEC declarou, no fim da tarde de hoje, que "Gustavo Petta vai ter de se explicar sobre esse caso. Não se explica. Não demos o mailing do ProUni para ele. Nenhum mailing do MEC está disponível". Para o ministério, uma das explicações para o candidato ter acesso aos dados poderia ser através da UNE, entidade da qual foi presidente. Cerca de 40% dos bolsistas moram no Estado de São Paulo. "Esse acesso que a UNE tem é institucional, não poderiam ter feito isso", afirmou o assessor. Petta pode colocar a candidatura em risco e ser impugnado por causa disso". A assessoria também aproveitou para esclarecer que o MEC não tem a declaração de renda para os alunos provarem estão no perfil do programa e que a responsabilidade de inserção dos alunos é das faculdades e universidades.

Democracia em perigo - Por: Merval Pereira

A face mais dura do aparelhamento do Estado brasileiro por forças políticas está sendo revelada nesse episódio da quebra do sigilo fiscal da filha do candidato do PSDB à Presidência da República. Em um país sério, o secretário da Receita já teria se demitido, envergonhado, ou estaria demitido pelo seu chefe, o ministro da Fazenda Guido Mantega. E alguém acabaria na cadeia. Ao contrário, o secretário Otacílio Cartaxo tentou até onde pôde minimizar a situação, preferindo despolitizar o caso e desmoralizar sua repartição. Ao mesmo tempo surgem de vários lados do governo tentativas de contornar o problema, ora atribuindo à própria vítima a culpa da quebra de seu sigilo fiscal, ora sugerindo que uma disputa política dentro do próprio PSDB poderia ter gerado a quebra do sigilo fiscal de Verônica Serra. Uma análise muito encontradiça entre os políticos governistas é de que as denúncias, tendo aparecido em período eleitoral, perdem muito de sua credibilidade e de seu poder de influenciar o voto do eleitor, ficam com sabor "eleitoreiro". Como se essa fosse a questão central. Pensamentos e atos de quem não tem espírito público. O aparelhamento político da máquina pública não ocasiona apenas a ineficiência dos serviços, o que fica patente em casos como o dos Correios, outrora uma empresa exemplar e que se transformou em um cabide de empregos que gera mais escândalos de corrupção do que seria possível supor. essa vez a revelação de que a Receita Federal transformou-se em um balcão de negócios onde o sigilo fiscal dos cidadãos brasileiros está à venda, seja por motivos meramente pecuniários, seja por razões políticas, coloca em xeque uma instituição que, até bem pouco tempo, era respeitada por sua eficiência e pelo absoluto respeito aos direitos dos cidadãos. O episódio da quebra do sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB Eduardo Jorge Caldas Pereira, de três pessoas ligadas de alguma maneira ao partido ou ao candidato oposicionista e, mais grave, da sua filha, mostra que diversas agências da Receita Federal são utilizadas para práticas criminosas, não apenas a de Mauá, que se transformou em um local onde se compra e se vende o sigilo de qualquer um. O sigilo de Verônica Serra foi quebrado na agência de Santo André, numa demonstração de que se vulgarizou a privacidade dos contribuintes brasileiros. Não terá sido coincidência que, além de Verônica, os nomes ligados ao PSDB que tiveram seu sigilo fiscal quebrado — Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Marin Preciado — sejam personagens de um suposto livro que o jornalista Amaury Ribeiro Junior estaria escrevendo com denúncias sobre o processo de privatizações ocorrido no país durante o governo de Fernando Henrique. O jornalista fazia parte do grupo de comunicação da campanha de Dilma Rousseff, subordinado a Luiz Lanzetta, e os dois tiveram encontro com um notório araponga tentando contratá-lo para serviços de espionagem que incluíam grampear o próprio candidato tucano à Presidência. Além da denúncia do araponga, delegado aposentado da Polícia Federal Onésimo de Souza, feita no Congresso, outro ator do submundo petista surgiu nos últimos dias denunciando manobras criminosas nas campanhas eleitorais. Wagner Cinchetto, conhecido sindicalista, afirmou ao "Estado de S. Paulo" e à revista "Veja" que o núcleo envolvido com a violação de sigilo fiscal de tucanos na ação da Receita é uma extensão do grupo de inteligência criado em 2002 por lideranças do PT. Ele diz ter certeza de que os mesmos personagens atuam nos dois episódios. Revelou que o escândalo que levou ao fim a candidatura de Roseana Sarney em 2002 foi montado por esse grupo petista para incriminar o então candidato tucano à Presidência, José Serra, que foi considerado responsável pela denúncia pela família Sarney. Até mesmo um fax teria sido enviado ao Palácio do Planalto para dar a impressão de que a Polícia Federal havia trabalhado sob a orientação do governo de Fernando Henrique. No caso atual, os diversos órgãos do governo envolvidos na apuração — Polícia Federal, Receita Federal, Ministério da Fazenda — tiveram atuação leniente, e foram os jornais que descobriram rapidamente que a procuração era completamente falsa, desde a assinatura de Verônica Serra até o carimbo do Cartório do 16 Tabelião de Notas de São Paulo, onde aliás Verônica nunca teve firma. Não basta a Receita dizer que por causa de uma procuração está tudo legal. Não faz sentido que qualquer pessoa que apareça em qualquer agência da Receita Federal com uma procuração possa ter acesso a dados sigilosos. Aliás, o pedido em si não faz o menor sentido. Então o contribuinte que declara seu imposto de renda não tem uma cópia? Agora, que quase todo mundo declara pela internet, como não ter uma gravação da declaração? A funcionária da Receita que achou normal a apresentação da procuração deveria ter desconfiado de alguma coisa, pelo menos do fato de uma pessoa que declara seu imposto de renda na capital de São Paulo mandar um procurador a uma agência de Santo André para ter acesso a uma cópia. O contador Antônio Carlos Atella Ferreira admitiu que foi ele quem retirou cópias das declarações de IR de Verônica Serra na agência da Receita Federal em Santo André, mas alega que fez isso por encomenda de uma pessoa que "queria prejudicar Serra". Mais uma história mal contada. E tudo leva ao que aconteceu em 2006, quando um grupo de petistas ligados diretamente à campanha de Aloizio Mercadante e à direção nacional do PT foi preso em flagrante tentando comprar um dossiê, com uma montanha de dinheiro vivo, contra Serra, candidato ao governo de São Paulo, e Alckmin, o candidato tucano à Presidência. O presidente chamou-os de "aloprados", indignado nem tanto com o episódio em si, mas com a burrice de seus correligionários que acabaram impedindo que ganhasse a eleição no primeiro turno. Hoje o caso é mais grave, pois envolve um órgão do Estado que deveria proteger o sigilo de seus cidadãos. O que menos importa é se a repercussão do caso influenciará o resultado da eleição. O grave é a ameaça ao estado de direito embutida nesse uso da máquina pública para chantagem eleitoral.
Fonte: O Globo

