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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Camarote cósmico Dora Kramer

Terça-feira, Agosto 02, 2011 - Dora Kramer - O Estado de S. Paulo - 02/08/2011

Oposição, numa concepção celebrada pelo ex-presidente Luiz Inácio da Silva, é um conjunto de seres mal-intencionados residentes em uma espécie de camarote cósmico de onde observam a cena e torcem impunemente pelo quanto pior, melhor. No caso de o País afundar, os oposicionistas não teriam o que temer, pois estariam imunes aos efeitos do desastre pela simples razão de que têm posição política, pensamentos e modo diferente de ver as coisas em relação aos que momentaneamente ocupam o poder. Por essa visão, só governistas vão ao supermercado. Só eles pagam mensalidades escolares, são usuários de serviços, compram roupas, pagam contas de luz, água, gás, condomínio, telefone, TV a cabo e internet. Outro dia em mais um de seus discursos baseados em argumentos da "quase-lógica do senso comum" apontada já nos primórdios do primeiro mandato pela cientista política Luciana Veiga, Lula exortou a plateia a considerar "mentira" qualquer coisa que digam seus adversários porque, segundo ele, torcem para que a inflação volte furiosa e o desemprego vá à estratosfera. Desse modo, teriam caldo de cultura para fomentar ambiente desfavorável ao governo e construir um discurso eleitoral eficaz. Dito assim até faz sentido, mas na prática as coisas não funcionam de maneira tão simples. Às vezes, quanto mais difícil é a situação, mais medo o eleitor tem de mudar o leme de mãos. Um exemplo disso aconteceu em 1998, quando Fernando Henrique Cardoso se preparava para disputar a reeleição e as crises internacionais sucessivas não apontavam para um cenário eleitoral favorável ao governo. Isso durante os primeiros meses daquele ano. FH acabou vencendo outra vez em primeiro turno justamente porque o eleitorado preferiu não arriscar, reconhecendo no governo e não na oposição, mais capacidade de lidar com as dificuldades. Ademais, quando a coisa aperta sobra para todo mundo. Muito mais até para quem porventura venha a suceder a um governo de fracassos, porque perde tempo na reconstrução antes de conseguir começar a realizar. Se torcida tivesse poder de fazer acontecer, o Plano Real teria dado errado, o Brasil ainda estaria às voltas com a hiperinflação, os mais pobres continuariam a pagar a conta da subida diária de preços e o Brasil ainda estaria condenado ao isolamento mundial. Felizmente, tudo saiu bem melhor que a encomenda contratada pelo PT quando era oposição. Na época atuava na base do quanto pior, melhor. Essa régua Lula usa para medir seus adversários de novo agora quando retoma a campanha para fortalecer seus partido em 2012 nos municípios e aumentar o capital para disputar com Dilma ou consigo mesmo a Presidência em 2014. Graças ao fato de que torcida contra não faz verão, o PT pôde governar com relativa tranquilidade, incorporar como suas realizações sedimentadas ao longo dos quase 20 anos desde a redemocratização e até avançar no quesito inclusão social. Na tentativa de desqualificar o contraditório chamando de "mentirosas" todas as críticas, na prática acusando os adversários do grave crime de lesa-pátria na medida em que seriam todos arautos do caos, Lula falta com a verdade e calunia uma parcela da opinião pública e política do País que, como em toda democracia, exercita a discordância. Durante seus oito anos de governo e, ao que tudo indica também agora com Dilma Rousseff, o PT teve a oposição mais amena com a qual jamais poderia sonhar. Nem sempre isso funcionou para o bem. Fez mal quando permitiu que se consolidasse a falta de ética como hábito. Sempre que pôde, o PT zombou da ineficácia, da desarticulação e do medo que os oposicionistas têm da popularidade de Lula e de sua falta de pudor de aniquilar moralmente quem lhe faz oposição em suas diatribes de palanque. Buscando sempre mostrar que oposicionistas são brasileiros de segunda classe, insidiosos conspiradores a quem a população não deve dar ouvidos, a fim de que não se corra o risco de quebrar a hegemonia das forças representadas pelo PT, PMDB, PTB, PR e companhia, com Lula à frente como se fora o detentor do monopólio do bem.

Fonte: arquivoetc.blogspot.com

quinta-feira, 14 de julho de 2011

domingo, 3 de outubro de 2010

DANUZA LEÃO Na torcida

ARQUIVO DE ARTIGOS ETC - Domingo, Outubro 03, 2010 - FOLHA DE SÃO PAULO - 03/10/10
Gostaria que houvesse uma urna paralela para se votar nos cinco candidatos em quem jamais se votaria
COMO EU ADORO eleição, estou torcendo para que haja um segundo turno. Se isso acontecer, vamos poder saber mais das propostas dos candidatos, conhecê-los um pouco melhor, com debates mais verdadeiros, de preferência dois candidatos sem tempo marcado para perguntas e respostas.
Alguém, não me lembro mais quem, prometeu abrir 6.000 creches; e quem vai sair contando, por esse país tão grande? Se tanto faz, por que não prometer 60 mil, 6 milhões, já que ninguém vai mesmo cobrar?
A vida de Marina e Serra nós conhecemos bem; a de Dilma é meio misteriosa. Sabemos que ela lutou contra a ditadura, foi presa e torturada, era do PDT, trocou pelo PT, teve dois maridos; e quase mais nada, pois a candidata não dá entrevistas.
O eleitorado só ficou sabendo que ela tinha uma filha dias antes dessa filha ter um bebê; há cerca de um mês se soube, pela Folha -até então ninguém sabia-, que tinha sido sócia de uma lojinha de bugigangas (que faliu) em Foz do Iguaçu, e até hoje não está claro se ela planejava as ações ou empunhava metralhadora, quando lutava contra a ditadura.
Lembro que há alguns anos a imprensa -sempre ela- descobriu que um candidato a candidato à Presidência, nos EUA, tinha uma empregada mexicana ou asiática, que havia entrado irregularmente no país. Os jornais estamparam, e ele deixou a vida pública.
Qualquer americano sabe da vida do presidente Obama, da dos seus pais e dos seus avós. É um direito do eleitor saber em quem está votando.
O que faz com que se escolha um candidato, e não o outro, é seu passado, sua coerência, a capacidade de escolher para sua equipe as pessoas mais competentes e de mais confiança; como os cavalos de corrida, seu retrospecto. E sobretudo, acreditar nele.
Esta noite, alguns vão dormir felizes, outros com dor de cotovelo, outros, talvez, com alívio pela campanha ter acabado, e há também os que vão beber muito -por qualquer dessas razões.
Para os outros cargos além da Presidência, são tantos os candidatos, a maioria totalmente desconhecida, que a tendência é votar em alguém de cujo nome já se ouviu falar, mesmo que só de quatro em quatro anos, o que, aliás, é perigosíssimo.
Mas alguns são tão absurdos que eu gostaria que houvesse uma lista paralela, com uma urna paralela, para se votar nos cinco candidatos em quem jamais se votaria. Eu adoraria isso.
Você aí, que não precisa votar, porque passou dos 70, deixe de preguiça. Não precisa usar gravata, basta um jeans e uma camiseta; pegue o título de eleitor e a identidade (com foto) e não perca esse privilégio, que é escolher quem vai governar seu país. Nosso país.
Desta vez vai demorar, deve ter fila, mas sempre vale a pena. Quando chegar em casa, é ligar a televisão, se preparar para dormir tarde -a apuração só vai terminar lá pela meia-noite- e torcer, torcer muito.
Por um segundo turno, é claro.
PS - E como a vida continua, perigo à vista: uma determinada fábrica de tintas que está colorindo o Rio de Janeiro com as piores cores, como se fosse uma cidade cenográfica, anuncia pela TV que seu próximo destino é Ouro Preto. Socorro, autoridades. Isso é muito grave.

