Páginas

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Você acha que as escolas particulares brasileiras são boas?

Por Gustavo Ioschpe

Eu tive o privilégio de estudar em boas escolas particulares. Só quando fui cursar uma universidade de ponta nos Estados Unidos é que entendi quão deficiente minha escolaridade havia sido.

Meus colegas indianos haviam lido Shakespeare e Dante para a escola. Na minha, lemos Lima Barreto e Adolfo Caminha. Os chineses e os russos tinham uma intimidade com a matemática que lhes permitia visualizar a relação entre equações e as formas espaciais que elas descreviam. Para mim, matemática era só pegar lápis, papel e resolver um problema. Os dados estatísticos mostram que as deficiências da minha escola são compartilhadas por milhões de alunos de todo o país.

No Enem de 2008 (inacreditavelmente, o último ano disponível), as escolas privadas atingiram a média de 56 pontos, em uma escala que vai até 100. Ou seja, mesmo nessas escolas os alunos dominam pouco mais da metade das habilidades que deveriam. Se olhamos para o Pisa, o teste internacional de educação mais respeitado do mundo, que mede o aprendizado de jovens de 15 anos, os problemas são parecidos. O desempenho em leitura dos 25% dos alunos brasileiros mais ricos é inferior ao desempenho do aluno médio dos países desenvolvidos e é também inferior ao dos 25% mais pobres de lugares como Coreia do Sul, Finlândia, Hong Kong e Xangai. Se comparamos o desempenho dos 10% mais ricos do Brasil com o dos 10% mais ricos dos países desenvolvidos, a diferença que nos separa é equivalente a quase um ano de escolaridade. É como se a elite daqueles países estudasse um ano inteiro a mais que a nossa. Esses resultados ficam mais visíveis no ensino médio, mas as dificuldades começam antes. A recente Prova ABC, com crianças de 8 anos, mostrou que já nessa idade 21% dos alunos de escolas privadas não alcançam o desempenho mínimo esperado em português e 26% em matemática.

Como se explica, então, que a maioria dos pais de alunos das escolas privadas esteja satisfeita com a qualidade da escola dos filhos e que não se vejam muitos movimentos pela criação de mais escolas de ponta na rede privada que se equiparem àquelas dos países desenvolvidos? Suspeito que a resposta tenha muito a ver com algo que os alemães magistralmente chamaram de Schadenfreude: a satisfação diante da desgraça alheia. Os pais com filhos em escolas privadas se satisfazem com o fato de a educação pública ser ainda pior. Se no Enem as escolas privadas só chegam a 56 pontos, as públicas não passam de míseros 37. Se na Prova ABC um em cada cinco alunos das escolas privadas não atinge o nível esperado de aprendizado, o que dizer dos alunos da escola pública, em que mais da metade não atinge esse nível em leitura e dois terços em matemática?!

Se você é um típico pai ou mãe de aluno de escola particular, é grande a possibilidade de que ache que já está fazendo tudo o que pode ao trabalhar duro para pagar uma boa escola. O aprendizado, você acha que é obrigação da escola. Cada vez que você lê sobre alguma avaliação educacional, acha que o problema é de quem estuda em escola pública. Ao ver os resultados desses testes e não encontrar a escola de seu filho nas piores posições do ranking, você tem a reconfortante sensação de que seus esforços estão dando resultado, de que, na competição que é o mundo moderno, a educação que você consegue oferecer a seu filho já lhe dá uma grande vantagem.

Tenho más notícias. Primeira: os tempos mudaram, e a arena de competição desta geração não é mais o Brasil, mas o mundo. Se seu filho for despreparado, vai perder o emprego para um indiano, australiano ou chinês. Você talvez sinta pena dos alunos das escolas públicas, mas os chineses e finlandeses sentem pena de você. Segunda: o desempenho superior da escola de seu filho se deve mais a você do que à escola. Naercio Menezes, do Insper, fez uma análise econométrica dos dados do Saeb e nela demonstra que dois terços da diferença de desempenho entre os alunos das escolas públicas e os das particulares são atribuíveis ao nível socioeconômico dos pais. As escolas privadas não são muito melhores do que as públicas. A grande diferença é que atendem um público mais pronto para aprender.

Por que esse déficit de qualidade, mesmo na rede paga? Primeiro, porque o sistema brasileiro de formação de professores é péssimo. A futura professora sai da faculdade despreparada. A escola particular ainda tem uma certa vantagem por poder contratar os melhores, pagar a cada um de acordo com o seu desempenho, demitir os piores e impor métodos e cobranças. Assim consegue uma vantagem, mas não tem como tirar leite de pedra. Em segundo lugar, a escola sofre com a pouca cobrança e participação dos pais. Se os pais desencanam do aprendizado dos filhos, o horizonte de possibilidades da escola é reduzido.

Quais as consequências práticas? Os radicais de esquerda, que praguejam contra a “mercantilização do conhecimento” e pregam a estatização do ensino, devem saber que as escolas privadas representam, sim, um ganho de aprendizagem para seus alunos, ainda que menor do que se imagina. A hipótese de que a rede privada prejudica a rede pública não se confirma. Estudos em diversos países mostram que a concorrência com o sistema privado faz bem às escolas públicas, aumentando sua qualidade e elevando o salário dos professores, mas na maioria dos casos o impacto é pequeno. (Os estudos estão disponíveis em twitter.com/gioschpe.)