Serra acirra tom e cita violação da conta de caseiro

Em encontro com prefeitos, tucano chegou a chorar ao falar sobre práticas 'escusas' do partido adversário
02 de setembro de 2010 | 0h 00 - Almeida - O Estado de S.Paulo
Numa clara mudança de tom na campanha presidencial da oposição, o candidato do PSDB, José Serra, aproveitou ontem o encontro com prefeitos paulistas para atacar os adversários no PT, usando como eixo principal de sua crítica a violação do sigilo fiscal de tucanos e de sua filha Verônica. Pela primeira vez, o presidenciável citou explicitamente o episódio do caseiro Francenildo dos Santos Costa, que teve o sigilo bancário violado em 2006, num caso envolvendo o ex-ministro Antonio Palocci. Serra, que tem boa relação com o petista, evitava explorar o caso. O tucano chegou a chorar ao falar sobre práticas "escusas" do partido adversário. Disse que o PT quer cercear a liberdade de imprensa e tem práticas "fascistas". "Não perguntem jamais quem é o Francenildo Pereira (sic). Francenildo são todos vocês, Francenildo somos nós. Nunca vou passar a mão na cabeça de malfeitores", declarou o candidato, dizendo ainda que os adversários optaram pelo caminho da "sordidez" e sabotam a "ordem democrática". "Os brasileiros precisam ser livres para não temerem que um Estado financiado com o dinheiro de todos nós seja ou continue ocupado por uma máquina partidária que segue e persegue as pessoas e viola os direitos fundamentais do povo brasileiro. Nós somos diferentes. Somos democratas e defendemos a liberdade de verdade", disse Serra no discurso mais crítico ao governo federal já feito desde que se lançou candidato à Presidência. Ele anunciou ontem que, a partir de agora, vai falar "mais de política". Conforme o Estado antecipou anteontem, a campanha de Serra mudou a estratégia de comunicação, tentando mostrar um candidato mais crítico e mais oposicionista em relação ao governo federal e que coloque de forma mais clara as diferenças entre o PSDB e o PT. Improviso. O tucano, que falou por mais de 40 minutos, escreveu seu discurso antes de chegar ao encontro com prefeitos no Credicard Hall, na capital paulista. Mas improvisou trechos, como o que citava Francenildo, que não constava da versão original. "Quando se viola o sigilo fiscal de uma filha nossa, está se violando acima de tudo a Constituição", afirmou Serra, para quem os adversários "não têm caráter". "Nenhum pedaço da minha biografia precisa ficar trancado num cofre", completou. Ontem tanto Serra quanto os tucanos aproveitaram o encontro com prefeitos, organizado para demonstrar força no maior colégio eleitoral do País, para criticar o governo no episódio da violação de sigilo. "O que vimos é uma ameaça contra a sociedade. Quando uma injustiça é feita contra uma pessoa, é feita contra toda a sociedade", declarou o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, ao dizer que houve ruptura do texto constitucional com o objetivo de se ganhar eleição. Para mostrar sintonia, o presidenciável chegou de mãos dadas com Alckmin. Foi criado um jingle especial para os dois que falava da união dos candidatos para fazer São Paulo e o Brasil crescer. O ex-governador Aécio Neves (MG) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não foram à ofensiva política do PSDB no maior colégio eleitoral do País. O partido, no entanto, conseguiu reunir algumas lideranças nacionais, como os candidatos a governador no Pará, Simão Jatene, e no Espírito Santo, Luiz Paulo Vellozo Lucas. Também participaram os presidentes do PPS, Roberto Freire, e do PSDB, Sérgio Guerra, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e o deputado Jutahy Júnior (BA). Pelas contas da organização, 353 prefeitos participaram do encontro. Foram convidados 400 prefeitos, ex-prefeitos e lideranças municipais. Cerca de 2 mil pessoas participaram do evento.

  
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