‘Reconquistemos o que restou da República e continuemos o debate’

01/10/2010 às 15:37 \ Direto ao Ponto
Ethan Edwards: ‘Reconquistemos o que restou da República e continuemos o debate’
Milicianos fazem o que o chefe ordena. O rebanho companheiro segue o Grande Pastor. Os brasileiros do país que presta pensam e discutem. O debate que vem sendo travado aqui na coluna, e é ampliado com mais um texto do nosso Ethan Edwards, reafirma que sem independência intelectual não haverá salvação. Confiram:
É muito desagradável ficar lembrando “eu escrevi isso”, “eu avisei sobre aquilo”, como a pedir que, no debate, minhas opiniões tenham mais peso que as dos demais. Argumentos de autoridade não tornam claro o que está obscuro. Mas… eu já escrevi aqui mesmo sobre isso: que Serra não diria o que desejávamos que dissesse, mas apenas o que as circunstâncias políticas (inclusive sua história pessoal) lhe permitissem. As razões? Serra não é o líder filosófico, moral e político de que os brasileiros cansados do lulopetismo precisam. Serra é apenas o candidato possível, capaz de encarnar alguns valores republicanos que prezamos, nestas eleições que, se dependessem do lulopetismo, nem seriam realizadas.
A renovação moral e filosófica do país – se um dia acontecer… – é outra coisa. Como não depende do TSE (muito pelo contrário), provavelmente não ocorrerá numa data do calendário eleitoral. Terá seu próprio ritmo, escolherá seus próprios acontecimentos e virá pelas mãos de homens que, ao meus olhos, pelo menos, não se encontram no cenário político atual.
As eleições não são uma cruzada pela nossa renovação moral e filosófica. Os candidatos não devem ocupar o lugar de heróis, nem se deve exigir deles uma coragem especial para dizer aquilo que o povo não pôde dizer durante os últimos oito ou vinte anos. Se for assim, alguma coisa está errada – e não é com os candidatos. Uma eleição presidencial é (ou deveria ser) apenas um acontecimento de natureza político-administrativa, previsto pela sabedoria do legislador republicano, que nos permitirá experimentar, nos próximos quatro anos, soluções ainda não testadas para os problemas da nossa vida em comum neste espaço nacional. Adaptando livremente Karl Popper (Os Paradoxos da Soberania), nosso objetivo, nesta eleição e noutras, deveria ser apenas escolher o candidato que, tendo nas mãos, pelos próximos quatro anos, o formidável poder do Estado, com ele causará menos danos ao povo.
Sei que estou sendo excessivamente desapaixonado e “acadêmico”. Afinal, estamos à beira de um abismo e isso não são horas para filosofices. Lamento. Mas a verdade é que, se hoje temos de esperar de Serra a salvação contra o lulopetismo, deixamos o abismo chegar muito perto. Esse tipo de ilusão é um sintoma da gravidade da nossa crise espiritual e política. Serra pode, sim, como um socialdemocrata íntegro, suprimir algumas das práticas mais nefastas do lulopetismo, promover uma moderada desratização da máquina governamental, revitalizar as agências reguladoras, sanear o BNDES, resgatar um pouco a confiabilidade da Receita e da Polícia Federal, etc. Talvez nem consiga tanto. Mas, nas circunstâncias, é só o que podemos almejar. Metade disso já será um excelente programa para nossa quase destruída República. Aliás, só impedir que o lulopetismo continue destruindo a República já será um magnífico programa.
Desconfio que Serra não conseguiria chegar ao patamar eleitoral que ocupa hoje se tivesse optado por denunciar o lulopetismo, tão entranhado na alma do jornalismo brasileiro e dos nossos “formadores de opinião”. Não tenho como provar isso. Meus críticos não tem como provar o contrário. Votemos em Serra, então, reconquistemos o que restou da República e continuemos o debate. Viva a democracia!
PS: Não me referi a Marina. Desculpem. Falha nossa. Não entendo nada desse negócio de genéricos.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Manifesto em Defesa da Democracia

Manifesto em Defesa da Democracia
 
mensagem, de 30.09.2010

Caros amigos,
Já são mais de 64 mil assinaturas, em uma semana, em defesa da Democracia e da liberdade de expressão, contra os abusos e a corrupção. É fundamental ampliar as assinaturas em favor deste movimento e atuar para a realização do segundo turno, votando em candidatos comprometidos estes valores e contra a corrupção desenfreada e desavergonhada, que todo dia dá maus exemplos à sociedade e aos nossos jovens, desviando recursos de hospitais, escolas, segurança, melhores estradas e mais empregos.

O segundo turno é fundamental para que compromissos claros sejam assumidos pelos candidatos a presidência da Republica e que o país não tenha duvida de quem é melhor e mais preparado para cuidar da sua condução e do seu futuro.
Veja no site -
em defesa da democracia - depoimentos importantes de Helio Bicudo, José Gregori e Bruno Daniel (do seu exílio na França, irmão do ex prefeito do PT, Celso Daniel, assassinado).
Divulgue a seus amigos.
 