Também erram aqueles que acham que a privatização do ensino seria a panaceia. Um estudo sobre o sistema chileno, que privatizou grande parte de sua educação básica, mostra que o caminho preferido das escolas para competir é a seleção dos alunos. Se a escola consegue atrair os melhores, provavelmente será a melhor. Dificilmente o Brasil daria o salto educacional de que precisa apenas com a privatização das escolas: haveria grande concorrência pelos melhores alunos, mas isso não necessariamente melhoraria o nível do ensino como um todo. Sem falar no papel da escola como ambiente socializador e desenvolvedor de uma identidade nacional. Ou seja: o sistema misto e liberal do Brasil está no caminho certo e deve ser protegido dos ideólogos.

No plano micro, quais as lições aos pais? Em primeiro lugar, a de que precisam participar mais da educação dos filhos e se preocupar mais com o aprendizado em termos absolutos e menos com a vantagem da escola deles em relação à escola de seus amigos ou às escolas públicas em seu redor. E, mais importante, os pais precisam saber que não é possível criar uma ilha da fantasia que produz prêmios Nobel em meio a um sistema público esfacelado. Pois é o sistema público que forma os professores de seus filhos. Precisamos pensar como país, encarar o problema de forma sistêmica. Ou resolvemos o problema de todos, ou vamos acabar não resolvendo o de ninguém. No ano que vem haverá eleição municipal. Que tal escolher seu candidato com base no desempenho das escolas que ele já administrou?

Fonte Revista Veja 14/09/2011

moisesalba | Dicas em Pelotas | Táxi 041
Táxi, chame: (53) 8406.1744
Carro com Ar-Condicionado e preços especiais para viagens.

Educação: reprovada

Por Lya Luft

Há quem diga que sou otimista demais. Há quem diga que sou pessimista. Talvez eu tente apenas ser uma pessoa observadora habitante deste planeta, deste país. Uma colunista com temas repetidos, ah, sim, os que me impactam mais, os que me preocupam mais, às vezes os que me encantam particularmente. Uma das grandes preocupações de qualquer ser pensante por aqui é a educação. Fala-se muito, grita-se muito, escreve-se, haja teorias e reclamações. Ação? Muito pouca, que eu perceba. Os males foram-se acumulando de tal jeito que é difícil reorganizar o caos.

Há coisa de trinta anos, eu ainda professora universitária, recebíamos as primeiras levas de alunos saídos de escolas enfraquecidas pelas providências negativas: tiraram um ano de estudo da meninada, tiraram latim, tiraram francês, foram tirando a seriedade, o trabalho: era a moda do “aprender brincando”. Nada de esforço, punição nem pensar, portanto recompensas perderam o sentido. Contaram-me recentemente que em muitas escolas não se deve mais falar em “reprovação, reprovado”, pois isso pode traumatizar o aluno, marcá-lo desfavoravelmente. Então, por que estudar, por que lutar, por que tentar?

De todos os modos facilitamos a vida dos estudantes, deixando-os cada vez mais despreparados para a vida e o mercado de trabalho. Empresas reclamam da dificuldade de encontrar mão de obra qualificada, médicos e advogados quase não sabem escrever, alunos de universidades têm problemas para articular o pensamento, para argumentar, para escrever o que pensam. São, de certa forma, analfabetos. Aliás, o analfabetismo devasta este país. Não é alfabetizado quem sabe assinar o nome, mas quem o sabe assinar embaixo de um texto que leu e entendeu. Portanto, a porcentagem de alfabetizados é incrivelmente baixa.

Agora sai na imprensa um relatório alarmante. Metade das crianças brasileiras na terceira série do elementar não sabe ler nem escrever. Não entende para o que serve a pontuação num texto. Não sabe ler horas e minutos num relógio, não sabe que centímetro é uma medida de comprimento. Quase a metade dos mais adiantados escreve mal, lê mal, quase 60% têm dificuldades graves com números. Grande contingente de jovens chega às universidades sem saber redigir um texto simples, pois não sabem pensar, muito menos expressar-se por escrito. Parafraseando um especialista, estamos produzindo estudantes analfabetos.

Naturalmente, a boa ou razoável escolarização é muito maior em escolas particulares: professores menos mal pagos, instalações melhores, algum livro na biblioteca, crianças mais bem alimentadas e saudáveis – pois o estado não cumpre o seu papel de garantir a todo cidadão (especialmente a criança) a necessária condição de saúde, moradia e alimentação.

Faxinar a miséria, louvável desejo da nossa presidenta, é essencial para nossa dignidade. Faxinar a ignorância – que é uma outra forma de miséria – exigiria que nos orçamentos da União e dos estados a educação, como a saúde, tivesse uma posição privilegiada. Não há dinheiro, dizem. Mas políticos aumentam seus salários de maneira vergonhosa, a coisa pública gasta nem se sabe direito onde, enquanto preparamos gerações de ignorantes, criados sem limites, nada lhes é exigido, devem aprender brincando. Não lhes impuseram a mais elementar disciplina, como se não soubéssemos que escola, família, a vida sobretudo, se constroem em parte de erro e acerto, e esforço. Mas, se não podemos reprovar os alunos, se não temos mesas e cadeiras confortáveis e teto sólido sobre nossa cabeça nas salas de aula, como exigir aplicação, esforço, disciplina e limites, para o natural crescimento de cada um?

Cansei de falas grandiloquentes sobre educação, enquanto não se faz quase nada. Falar já gastou, já cansou, já desiludiu, já perdeu a graça. Precisamos de atos e fatos, orçamentos em que educação e saúde (para poder ir a escola, prestar atenção, estudar, render e crescer) tenham um peso considerável: fora isso, não haverá solução. A educação brasileira continuará, como agora, escandalosamente reprovada.

Fonte: Revista Veja 14/09/2011

moisesalba | Dicas em Pelotas | Táxi 041
Táxi, chame: (53) 8406.1744
Carro com Ar-Condicionado e preços especiais para viagens.

Os desmatadores do Pará são os beneficiários da reforma agrária!

E agora, Marina Silva? Os desmatadores do Pará são os beneficiários da reforma agrária!

A desordem intelectual que toma conta do Brasil não encontra similar, creio, em nenhum lugar do mundo. Talvez a Bolívia de Evo Moraes, o índio de araque que desce o sarrafo nos índios de fato, chegue perto. Mas o Brasil ganha de longe. Quando o assunto é meio ambiente, por exemplo, a gente é obrigado a concluir: o que atrapalha o Brasil são os… brasileiros!

Vamos lá. Dia sim, dia também, há reportagens plantadas na imprensa contra o novo Código Florestal, que está em votação no Senado. Dos sapinhos ameaçados à beira de um córrego em Xiririca do Mato Dentro à desertificação da Amazônia, há escatologias e fim-de-mundismo para todos os gostos. Pois bem. Leiam o que informa O Globo deste domingo. Volto depois.
*
Metade da população rural do Pará vive em áreas de reforma agrária

Por João Sorima Neto:
O Pará já tem uma “metrópole” vivendo em assentamentos. Dos 7,5 milhões de habitantes do estado, cerca de 1,3 milhão mora em áreas que foram destinadas à reforma agrária, segundo dados do Incra. Isso significa que os assentados correspondem a 17% da população total e à metade da população rural do estado. Pelo IBGE, uma cidade é considerada metrópole quando o número de seus habitantes ultrapassa um milhão. É como se toda a população de São Luís ou de Goiânia morasse em assentamentos. No Pará, para piorar, essa “metrópole” se expande e avança sobre áreas da Floresta Amazônica que deveriam ser preservadas. “O número é extremamente preocupante. Hoje, não há fiscalização eficaz em todos esses assentamentos, e muitos são irregulares. O desmate avança sem controle”, diz Paulo Amaral, pesquisador da Oscip Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Os números confirmam a preocupação. Levantamento do Imazon mostrou que, em agosto deste ano, o Pará foi o estado que mais desmatou na Amazônia. Foram 119 quilômetros quadrados de vegetação derrubada no estado, metade da área devastada na Amazônia Legal no período. A derrubada de árvores ocorre também nos assentamentos. No Praialta-Piranheira, em Nova Ipixuna, sudeste do Pará, o Ibama descobriu recentemente 340 hectares de floresta que viraram pasto. Os fiscais do Ibama viram que as 200 famílias assentadas no início do projeto, em 1997, hoje são 400. “O número de famílias aumentou, seja porque muita gente invadiu o assentamento ou adquiriu terra ilegalmente. E a maioria não vive do agroextrativismo, do uso sustentável da floresta, mas da exploração ilegal de madeira e carvão, além da criação de gado”, diz Marco Vidal, coordenador da operação do Ibama em Nova Ipixuna.

Num dos lotes, o “proprietário” derrubou a mata até a margem de um rio para o gado pastar. Não respeitou sequer a área de preservação legal na beira de rios, para evitar assoreamento. A madeira cortada era para fazer carvão. Apesar de ocupar a terra, o agricultor nem morava ali. Ele disse aos fiscais do Ibama que comprou parte do lote de um assentado em agosto de 2010, por R$ 5 mil, em transação não reconhecida pelo Incra. Esse padrão, segundo o Imazon, repete-se em outros assentamentos do Pará: a madeira vira carvão; a floresta, pasto; o assentado arrenda ou vende a terra a madeireiros e agricultores.

Nos últimos três anos, 2,7 mil hectares de floresta viraram pasto no Praialta-Piranheira, segundo levantamento do Ibama de Marabá. Foi numa estrada para esse assentamento que o casal de extrativistas José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo morreu numa emboscada em maio. “Mesmo sendo o único assentamento agroextrativista do sudeste do Pará, o Praialta-Piranheira repete o mesmo padrão de toda a Amazônia paraense. Perde-se floresta para a pecuária”, diz Vidal.

Semana retrasada, no oeste do Pará, servidores do Incra pediram proteção à Polícia Federal. Eles foram ameaçados por madeireiros e grileiros que intimidam agricultores e assentados da região. Nessa área, está o Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança, idealizado pela missionária Dorothy Stang, que foi assassinada. O local é constantemente invadido para retirada ilegal de madeira, e moradores ligados aos madeireiros fazem protestos contra a ação do Ibama. “Esse modelo de assentamentos em terras da União não tem referência de sucesso”, diz Carlos Lamarão, presidente do Instituto de Terras do Pará (Interpa), órgão do governo do estado que também faz doação de terras e já assentou 9.102 famílias no estado.