 
Movimento em Defesa da Democracia e da liberdade de expressão, contra a corrupção e a intimidação.
  
 buzz2feed - moisesalba

 O socialismo é a filosofia do fracasso, a crença na ignorância, a pregação da inveja. Seu defeito inerente é a distribuição igualitária da miséria. Churchill
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Manifesto em Defesa da Democracia manifestoemdefesadademocracia@gmail.com
Data: 1 de outubro de 2010 16:44
Assunto: 64 mil assinaturas - video Bruno Daniel, Helio Bicudo e Jose Gregori
Para:
moisesalba@gmail.com

sábado, 25 de setembro de 2010

Faça como o ESTADÃO vá de JOSE SERRA para PRESIDENTE

Editorial ESTADÃO - 25 de setembro de 2010 | 17h 02
O mal a evitar
A acusação do presidente da República de que a Imprensa "se comporta como um partido político" é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre "se comportar como um partido político" e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.
Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.
Efetivamente, não bastasse o embuste do "nunca antes", agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.
Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa - iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique - de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.
Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia - a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o "cara". Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: "Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?" Este é o mal a evitar.
Texto publicado na seção "Notas e Informações" da edição de 26/09/2010
Fonte: ESTADAO

Os segredos do lobista - “A Casa Civil virou uma roubalheira”

Personagem-chave na central de corrupção da Casa Civil, o ex-diretor dos Correios Marco Antônio de Oliveira admite que cabia a ele prospectar clientes para o esquema e que ‘era tudo uma roubalheira”. Para receber propina, ele indicava contas secretas do genro em Hong Kong
Olhando nervosamente para os lados, Marco Antônio de Oliveira, ex-diretor dos Correios e discreto lobista do grupo que tomou de assalto a Presidência da República, inclina-se na cadeira, aproxima-se do interlocutor e sentencia a meia voz:
“A Casa Civil virou uma roubalheira”
Marco Antônio é tio de Vinícius Castro, o ex-assessor da Casa Civil que, ao encontrar 200 mil reais em propina em sua gaveta na Presidência, exclamou: “Caraca! Que dinheiro é esse?”.
Embora desconhecido do grande público, trata-se de um personagem influente no governo Lula. Já foi diretor da Infraero no primeiro mandato do petista, quando a estatal reluzia no noticiário policial, e, desde 2008, ocupava a estratégica Diretoria de Operações dos Correios. Em ambos os cargos, sempre conviveu com acusações de malfeitorias.
A relativa má fama nunca foi obstáculo para que ele mantivesse uma inexplicável proximidade com a cúpula do governo Lula – proximidade que se revelava em conversas freqüentes com próceres da administração petista, como o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.
Também eram recorrentes os encontros no apartamento funcional de Erenice Guerra, ex-ministra da Casa Civil, quando ela era braço-direito da candidata petista Dilma Rousseff.
Marco Antônio, o tio, e Vinícius Castro, o sobrinho, integram, numa rentável associação com outra família, a Guerra, a turma que, até recentemente, fazia e acontecia na Casa Civil.
Conforme revelou VEJA em suas duas últimas edições, esse grupo – cujo poder de barganha provinha da força política da agora ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra e de sua ex-chefe, Dilma Rousseff – montou uma central de negócios dentro do Palácio do Planalto, com atuação conhecida nos Correios, no BNDES, na ANAC, na Anatel e na Infraero.
Participavam também Israel Guerra, um dos filhos da ex-ministra, familiares dela e Stevan Knezevic, outro assessor da Casa Civil. Todos caíram – ou quase todos. Marcelo Moreto, um soldado-raso da turma, continua com um carguinho na Presidência.
“Essa roubalheira levou minha família à ruína”, admite Marco Antônio, em conversas gravadas com a reportagem no Rio de Janeiro e em Brasília. O lobista Marco Antônio, como se nota, é um homem amargurado, disposto, talvez, a usar as informações que dispõe para se vingar das tais pessoas que levaram sua família à ruína.
Ele guarda muitos segredos -- alguns já revelados e confirmados pelos fatos, como a participação da ex-ministra Erenice Guerra e seu filho em achaques a empresários que pretendiam ganhar contratos no governo.
Marco Antônio também é um personagem-chave para esclarecer uma grande interrogação que ainda existe desde o início do escândalo: a suspeita de que os dividendos resultantes das traficâncias da Casa Civil também abasteciam o caixa da campanha do PT.
Todos os episódios de lobby conhecidos até o momento tiveram o ex-diretor dos Correios, um confesso “prospectador de clientes”, como facilitador.
Em todos eles também surgiram versões segundo as quais parte do dinheiro captado pela família Guerra e seus sócios serviria ora para saldar “compromissos políticos”, ora “para a campanha de Dilma Rousseff”.
Ao menos foi isso o que afirmaram os empresários Fábio Baracat e Rubnei Quícoli. Baracat, em entrevista a VEJA e em depoimento à Polícia Federal na última quinta-feira, contou que pagou propina ao grupo para resolver pendências da MTA Linhas Aéreas junto a ANAC e a Infraero – e também para conseguir mais contratos dessa empresa com os Correios, sempre sob os cuidados da diretoria comandada precisamente por Marco Antônio.
Quícoli, por sua vez, ainda vai depor. Sua história embute uma acusação extremamente grave. Ele agia em favor da empresa ERDB, que contratou o grupo da Casa Civil para tentar obter um financiamento no BNDES.
Na semana passada, em entrevista a VEJA, Quícoli voltou a acusar Erenice, seu filho e o lobista Marco Antônio de exigirem 5 milhões de reais para a campanha presidencial de Dilma Rousseff e de Hélio Costa, candidato do PMDB ao governo de Minas Gerais.
Na semana passada, VEJA investigou as circunstâncias dessas tratativas – e descobriu que elas não se restringiram a um simples, isolado e despretensioso pedido de doação para campanha. Em entrevistas gravadas com os principais personagens desse episódio, a reportagem confirmou que houve reuniões sigilosas entre as partes envolvidas, viagens internacionais para tratar dos acertos e até mesmo trocas de emails com detalhes financeiros da negociata. Ou seja: foram cumpridas todas as etapas comuns a esse tipo de negociata.