Estudo do Imazon mostrou que os assentamentos foram responsáveis por pelo menos 15% do desmatamento da Amazônia até 2004. No sul do Pará, onde há atualmente 500 assentamentos, o percentual de devastação da floresta sobe para 50% nesse período. A região, que engloba as cidades de Marabá, São Félix do Xingu, Santana do Araguaia e Tucuruí, tem sido um dos principais eixos de ocupação da Amazônia. A pressão por terras e recursos naturais ali é enorme. O resultado é que novos assentamentos têm sido criados em áreas de floresta nativa, e o desmatamento avança a uma taxa de 3% ao ano, diz o Imazon.

No oeste do estado, a Justiça Federal interditou 99 assentamentos criados pelo Incra, desde 2005, por irregularidades no licenciamento ambiental. Com a decisão, as famílias assentadas não podem receber recursos públicos para legalizar os lotes. Para o juiz Francisco de Assis Garcês Castro, o licenciamento em terras da União deve ser feito pelo Ibama, e não pela Secretaria estadual do Meio Ambiente, como ocorria. Segundo o Ministério Público Federal, que fez a denúncia, a regularização desses assentamentos atende a interesses dos madeireiros: a aprovação de planos de manejo para retirar madeira desses locais é mais simples.

“O Incra está colocando à disposição dos trabalhadores rurais vastas porções de terras da Amazônia e sua cobiçada biodiversidade, sem verificar os efeitos que podem ser gerados no meio ambiente”, escreveu o juiz ao conceder a liminar.

Voltei
Cadê a Marina Silva, que sabe tudo de Amazônia? Como fazer para conciliar a necessidade de assentar as famílias com a preservação da floresta? O que se informa acima é coisa muito séria: enquanto o debate sobre o novo Código Florestal sataniza os ditos “ruralistas”, ficamos sabendo que um dos principais agentes do desmatamento no Pará é o governo e sua política de distribuição de terras.

Como se nota, fazem-se os assentamentos, mas não se tem, depois, qualquer controle. A entrega de um lote é só um primeiro passo para que o beneficiário avance sobre a floresta — não é raro que venda o lote. Não é de hoje que há evidências de uma verdadeira “indústria” da reforma agrária, que se transformou num negócio. O governo e os “progressistas” se negam a debater o assunto porque isso seria coisa de reacionários, entendem? Mas, claro, a população cresce e precisa ser alojada em algum lugar. Se a floresta vira um santuário, como fazer? Talvez toda a população do Acre deva produzir creme anti-rugas com a baba da demagogia ecológica… Marina ensina como fazer.
Por Reinaldo Azevedo

moisesalba | Dicas em Pelotas | Táxi 041
Táxi, chame: (53) 8406.1744
Carro com Ar-Condicionado e preços especiais para viagens.

Ministério aprova contas de municípios que desviam verba da merenda e do transporte escolar

Eis o MEC de Fernando Gugu-Dadá Haddad - Ministério aprova contas de municípios que desviam verba da merenda e do transporte escolar
No Globo (mais (aqui):

Órgão responsável pelo grosso dos repasses do Ministério da Educação (MEC), o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) avaliza contas e autoriza liberação de verbas para municípios que fraudam licitações, não comprovam despesas e aplicam incorretamente dinheiro que deveria financiar a merenda e o transporte escolar. Mesmo quando a Controladoria Geral da União (CGU) aponta as irregularidades, enviando alertas públicos, a autarquia ligada ao MEC dá carimbo de aprovadas a gestões postas sob suspeita ou não se mexe, deixando os casos sem análise. Não existe legislação obrigando o FNDE a suspender os repasses e seguir o que diz um relatório da CGU, mas o órgão do MEC, segundo auditores, deveria rever seus pareceres ao ficar sabendo que há irregularidades. Só no Rio, a CGU encontrou problemas nas contas de 35 cidades entre 2003 e 2009, que em alguns casos provocaram falta de comida para os alunos. O FNDE afiançou ou manteve sem apreciação a documentação de 34 delas. Só em uma (Miguel Pereira) houve diligência para verificar a situação. Em 2008 e 2009, uma das poucas contas aprovadas foi a do transporte escolar de Lagoa do Piauí (PI), cidade de 3,8 mil habitantes. Após um pente-fino, a CGU apurou que a licitação para oito rotas foi forjada. Propostas apresentadas pelas empresas traziam os mesmos erros de português. Os serviços prestados estavam longe de cumprir exigências de resoluções do FNDE. Os alunos eram transportados como carga em caminhões e os ônibus eram guiados por motoristas inabilitados. Somados, os programas de apoio à alimentação (Pnae) e ao transporte escolar (Pnate) - ambos voltados ao ensino básico - transferiram a estados e municípios R$ 15,28 bilhões entre 2005 e setembro de 2011. O primeiro recebeu a maior fatia (R$ 12,79 bi), contra R$ 2,49 bilhões do outro. Apesar das cifras e do elevado índice de irregularidades na educação, é significativo o lapso de tempo entre a transferência do dinheiro e a avaliação, pelo FNDE, da regularidade das contas. Menos de um terço dos relatórios do transporte escolar, referentes aos exercícios de 2008 e 2009, já foi escrutinado; no caso da merenda, 90% esperam análise. Em setembro, a Polícia Federal mandou prender o prefeito da cidade alagoana de Traipu, após desbaratar um esquema que desviou ao menos R$ 8,2 milhões dos cofres da educação, sendo que parte do dinheiro serviria ao transporte. Fraudes que ocorreram entre 2007 e 2010. Se a prestação de contas desse pistas das irregularidades, o FNDE não as farejaria: o último ano analisado foi 2006. (…)

Por Reinaldo Azevedo

moisesalba | Dicas em Pelotas | Táxi 041
Táxi, chame: (53) 8406.1744
Carro com Ar-Condicionado e preços especiais para viagens.

O mundo se curva

J. R. Guzzo
 
Se há uma coisa que o Brasil tem de sobra hoje em dia são os títulos de mais, melhor ou maior do mundo. Temos, segundo o governo não nos deixa esquecer nem por um minuto, o maior programa de distribuição de renda do mundo — ou, pelo menos, é assim que a máquina de propaganda oficial descreve o Bolsa Família. Ela nos garante, também, que nenhum país do mundo é melhor que o Brasil no combate à fome. Os poços de petróleo brasileiros no mar são os mais fundos do mundo, e o Brasil é o país que mais ganhou Copas no futebol mundial. O Amazonas, segundo medições recentemente concluídas, é o maior rio do mundo. Somos os maiores produtores mundiais de uma porção de coisas úteis, e temos, na Amazônia, a maior floresta tropical do mundo. O Brasil tem mais água doce, à vista e debaixo do chão, do que qualquer outro país do planeta. A isso tudo se pode acrescentar, depois dos bem-sucedidos esforços feitos de 2003 para cá, outro primeiro lugar, não muito lembrado: o Brasil é hoje o país mais governável do mundo. Desde que o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiram o governo da República, criou-se por aqui algo chamado “governabilidade”, um sistema de administração da vida pública pelo qual quem está no governo fica 100% a favor dos políticos — ou, mais exatamente, fica a favor de tudo o que interessa ao governo, mesmo quando teriam de ficar contra. O resultado é um país fácil de governar, sem nehum dos inconvenientes que tanto atrapalham a vida das duas partes, políticos e governo, em outros países menos afortunados: oposição que se opõe, obrigação de prestar contas à oponião pública, perda de mandatos, dificuldades para fazer negócios, problemas com o Código Penal e outras chateações desse tipo. Ser “governável” é isso — e nisso o mundo todo, mais uma vez, se curva ante o Brasil. A governabilidade brasileira, na sua encarnação atual, é um legado direto do ex-presidente da República. Ele descobriu bem depressa que a maneira mais eficaz de governar o Brasil sem ser incomodado era juntar-se à massa de políticos que, com uma cara ou outra, se elegem, se reelegem e mandam há décadas na vida pública do país — e que não iriam mudar de conduta só porque Lula foi eleito presidente. Essa gente, até então, sempre foi descrita por ele como uma desgraça nacional, pior que as dez pragas do Egito — ficará registrada para sempre, por exemplo, sua definição do Congresso como um amontoado de “300 picaretas”. Mas, antes mesmo de completar seu primeiro dia na Presidência, Lula já tinha aderido de corpo e alma à massa de escroques que tantas vezes denunciara: melhor viver em paz com eles do que passar seu governo todo trombando com o sistema “que está aí”. Formou-se então a “base aliada”, que até hoje não se desfez mais, e nem parece perto de se desfazer. Do governo ela recebe apoio completo para tudo aquilo que realmente lhe interessa: furtar, receber propinas e comissões, ocupar cargos rentáveis, entre os 25 000 que o governo tem a oferecer na máquina pública, ajudar a vida de empresas de amigos, familiares e financiadores, empregar parentes, canalizar dinheiro público para suas “ONGs” e por aí afora. Em compensação, a “base” dá ao governo as mesmas coisas que recebe dele. Até hoje, salvo um ou outro contratempo, tem funcionado muito bem — quer dizer, muito bem para os interessados. Lula e o PT têm demonstrado uma lealdade impecável aos aliados, principalmente quando são pegos roubando, mesmo nos casos que o crime é filmado; até hoje não falharam nem uma vez. Os aliados retribuem exatamente na mesma moeda. Houve algum ruído, mais recentemente, no bom andando das operações feitas nos dois lados do esquema. Ministros e altos funcionários foram demitidos ou precisaram pedir as contas por envolvimento em episódios de corrupção e, por causa disso, a “base aliada” estaria “insatisfeita”, segundo deram a entender em público diversos dos seus integrantes. Ficou esquisito. Não deveriam eles, na condição de aliados do governo, aplaudir a “faxina” que a presidente Dilma Rousseff estaria fazendo? Ou teriam ficado aborrecidos por serem a favor da roubalheira, mais do que a favor do governo? Aparentemente, tudo não passou de um mal-entendido temporário — pararam as demissões e parou a choradeira. A mola que chia primeiro, como bem se sabe, é sempre a primeira a receber graxa. Foi mais uma importante vitória da governabilidade.

Fonte: Revista Veja 14/09/2011

moisesalba | Dicas em Pelotas | Táxi 041
Táxi, chame: (53) 8406.1744
Carro com Ar-Condicionado e preços especiais para viagens.

domingo, 11 de setembro de 2011

“Colarinhos-Sangrentos” - Bem apropriado, assassinos de mãos limpas!