O caso começa em outubro do ano passado, quando o lobista Rubnei Quícoli aproximou-se da turma de Erenice Guerra, em busca do “apoio político” para assegurar a liberação de um empréstimo no BNDES. Marco Antônio confirmou a aproximação.
Após as primeiras conversas, conta Quícoli, surgiu a fatura. As duas famílias exigiam o pagamento de 40. 000 mensais, uma taxa de sucesso e, de quebra, o tal bônus antecipado de 5 milhões de reais: “O Marco Antônio disse que tinha que entregar o dinheiro na mão da Erenice, pois ela precisava pagar umas contas da Dilma e também pretendia também ajudar o Hélio Costa”. Quícoli afirma que Marco Antonio não precisou que espécie de “contas” Dilma precisaria quitar.
Naquele momento, em meados de maio deste ano, as negociações emperraram, em razão de divergências quanto ao modo de pagamento dos 5 milhões. Primeiro, os lobistas queriam receber em dinheiro vivo – ou na conta da empresa Sinergy no Banco do Brasil. A Sinergy é uma das engrenagens financeiras da turma. Está em nome de um primo de Marco Antônio.
Temeroso de que um depósito numa pequena firma de consultoria fosse chamar demasiada atenção, Quícoli pediu uma alternativa. Marco Antonio ofereceu uma opção mais discreta: a propina deveria ser depositada diretamente em contas no exterior – e indicou duas em Hong Kong, ambas pertencentes ao empresário Roberto Ribeiro.
Dono de uma locadora de carros e de uma fábrica de cigarros, Roberto Ribeiro é genro do lobista Marco Antônio e mora em Miami, nos Estados Unidos. Para convencer Quícoli de que a transação era segura, Marco Antônio fez o genro vir ao Brasil.
Os três reuniram-se no hotel Intercontinental da Alameda Santos, em São Paulo, na tarde do último dia 12 de junho, um sábado. Em uma hora e meia de negociação, Marco Antônio e o genro acalmaram Quícoli: “Eles tentaram me convencer de que não haveria problema em usar aquelas contas”.
Procurado por VEJA, o empresário Roberto Ribeiro confirmou que veio ao Brasil e se encontrou no hotel com o sogro e o lobista Quícoli. Mas apresentou uma versão para lá de estranha: “Quícoli me foi apresentado pelo Marco Antonio. Ele disse que Quícoli possuía dinheiro no exterior e poderia investir nas minhas empresas. Nada se falou sobre dinheiro de campanha”.
E por que diabos ele enviara os dados das contas antes mesmo do encontro? “Quícoli disse que tinha dinheiro em contas na Ásia, e que precisava me pagar por lá. As contas pertencem a parceiros comerciais meus”.
Fica evidente, portanto, que alguém está mentindo. Ou as contas seriam efetivamente o canal para o pagamento da propina, como acusa o lobista Quícoli, ou serviriam para uma transação sem qualquer nexo financeiro. Todas as evidências convergem para a primeira alternativa.
O pagamento, aparentemente, acabou não sendo feito – e ninguém apresenta explicações razoáveis para isso. Quícoli se limita a afirmar que “não quis pagar propina”, mas assegura: “Marco Antônio disse que era só depositar o dinheiro que tudo daria certo”.
Marco Antônio, é claro, diz que nem cobrou. Ao fim, seria mais um caso de negociata que não deu certo? É cedo para saber. Quícoli está longe de ser um sujeito probo – já foi condenado por receptação de moeda falsa e por ocultar carga roubada.
Todos os elementos que ele apresentou até o momento, porém, confirmaram-se. Frise-se também que ainda não se sabe se o lobista Marco Antônio usava o nome de Dilma e de Erenice com o consentimento delas. Ambas negam.
Reconheça-se que existe a hipótese de que ele tenha vendido o nome delas para fazer negócios próprios. Caberá às autoridades averiguar isso.
É inegável, contudo, que o ex-diretor dos Correios detinha estatura política e proximidade com o governo para fazer esse tipo de pedido heterodoxo sem se passar por louco.
Além dos importantes cargos que ocupou, Marco Antônio era de tal modo próximo à Presidência que, logo após deixar os Correios, em maio deste ano, foi levado pelo ministro Paulo Bernardo ao Palácio da Alvorada, para conversar com o presidente Lula. No encontro, segundo Marco Antônio, Lula discutiu a possibilidade de que o leal funcionário viesse a ocupar a presidência da Infraero num possível governo Dilma.
A candidata, aliás, pediu a ele que, informalmente, fizesse estudos para acompanhar a viabilidade do projeto do trem-bala. Erenice é amiga da esposa do ex-diretor, a ponto de visitá-la frequentemente.
À PF, Marco Antonio também pode fornecer preciosas pistas sobre a compra do remédio Tamiflu. Conforme revelou VEJA na semana passada, Vinícius Castro admitiu ter recebido 200 mil reais de propina, dentro da Presidência, em razão dos contratos fechados pelo governo sem licitação com o laboratório Roche, que fabrica o remédio.
Vinícius narrou ao tio que a malfeitoria estava na quantidade de Tamiflu que o governo adquiriu. Diz Marco Antônio: “Compraram Tamiflu demais. Ninguém compra milhões em remédio sem contrapartida. Houve rolo. O Vinícius me contou: ‘Eu vi ‘A’ recebendo, ‘B’ recebendo, ‘C’ recebendo”. Ele viu a distribuição, um entregando envelope para o outro”.
Para quem ainda se assombra com desfaçatez, o ex-diretor dos Correios explica o sentido do ato: “É preciso entender como funciona corrupção em repartição pública. Se o camarada que está perto de você recebe, você tem que receber também. Essa é a regra”.
Segundo o tio, Vinícius cedeu gostosamente à chantagem, embora tenha manifestado alguma preocupação. “Uma vez o Vinícius veio me pedir conselhos, temendo que a compra do Tamiflu desse problema. Descobri depois que esse dinheiro do Tamiflu foi operado pelo marido da Erenice (o engenheiro José Roberto Camargo Campos). Lá atrás eu alertei o Vinícius que esse Tamiflu iria dar m... Disse a ele: ‘É melhor você sair desse assunto’”, afirma o ex-diretor.
Na semana passada, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, indicado pelo PMDB, negou saber de qualquer irregularidade, cuja possibilidade de ocorrer, segundo ele, seria nula, pois o Tamiflu é o único medicamento disponível no mundo para o tratamento da gripe suína. Sendo assim, não haveria brechas para interessados em fazer lobby. A compra se daria de qualquer maneira.
Caberá ao lobista Marco Antonio esclarecer os limites do que qualifica de “roubalheira”, seja a da Casa Civil, a da família Guerra ou algum elo comum entre elas.

A imprensa no pós-Lula

O presidente Lula interrompeu a sucessão de pesados ataques aos meios de comunicação. Não que tenha mudado a sua peculiar visão do que seja a liberdade de imprensa - para ele, sinônimo de "informar corretamente", deixando implícito que se considera juiz, como governante, não como leitor, do que possa ser informação correta e o seu oposto. Mas mudou de tom. Numa longa entrevista ao portal Terra, divulgada na quinta-feira, Lula trocou a agressão pela crítica civilizada. Refutou as acusações de autoritarismo que se seguiram aos seus canhonaços e disse duvidar que exista um país com mais liberdade de comunicação do que o Brasil, "da parte do governo".
Esquece-se convenientemente de que o Planalto patrocinou em 2004 o projeto do Conselho Federal de Jornalismo que pretendia "orientar, fiscalizar e disciplinar" a atividade de informar. Diante da vigorosa reação da sociedade, o governo deixou a proposta morrer. De todo modo, a imprensa brasileira é hoje tão livre como era no primeiro dia de Lula presidente. Quando não é, como no caso da censura prévia imposta a este jornal, o problema se origina no Judiciário. A questão suscitada por algumas das afirmações de Lula na mencionada entrevista diz respeito ao futuro, dependendo de quem der as cartas nesse jogo, na hipótese de eleição da candidata Dilma Rousseff.
Disse o presidente que "duas ou três famílias são donas dos canais de televisão, e as mesmas são donas das rádios e donas dos jornais". (Nem por isso ele exprime desconforto com o fato de que o patriarca de uma dessas famílias é o seu dileto aliado José Sarney.) Disse também, embora não tivesse empregado o termo, que a propriedade cruzada dos meios de comunicação terá de ser revista no próximo governo, ou nos próximos governos, quando o Congresso deverá inexoravelmente estabelecer um novo marco regulatório do setor de telecomunicações. "Discutir isso", ressaltou, "é uma necessidade da nação brasileira." De pleno acordo. Não é de hoje que o Estado critica a concentração da propriedade na mídia e as facilidades para que um punhado de grupos econômicos controle, numa mesma praça, emissoras e publicações.
Ocorre que a exortação de Lula não pode ser dissociada das investidas petistas contra a autonomia da produção jornalística. Em circunstâncias normais, a preocupação manifestada pelo presidente seria salutar e merecedora de apoio. Mas ela pode ser tudo menos isso. É como na Argentina. Há pouco tempo, o governo da presidente Cristina Kirchner fez o Congresso aprovar uma Lei de Meios, a qual, tomada pelo valor de face, se destinaria a coibir a formação de conglomerados de comunicação, abrangendo, além das modalidades tradicionais, serviços de internet, TV a cabo e telefonia. Mas, ao dotar o governo de amplos poderes para intervir no setor, esse marco regulatório tem o claro propósito de dar à Casa Rosada poder para premiar a imprensa complacente e asfixiar aquela que ainda não desertou de suas funções de fiscalização e crítica
Imaginem-se, portanto, os riscos de que um Congresso dominado pela coalizão lulista - e sob pressão dos "movimentos populares" atrelados ao PT - venha a impor uma legislação semelhante à do país vizinho, com o mesmo fim. Não se trata de fantasia. O ambiente para tal vem sendo laboriosamente construído pelos garroteadores em potencial da mídia. Entre um golpe de borduna e outro do presidente, por exemplo, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, cujas ambições partidárias no pós-Lula são amplamente conhecidas, aparece falando em "abuso do poder de informar" - uma óbvia senha para a companheirada. Seria o cúmulo da ingenuidade não ligar os pontos dessa urdidura.
O único dado alentador, no momento, foram as declarações de Dilma em defesa da liberdade de imprensa. A candidata não só tornou a repetir a boutade de que o único controle social da mídia que aprova é o controle remoto do televisor, como prometeu que, se eleita, não tentará impedir que a imprensa fale dela o que bem entender. "No máximo", antecipou, "vou dizer: está errado, por isso, por isso e por isso." É esperar que a sua posição prevaleça, se ela for a próxima presidente - que esperamos que não aconteça.

Para investidor, oferta de ações da Petrobrás foi ‘abominável’

Mobius, do Templeton, diz que houve grande desrespeito ao minoritário; associação teme repetição de processo em outras estatais
RIO - Os temores dos minoritários com relação à capitalização da Petrobrás foram confirmados na sexta-feira: o governo ampliou sua fatia na empresa, os pequenos investidores foram diluídos, e o lançamento das ações teve forte tom eleitoral. O gestor Mark Mobius, que dirige o fundo Templeton Asset Management, classificou o processo como abominável, com grande desrespeito ao minoritário.
Para o superintendente da Associação dos Investidores em Mercados de Capitais (Amec), Edison Garcia, o principal risco, agora, é que o modelo adotado com a Petrobrás se repita em outras estatais. A Amec protesta contra "inconsistências jurídicas" e problemas relacionados à governança corporativa durante a elaboração do lançamento de novas ações da Petrobrás.
"O processo inteiro é abominável e uma terrível violação dos direitos dos acionistas", comentou Mobius, que gere fundos de investimentos de US$ 34 bilhões, em entrevista à Bloomberg. "A própria ideia de o governo não usar dinheiro e estabelecer um preço questionável para as reservas (da cessão onerosa) é injusto", argumentou o investidor.
A questão do preço das reservas é uma das "inconsistências" observadas por Garcia no processo, assim como a transferência do poder decisório para o conselho de administração da companhia. "Muitas das principais questões deveriam ter sido discutidas pelos minoritários", comentou o superintendente da Amec. Ele diz, no entanto, que a entidade não vai contestar judicialmente o resultado.
"Isso é decisão de cada investidor", afirmou, destacando que a preocupação da entidade recai agora sobre as consequências da capitalização. "Teremos que ver os efeitos desse processo para o futuro do mercado de ações brasileiro, em termos de credibilidade, de governança corporativa", disse. "O sucesso da capitalização sinaliza que o governo pode repetir o modelo com outras companhias."
Ainda não há informações definitivas sobre a nova composição acionária da companhia, mas a expectativa é de diluição dos minoritários, uma vez que o governo anunciou um aumento de sua fatia para 48%, com a participação de instituições federais como o BNDES e o Fundo Soberano do Brasil. "A pergunta é: quem são os compradores?", questionou Mobius, levantando dúvidas sobre as notícias a respeito de grande demanda por investidores privados.
Embora considere que a fatia do governo ficou abaixo do esperado, o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), disse que as motivações políticas do governo prejudicaram a participação do investidor privado. "Só o fato de Lula ter ido hoje à Bolsa, vestindo jaleco e tal, demonstra a politização do processo. Se o governo tivesse colocado menos dinheiro na capitalização, a Petrobrás poderia ter atraído mais investidores", comentou.
Mesmo assim, ele diz que o governo e a Petrobrás são os principais vitoriosos na ação: o governo, por ter aumentado em 9% sua participação na empresa; e a estatal, por ter conseguido alavancar sua dívida. "Só os minoritários é que saem um pouco frustrados porque não conseguiram comprar mais", disse.
"Conheço muitas pessoas que tiveram que se endividar para tentar acompanhar a oferta", acrescenta o empresário baiano Romano Allegro, que entregou à Petrobrás um manifesto contra o tamanho da capitalização em uma das primeiras assembleias de acionistas sobre o tema, ainda em abril.
"O sucesso da oferta é bom para o País, vai garantir mais destaque para o Brasil no exterior. Mas para os minoritários foi um esforço sobre-humano", comentou o investidor.