Os “Colarinhos-Sangrentos”
Existem “serial killers” e existem “mass murderers”.
Assassinos em série e assassinos de massa.
E existem os corruptos que roubam o dinheiro do Estado, chamados “colarinhos-brancos”.
Serial killers são horrendas deformações dessa obra magnífica que é a mente
humana.
Quando descobertos, e presos, julgados, condenados, geralmente sabe-se a extensão de seus crimes, quantas pessoas mataram, como, onde.
Se tudo corre bem, encerram-se suas trajetórias macabras.
Ed Gein, Ted Bundy ou o Maníaco do Parque, Francisco Pereira, são exemplos.
Assassinos de massa são bombas psíquicas que explodem em raiva e loucura e
massacram inocentes – como Anders Breivik, o norueguês fascista, ou os garotos de
Columbine ou Charles Whitman, o atirador da torre de Austin.
Seus efeitos maléficos também são mensuráveis e limitados.
A terceira categoria, os “colarinhos-brancos” são uma espécie de cônjuge infiel
desta cônjuge complacente que é a sociedade.
Essa terceira categoria criminosa arma trampolinagens, falcatruas, mutretas,
golpes. Frauda, burla, desvia, suborna e é subornada. Tudo com dinheiro público.
Quando exposta, os nomes que nela se encaixam borram capas de jornais e sujam
horários nobres de rádio e televisão durante certo tempo.
Depois, brandamente, os mesmos nomes vão se reintegrando à vida nacional.
Seus “feitos” vão sendo esquecidos.
Nem buscam a sombra: voltam à vida nacional pública, alguns são mesmo eleitos ou reeleitos, outros integram ou orbitam órgãos oficiais.
Voltam com ar desafiador ou ar comovente (ou ambos) de injustiçados.
Põem a culpa na imprensa e pedem controle sobre ela.
E a sociedade, cônjuge complacente, perdoa e aceita.
Os “colarinhos-brancos” deveriam ser chamados de “colarinhos-sangrentos”.
O que fazem, sem sujar – literalmente, claro – as mãos, resulta nas mortes de dezenas, centenas, milhares, ou dezenas ou centenas ou milhares de milhares de brasileiros.
São mais que “serial killers” e “mass murderers”.
São genocidas.
Cada centavo que roubam dentro da estrutura do Estado vai resultar na falta do
remédio que dona Fulana esperará e não receberá, lá na ponta, na fila do atendimento
público, a tempo de salvar sua vida.

Fonte: ZH | 04 de setembro de 2011 | N° 16815
PAULO SANT’ANA | CYRO S. MARTINS Fº - INTERINO


moisesalba | Dicas em Pelotas | Táxi 041
Táxi, chame: (53) 8406.1744
Carro com Ar-Condicionado e preços especiais para viagens.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Era Lula, a mais corrupta da história deste País!

Ao apontar desvios nos Transportes, CGU mostra que a era Lula foi a mais corrupta da história nacional
Tiro no pé – Atendendo a pedido da presidente Dilma Vana Rousseff, a Controladoria-Geral da União realizou um pente fino nas contas e contratos do Ministério dos Transportes, depois do escândalo que culminou com a demissão do então ministro Alfredo Nascimento e outras dezenas de servidores ligados à pasta. A CGU encontrou 66 irregularidades, que juntas somam R$ 658 milhões. Essa fortuna foi desviada através de aditivos contratuais acima dos percentuais permitidos por lei e projetos muito aquém das necessidades do Estado. O relatório da CGU traz em seus escaninhos três temas que merecem atenção. O primeiro deles é a necessidade de uma faxina profunda e completa na Esplanada dos Ministérios, algo que Dilma Rousseff desistiu de fazer como forma de manter minimamente intacta a chamada base aliada. Do contrário, a presidente seria obrigada a avançar com a limpeza em pastas comandadas pelo PMDB, maior partido da base de sustentação do governo. Fora isso, a assepsia palaciana acabaria atingindo os ministros Paulo Bernardo da Silva, das Comunicações, e Gleisi Hoffmann, chefe da Casa Civil. O segundo tema a ser considerado é a situação do Partido da República, partido presidido por Alfredo Nascimento e que na partilha de cargos em troca de apoio tinha direito ao Ministério dos Transportes. Depois de o PR anunciar sua saída da base aliada, a presidente Dilma despachou a ministra Ideli Salvatti, da Secretaria de Relações Institucionais, para novamente atrair o PR para a base aliada. E a conversa foi iniciada com ninguém menos que Valdemar Costa Neto, deputado federal pelo PR de São Paulo e considerado como o dono da legenda. O terceiro assunto é o mais complicado na seara do Partido dos Trabalhadores. A gastança criminosa e desnecessária no Ministério dos Transportes não ocorreu em apenas oito meses do governo de Dilma Rousseff. Trata-se de algo que ocorreu durante longos anos e com a conivência do então presidente Luiz Inácio da Silva, protagonista do período mais corrupto da história política nacional. Como ninguém dentro do PT ousa questionar Lula da Silva, a sujeira da corrupção deve ser varrida para debaixo da alcatifa palaciana, como se nada tivesse ocorrido. Assim, Dilma deixará escapar a grande chance de passar para a história, como a responsável para reduzir substancialmente a corrupção no País.