Estrangeiro já tem mais de 10% da dívida do País

Em agosto, não residentes detinham R$ 150 bilhões em papéis da dívida; porcentual subiu de 9,54% em julho para 10,06%
Pela primeira vez na história, a participação de investidores estrangeiros na dívida interna em títulos superou a marca dos 10%.
Segundo dados divulgados ontem pelo Tesouro Nacional, investidores não residentes no Brasil detinham em agosto mais de R$ 150 bilhões em papéis da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi), que encerrou o mês passado em R$ 1,524 trilhão, com alta de 1% sobre o mês anterior. Os estrangeiros, que em julho detinham uma parcela de 9,54% da dívida, em agosto estavam com 10,06%.
Há um ano, quando a crise já começava a ficar no retrovisor, o estoque em mãos de estrangeiros era de 6,36%. O Tesouro acompanha e divulga a posição dos não residentes na dívida desde 2006, ano em que foi retirada a cobrança de imposto de renda para estimular as aplicações desses investidores em papéis da dívida interna.
Segundo o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, setembro mostra continuação na tendência de aumento da presença estrangeira na dívida interna. A expectativa, disse ele, é de que essa parcela siga com um "crescimento gradual". Garrido afirmou que não há meta para esse indicador, mas destaca que, ao se comparar com outros países, há espaço para a continuidade dessa expansão. No México, a parcela de estrangeiros na dívida interna é superior a 15% e nos países do Leste Europeu, acima de 20%.
Fatores. O aumento da presença estrangeira nos papéis do governo vendidos no mercado interno reflete a combinação de diversos fatores. Um deles é a taxa básica de juros, que está entre as maiores do mundo. Isso é reforçado em um ambiente em que os países centrais operam com taxas próximas ou igual a zero, o que leva a uma grande oferta de dinheiro à procura de rentabilidade maior.
Além disso, o Brasil tem se tornado um dos locais prediletos dos investidores internacionais por conta da perspectiva de crescimento econômico com inflação sob controle e baixo risco de calote do governo.
Fernando Garrido avaliou que, depois que o Brasil obteve o grau de investimento pelas agências de classificação de risco, melhorou o perfil dos investidores que estão aplicando seus recursos na dívida interna brasileira.
Aplicando na dívida brasileira, há fundos de pensão dos Estados Unidos e da Europa, seguradoras, administradoras de fundos, investidores asiáticos, de varejo, fundos soberanos do Oriente Médio e da Ásia.
Garrido disse que as aplicações dos estrangeiros na dívida só trouxeram benefícios para o País, pois contribuíram para a redução do custo do Tesouro e alongamento da dívida. A presença desses investidores aumenta a demanda e contribui para pressionar para baixo a taxa de juros paga pelo Tesouro para quem comprar o papel.
Demanda. Além da maior presença estrangeira, agosto foi marcado pela maior venda de títulos públicos desde julho de 2007. Foram R$ 43,12 bilhões emitidos no mês, sendo a maior parte - R$ 29 bilhões - de prefixados. Segundo Garrido, o fim do ciclo de alta dos juros pelo Banco Central elevou a demanda por prefixados em agosto e também a uma redução nas taxas de juros dos títulos. Por exemplo: a NTN-F com vencimento em 2021, que em 29 de julho foi vendida com taxa de 12,2% ao ano, em 26 de agosto saiu a 11,28% ao ano. "A queda nas taxas se deve à demanda maior e à expectativa do fim de alta da Selic", disse o técnico, explicando que, com o fim do ciclo de alta, a tendência que passa a ser vislumbrada pelo mercado é de queda futura na Selic. Em setembro, com o mercado já mais ajustado com as expectativas em torno da política monetária, a demanda por títulos públicos se reduziu, bem como a oferta desses papéis. A taxa pedida pelo mercado para comprar títulos também aumentou.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O DESMANCHE DA DEMOCRACIA

EDITORIAL - O ESTADO DE S. PAULO - 23/9/2010
A escalada de ataques furiosos do presidente Lula contra a imprensa - três em cinco dias - é mais do que uma tentativa de desqualificar a sequência de revelações das maracutaias da família e respectivas corriolas da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra. É claro que o que move o inventor da sua candidata à sucessão, Dilma Rousseff, é o medo de que a sequência de denúncias - todas elas com foros de verdade, tanto que já provocaram quatro demissões na Pasta, entre elas a da própria Erenice - impeça, na 25.ª hora, a eleição de Dilma no primeiro turno. Isso contará como uma derrota para o seu mentor e poderá redefinir os termos da disputa entre a petista e o tucano José Serra.
Mas as investidas de Lula não são um raio em céu azul. Desde o escândalo do mensalão, em 2005, ele invariavelmente acusa a imprensa de difundir calúnias e infâmias contra ele e a patota toda vez que estampa evidências contundentes de corrupção e baixarias eleitorais no seu governo. A diferença é que, agora, o destampatório representa mais uma etapa da marcha para a desfiguração da instituição sob a sua guarda, com a consequente erosão das bases da ordem democrática. A apropriação deslavada dos recursos de poder do Executivo federal para fins eleitorais, a imersão total de Lula na campanha de sua afilhada e a demonização feroz dos críticos e adversários chegaram a níveis alarmantes.
A candidatura oposicionista relutou em arrostar o presidente em pessoa por seus desmandos, na crença de que isso representaria um suicídio eleitoral - como se, ao poupá-lo, o confronto com Dilma se tornaria menos íngreme. Isso, adensando a atmosfera de impunidade política ao seu redor, apenas animou Lula a fazer mais do mesmo, dando o exemplo para os seguidores. As invectivas contra a imprensa, por exemplo, foram a senha para o PT e os seus confederados, como a CUT, a UNE e o MST, promoverem hoje em São Paulo um "ato contra o golpismo midiático". É como classificam, cinicamente, a divulgação dos casos de negociatas, cobrança e recebimento de propinas no núcleo central do governo.
Sobre isso, nenhuma palavra - a não ser o termo "inventar", usado por Lula no seu mais recente bote contra a liberdade de imprensa que, com o habitual cinismo, ele diz considerar "sagrada". O lulismo promove a execração da mídia porque ela se recusa a tornar-se afônica e, nessa medida, talvez faça diferença nas urnas de 3 de outubro, dada a gravidade dos escândalos expostos. Sintoma da hegemonia do peleguismo nas relações entre o poder e as entidades de representação classista, o lugar escolhido para o esperado pogrom verbal da imprensa foi o Sindicato dos Jornalistas. O seu presidente, José Camargo, se faz de inocente ao dizer que apenas cedeu espaço "para um debate sobre a cobertura dos grandes veículos".
Mas a tal ponto avançou o rolo compressor do liberticídio que diversos setores da sociedade resolveram se unir para dizer "alto lá". Intelectuais, juristas, profissionais liberais, artistas, empresários e líderes comunitários - todos eles figuras de projeção - lançaram ontem em São Paulo um "manifesto em defesa da democracia", que poderá ser o embrião de um movimento da cidadania contra o desmanche da democracia brasileira comandado por um presidente da República que acha que é tudo - até a opinião pública - e que tudo pode.
Um movimento dessa natureza não será correia de transmissão de um partido nem estará atado ao ciclo eleitoral. Trata-se de reconstruir os limites do poder presidencial, escandalosamente transgredidos nos últimos anos, e os controles sobre as ações dos agentes públicos. "É intolerável", afirma o manifesto, "assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais." "É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade." O texto evoca valores políticos que, do alto de sua popularidade, Lula lança ao lixo, como se, dispensado de responder por seus atos, governasse num vácuo ético.

O SUCESSO DO MODELO DA TELEFONIA

EDITORIAL - O GLOBO - 23/9/2010
O número de telefones celulares habilitados deve ultrapassar este ano o da população brasileira. Segundo levantamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em agosto último havia no país 189,4 milhões de telefones móveis, uma proporção (97,96%) de quase um aparelho por habitante.
Como 84% dos brasileiros vivem hoje em áreas urbanas, e mais de 70% em cidades médias e grandes, a telefonia móvel se transformou no principal canal de comunicação de jovens e adultos. Seja por chamadas de voz, mensagens de texto ou acesso à internet, os brasileiros usam hoje o celular tão rotineiramente que não aceitam mais um serviço de qualidade apenas sofrível. A cobertura deve ser a maior possível e a queda do sinal causa irritação ao usuário. Isso seria impensável anos atrás, antes de se adotar um modelo de competição no setor de telecomunicações. As operadoras disputam cliente por cliente, e o resultado é que há participação equilibrada das principais no mercado (a empresa líder detém uma fatia de 30% e a que está em quarto lugar, 20%).
No antigo modelo de monopólio estatal, a telefonia celular era um luxo. E mesmo a telefonia fixa não estava disponível na maior parte do Brasil. Com a privatização, concessionárias e operadoras autorizadas tiveram de cumprir programas de investimento para universalizar o serviço. O avanço tecnológico do setor criou novos desafios, entre os quais o acesso à internet em alta velocidade. A agência reguladora também estuda a possibilidade de as operadoras oferecerem linhas fixas com a cobrança de assinaturas que mesmo famílias de renda muito baixa possam pagar.
Ao transferir para várias empresas a responsabilidade por conduzir os investimentos em telecomunicações, o governo foi liberado para atuar em programas sociais específicos apoiando-se nessa infraestrutura. No fim deste ano, com apoio das operadoras, provavelmente as 70 mil escolas públicas do país terão laboratórios de informática conectados à internet. E a proposta de dotar esse sistema público de um computador por aluno será factível em prazo relativamente curto. O resultado prático de iniciativas como essa tem sido fantástico. A evasão escolar em escolas onde o computador está presente em todas as salas de aula diminuiu para menos de 1%, enquanto nas demais tal índice pode chegar a 26%.
A experiência brasileira no setor de telecomunicações deveria servir de alerta quando o governo tem recaídas estatizantes e monopolistas, como está acontecendo, por exemplo, nas mudanças pretendidas para exploração de futuros campos de petróleo na camada do pré-sal. Ou mesmo com o plano para instalação de banda larga supostamente em municípios do interior.
O mercado certamente não é uma panaceia, capaz de resolver qualquer tipo de problema. Para funcionar bem, como um poderoso instrumento em condições de atender os anseios de consumo da população, o mercado às vezes precisa de regulação do Estado. Esse modelo foi a razão do sucesso das telecomunicações no Brasil. Querer voltar a um passado de ineficiência e mau atendimento à população só se justifica devido ao fundamentalismo ideológico.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Brasileiros se unem contra golpe fascista de Lula para favorecer Dilma Rousseff

22.09.2010 - 3:51am | Seção: Política
Ditadura não
Depois do discurso fascista em que afirmou que alguns setores da imprensa se comportam como partidos políticos, apenas porque exercem a tarefa de vigiar o governo e a ele fazer oposição quando necessário, Luiz Inácio da Silva determinou aos seus comandados a reverberação de sua insana fala. Por conta da tal ordem, os aduladores do messiânico Lula programaram um ato de protesto contra a imprensa para quinta-feira (23), no auditório do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, um braço do Partido dos Trabalhadores.
Para justificar mais um ato de tirania desmedida do governo Lula, o Partido dos Trabalhadores, que anunciou o evento em seu sítio eletrônico, afirma que “na reta final da eleição, a campanha presidencial no Brasil enveredou por um caminho perigoso. Não se discutem mais os reais problemas do Brasil, nem os programas dos candidatos para desenvolver o País e para garantir maior justiça social. Incitada pela velha mídia, o que se nota é uma onda de baixarias, de denúncias sem provas, que insiste na ‘presunção da culpa’, numa afronta à Constituição que fixa a ‘presunção da inocência”.
Para os petistas que arquitetaram o golpe que está sendo consumado lentamente, “os boatos que circulam nas redações e nos bastidores das campanhas são preocupantes e indicam que o jogo sujo vai ganhar ainda mais peso. Conduzida pela velha mídia, que nos últimos anos se transformou em autêntico partido político conservador, essa ofensiva antidemocrática precisa ser barrada. No comando da ofensiva estão grupos de comunicação que - pelo apoio ao golpe de 64 e à ditadura militar - já mostraram seu desapreço pela democracia”.
No início de 2003, quando Lula ainda identificava as entranhas do Palácio do Planalto, o editor do ucho.info alertou os leitores para o perigo de um processo de “cubanização” do País que se iniciava naquele momento. Muitos foram os que, embalados pela euforia da chegada de um operário ao poder, acusaram-nos de irresponsáveis e oportunistas. Não se trata de assumir a porção de profeta do apocalipse, mas a prova dos fatos aí está para ser conferida. Quando Dilma Rousseff, no último sábado (18), fez duras críticas ao jornal “Folha de S. Paulo”, que publicou o que a candidata não teve vontade de ler, estava claro que algo estava sendo armado.


Para contrapor esse ato verdadeiramente golpista, diversos notáveis decidiram lançar nesta quarta-feira (22), durante ato público em São Paulo, manifesto em defesa da democracia, da liberdade de imprensa e de expressão, do regime democrático e dos direitos individuais. Apartidário, o evento, que tem como objetivo “brecar a marcha para o autoritarismo”, acontecerá ao meio-dia desta quarta, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, no centro da capital paulista.
Entre os que assinaram o manifesto em defesa da democracia estão Hélio Bicudo, Dom Paulo Evaristo Arns, Carlos Velloso, René Ariel Dotti, Therezinha de Jesus Zerbini, Celso Lafer, Adilson Dallari, Miguel Reali Jr., Ricardo Dalla, José Carlos Dias, Maílson da Nóbrega, Ferreira Gullar, Carlos Vereza, Zelito Viana, Everardo Maciel, Marco Antonio Villa, Haroldo Costa, Terezinha Sodré, Mauro Mendonça, Rosamaria Murtinho, Marta Grostein, Marcelo Cerqueira, Boris Fausto, José Alvaro Moisés, Leôncio Martins Rodrigues, José A. Gianotti, Lurdes Solla, Gilda Portugal Gouvea, Regina Meyer, Jorge Hilário Gouvea Vieira, Omar Carneiro da Cunha, Rodrigo Paulo de Pádua Lopes, Leonel Kaz, Jacob Kligerman, Ana Maria Tornaghi, Alice Tamborindeguy, Tereza Mascarenhas, Carlos Leal, Maristela Kubitschek, Verônica Nieckele, Cláudio Botelho, Jorge Ramos, Fábio Cuiabano, Luiz Alberto Py, Gabriela Camarão, Romeu Cortes, Maria Amélia de Andrade Pinto, Geraldo Guimarães, Martha Maria Kubitschek, Gilza Maria Villela, Mary Costa, Silvia Maria Melo Franco Cristóvão, Glória de Castro, Risoleta Medrado Cruz, Gracinda Garcez, Josier Vilar, Jussarah Kubitschek, Luiz Eduardo da Costa Carvalho e Tereza Maria de Britto Pereira.
Fonte: UCHO.INFO