Fonte: UCHO.INFO

moisesalba | Dicas em Pelotas | Táxi 041
Táxi, chame: (53) 8406.1744
Carro com Ar-Condicionado e preços especiais para viagens.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Voto Distrital - Vamos divulgar esta iniciativa!

Como aumentar o peso do seu voto

O voto distrital aproxima o eleitor do seu representante no Congresso, melhora a fiscalização sobre os deputados e diminui a corrupção.

O modelo brasileiro de votação para a Câmara dos Deputados faz duas vítimas a cada pleito: a lógica e o eleitor. A lógica, porque regras obtusas permitem, por exemplo, que votos dados a um candidato sejam usados para eleger outro. O eleitor, porque a ineficiência do processo faz com que, semanas depois de ir às urnas, ele mal se lembre de em quem votou. A fim de corrigir essas distorções, um grupo de empresários e estudantes de São Paulo está propondo a adoção do voto distrital no Brasil. O modelo parte da divisão do país em distritos (no caso do Brasil, 513 – o mesmo número de cadeiras na Câmara), que elegeriam, cada um, o seu representante. Os organizadores do movimento "Eu voto distrital" prepararam uma série de simulações sobre como seria o Brasil sob esse novo modelo. Uma delas revela que, se o sistema já estivesse em vigor em 2010, o partido que mais perderia com ele seria o PT – o que explica o fato de a sigla ser, desde já, inimiga número 1 da proposta. A edição de VEJA que chega às bancas neste sábado traz dez motivos pelos quais essa ideia merece o seu apoio. Entre eles estão o barateamento das campanhas, o fim do efeito Tiririca, o enfraquecimento das oligarquias e a diminuição da corrupção. Se ao final da reportagem você também ficar convencido de que o distrital é a melhor opção para o país, basta clicar aqui para assinar a petição que será enviada aos parlamentares em Brasília, propondo a mudança.

Fonte: Veja

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Dilma Rousseff defende imposto para a saúde e prova que Lula é um adepto incorrigível da mentira

Nariz comprido – Querendo se distanciar da pífia e meteórica faxina na Esplanada dos Ministérios, marcado por escândalos de corrupção e outros quetais, a presidenteDilma Vana Rousseff resolvi soltar a voz e tratar de temas que dominaram a pauta política da semana. Um desses assuntos é o financiamento da saúde pública. Com o Palácio do Planalto aterrorizado diante da possibilidade de o Congresso Nacional aprovar a Emenda 29, Dilma agora discursa favoravelmente à criação de um novo imposto para financiar o setor.

A presidente diz ser contra a recriação da malfadada CPMF, mas explica que nada será feito no setor da saúde sem investimentos. E para tal é preciso buscar uma fonte de financiamento. Em entrevista concedida na quinta-feira (1), Dilma disse que quem afirma que resolve os problemas da saúde sem dinheiro é "demagogo, mente para o povo".

Pois bem, Dilma Rousseff está certa ao fazer tal afirmação, mas o seu antecessor e mentor eleitoral, o messiânico Luiz Inácio da Silva, disse exatamente o contrário. Em meados de 2006, quando se preparava para a campanha pela reeleição, Lula, em mais um de seus discursos proféticos e mentirosos, afirmou, sem medo de errar, que a saúde pública no Brasil estava a um passo da perfeição.

Passados alguns anos daquela fatídica declaração, nada mudou na área da saúde. E se alguma mudança existiu, certamente foi para pior. O governo federal está aparelhado pelos "companheiros" petistas e loteado entre os integrantes da chamada base aliada, o que faz com que o escoadouro de dinheiro público seja crescente e incontrolável. E qualquer mudança na saúde só acontecerá com dinheiro novo ou corte de gastos, algo que o Planalto deixou parar no campo das promessas.

O mais interessante nessa história toda é que Dilma Rousseff, que foi apresentada ao eleitorado como uma garantia de continuidade das conquistas (sic) da era Lula da Silva, conseguiu provar que seu antecessor é uma tremenda ode à mentira, para não dizer que ele é a mitomania ambulante. Fonte: UCHO.INFO

RECADO AOS PORCOS: “NÃO, VOCÊS NÃO PODEM!”

Eles acham que podem tudo. E é nosso dever moral, ético, político, humano, dizer-lhes que não. É nosso dever de pais, de filhos, de professores, de alunos, de trabalhadores, de empresários, de leitores, de jornalistas. É nosso dever! Dos homens e das mulheres livres!

Se militantes políticos, mas cidadãos como quaisquer um de nós, eles podem fazer tudo o que não está proibido em lei — ou arcar com as conseqüências da transgressão. Se funcionários do Estado, podem fazer apenas o que a lei lhes permite. Num caso e noutro, é preciso que lhes coloquemos freios. Não são os donos do poder, mas seus ocupantes. E têm de dançar conforme a música da democracia e do estado de direito. Mas eles estão mal acostumados.