Ilusões

23.09.2010 - 3:11am | Seção: Destaque | Roberto Romano da Silva
O mantra repetido por boa parte da mídia nacional, sob comando teleguiado dos marqueteiros a serviço do governo, é que tudo vai bem no país. As instituições democráticas seriam sólidas, a economia iria bem e o povo sentir-se-ia feliz, consumindo como nunca. Alguns propagandistas, sob a pele da ciência política, falam em “racionalidade” econômica da “nova classe média”. Num salto mortal os mesmos profetas proclamam a racionalidade política da mesma “classe”. Tal setor, por harmonia pré-estabelecida aprovaria, de modo voluntário, o atual presidente. E votaria na sua candidata apenas por simpatia ou gratidão. Tudo ocorreria de maneira automática, como se uma premissa levasse a outra. A propaganda nada teria a ver com o assunto, ou pouco seria devido às mágicas de João Santana e demais técnicos da persuasão. Passa batido o fato de que há oito anos o governo faz apenas propaganda, pouco mais. Vai bem a democracia na qual o presidente, em vez de investigar e punir auxiliares, ataca a imprensa que denuncia os crimes cometidos no próprio Palácio do Planalto? “A felicidade é uma gota, de orvalho numa pétala de flor, brilha tranqüila, depois de leve oscila, e cai como uma lágrima de amor”.
Vai bem a economia que na pauta de exportações pode perder US$ 27 bilhões (aproximadamente R$ 48 bilhões) ? Segundo estudo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), com a queda nas vendas ao exterior de produtos industrializados (eles tem maior valor agregado e independem do vaivém das cotações) como é o caso das matérias-primas, ocorre uma diferença entre o que poderia ser exportado até o fim do ano (não fossem o real valorizado, as deficiências estruturais e o custo Brasil) e o que o país embarcou em 2008. Para o mesmo estudo, o valor bastaria para cobrir 56% do déficit em conta corrente previsto pelo mercado para 2010, de US$ 48 bilhões. A queda do saldo comercial é um dos principais motivos para o rombo nas contas externas, deixando o país mais dependente de capitais de curto prazo. A participação dos manufaturados sofre queda progressiva nas exportações brasileiras. Em 2000, bens industrializados eram 58,91% de tudo o que se enviava ao exterior, contra 22,79% de produtos básicos. Em 2010, até junho, os produtos de maior valor agregado foram 40,52% do total, contra 43,38% dos básicos. A última vez que o Brasil exportou mais produtos básicos do que manufaturados foi em 1978. À época, a participação das commodities (matérias-primas, como minério de ferro, soja etc.) na pauta era de 47,2%, contra 40,2% dos manufaturados. (Para as informações iniciais, cf. O Globo, 07/08/2010).
Vai bem uma democracia na qual o projeto que regulamenta o lobby está engavetado no Congresso Nacional, no exato instante em que filhos da ministra chefe da Casa Civil, o posto mais próximo da Presidência, do Congresso e do Judiciário, negociam vantagens em favor de grupos privados? O povo está feliz? Perguntem aos que são assaltados, aos que não têm hospitais nem saneamento básico, aos 65 % de analfabetos funcionais do Brasil, se eles estão mesmo felizes. São felizes ou estão sentindo que devem ser felizes, segundo as manipulações da propaganda governamental? Adrenalina em altas doses é veiculada pelos palácios, como na era Vargas, com o Dipe, e na ditadura com o “Prá frente Brasil”. “A felicidade é uma pluma, que o vento vai levando pelo ar, voa tão leve, mas tem a vida breve, precisa que haja vento sem parar”.
A democracia vai bem se o presidente, que deveria ser o Supremo Magistrado, berra em comícios ser preciso extirpar os que “são do contra”? Só faltaram os chaleiras entoarem o hino dos tempos em que mandava o General Médici: “Eu te amo, meu Brasil, eu te amo…”. E para terminar, “Brasil, ame-o ou deixe-o”. O governo Lula será lembrado pela felicidade opiácea que injetou na população. “A felicidade do pobre parece, a grande ilusão do carnaval. A gente trabalha um ano inteiro, por um momento de sonho, prá fazer a fantasia, de rei ou de pirata ou de marinheira, prá tudo se acabar na quarta-feira”. Boa ressaca, Brasil.
Fonte: UCHO.INFO

Pesquisa eleitoral provoca apreensão no PT e explica oscilação do humor de Lula

23.09.2010 - 2:10am | Seção: Política
Números não mentem
O destempero comportamental de Lula da Silva e os goles extras a que o presidente tem se entregado ultimamente, conforme revelou uma fonte do ucho.info bem instalada no Palácio do Planalto, podem ser explicados pelos números da última pesquisa Datafolha, divulgada na noite de quarta-feira (22). De acordo com o instituto, a petista Dilma Rousseff perdeu dois pontos percentuais e caiu de 51% para 49%. O tucano José Serra, que na pesquisa anterior tinha 27% das intenções de voto, subiu um ponto e agora tem 28%. Presidenciável do Partido Verde, Marina Silva registrou 13%, contra 11% do levantamento anterior.
A preocupação maior do presidente-metalúrgico e do staff de campanha de Dilma explica-se pela vantagem da candidata do PT em relação à soma dos percentuais dos outros candidatos, que caiu de 12% para 7% em apenas uma semana. De acordo com a pesquisa Datafolha, os adversários somam 42% de intenção de voto, contra 49% de Dilma Rousseff. Mesmo com os números atuais, Dilma venceria a eleição ainda no primeiro turno se a eleição fosse hoje.
Como na reta final da campanha a artilharia contra o líder nas pesquisas é normalmente intensificada, o PT palaciano está preocupado com razão. Considerando que Lula da Silva conseguiu a proeza de capitanear o governo mais corrupto da história política brasileira, o medo de que algo aconteça fora do script deve estar muito maior do que imaginam os incautos. Por isso, os brasileiros devem estar preparados para suportar nos próximos dias o messianismo de alguém que é pago pelo povo para ser presidente, mas brinca de ser cabo eleitoral de companheiros e aliados.
Fonte: UCHO.INFO