Porque o método da mentira deu certo uma vez, eles repetiram a dose. Porque deu certo outra vez, eles insistiram. Agora estão empenhados em transformar o engodo e a trapaça numa categoria de pensamento, num fundamento, num — e isso é o mais pateticamente ridículo — ato de resistência. Têm de ser relatados. Têm de ser denunciados. Têm de ser combatidos onde quer que se manifestem com seu falso exclusivismo ético, com sua combatividade interesseira; com suas duas morais: a que usam para incensar os crimes de seus pares e a que usam para crimininalizar a decência de homens de bem.

Criminalizaram a Lei de Responsabilidade Fiscal. E ela era boa.
Criminalizaram as privatizações. E elas eram boas.
Criminalizaram o Proer. E ele era bom.
Criminalizaram a abertura do país ao capital estrangeiro. E ela era boa.
Criminalizaram os programas sociais, chamando-os de esmola. E eles eram bons.
Não há uma só virtude que se lhes possa atribuir que não decorra de escolhas feitas antes deles — e que trataram aos tapas e, literalmente, aos pontapés.

Construíram a sua reputação desconstruindo a biografia de pessoas de bem. E acabaram se aliando ao que há de mais nefasto, mais degradante, mais atrasado, mais reacionário, mais vigarista na política brasileira. Poucos são hoje os canalhas da República que não estão abrigados sob o seu guarda-chuva, vivendo o doce conúbio da antiga com a nova corrupção. Se algum canalha restou fora do arco, foi por burrice, não por falta de semelhança. Corromperam, aliás, mais do que as relações entre o público e privado. Promoveram e promovem uma contínua corrupção do caráter.

Perceberam — e há uma vasta literatura política a respeito, que faz o elogio da tirania — que o regime democrático tem falhas, tem fissuras, por onde o mal pode se insinuar e prosperar. Corroem o princípio fundamental da igualdade promovendo leis de reparação destinadas a criar clientela, não cidadãos. E essa doença da democracia já chegou ao Supremo Tribunal Federal. Estimulam movimentos criminosos, ditos sociais, ou com eles condescendem, porque isso alimenta a sua mística dita socialista — se o socialismo era essencialmente criminoso, e eu acho que era, para eles é a virtude possível para esconder seus vícios. São os porcos de George Orwell, de quem parecem simular também o cheiro. Para eles, a única coisa feia é perder. E isso significa, então, que pouco importam os meios que conduzem à vitória.

Tentaram comprar o Congresso com o mensalão.
Tentaram fraudar uma eleição com os aloprados.
Tentaram destruir um adversário produzindo falsos dossiês.

Tentam agora aprovar uma reforma política que é um escárnio à decência, ao bom senso, à inteligência, à racionalidade. E tudo porque não estão aí para aperfeiçoar os instrumentos do estado do direito que tornem cada homem mais livre, mais senhor de si, mas independente do estado. Eles querem precisamente o contrário. É por isso que "ele" já se disse o pai do Brasil e anunciou que elegeria a mãe. Não é o amor filial que os move, mas o vocação para o mando. Querem um país de menores de idade: de miseráveis pidões, de trabalhadores pidões, de empresários pidões… Até de jornalistas — e como os há! — pidões! E eles odeiam os que não precisam pedir, rastejar, implorar. Acostumaram-se com os mascates de elogios, que têm sempre um "bom negócio" para arrancar um dinheirinho dos cofres públicos. Compram consciências e consideram que os que não se vendem só podem ter sido comprados pelos adversários. Esqueceram-se de que são eles a bênção para os que se vendem porque sempre podem pagar mais.


Estão em toda parte! São uma legião! Realizam a partir desta sexta-feira um congresso partidário, que se estende até domingo. Aproveitarão a ocasião para fazer um desagravo a um dos seus, aquele que se tornou notável, aos 14 anos, segundo testemunho do próprio, porque roubava as hóstias da igreja. Que têmpera corajosa já se formava ali! Até hoje, ao comungar, lembro da minha meninice e colo o Santo Pão no céu da boca. Temíamos, os muito jovens, que o corpo de Cristo sangrasse. Ainda não entendíamos a Transubstanciação da Eucaristia, mas já tínhamos idade para saber que não se deve roubar. É um dos Mandamentos da Lei de Deus! E deve ser um dos mandamentos da lei dos homens. Em qualquer idade.

O ladrão de hóstias pretende ser hoje um ladrão de instituições cheio de moral e razão. Mais do que isso: quer dar à sua saga uma dimensão verdadeiramente heróica. Se, antes, pretendeu ser o paladino da liberdade contra a ditadura, numa história superfaturada, apresenta-se hoje como o paladino da ditadura contra a democracia. O herói é um lobista de potentados da economia nacional e global e reivindica o direito de ter como subordinados homens de estado — cuja conduta é regulada por princípios de ética pública —, com os quais pretende despachar num governo clandestino, paralelo, que se exerce em quartos de hotel, numa espécie de lupanar institucional.

E vilã, na boca e na pena daqueles que tentaram comprar o Congresso, fraudar eleições e destruir adversários, é a imprensa livre, que faz o seu trabalho, que vigia a coisa pública, que zela pelos bons costumes da República — aqueles consubstanciados na Constituição. Querem censurar a imprensa. Querem eliminar a oposição. Querem se impor pela violência institucional. Como os porcos! Aqueles passaram a andar sobre duas patas para imitar seus antigos inimigos. Estes não têm qualquer receio de andar de quatro, escoiceando vigarices, para homenagear os amigos.

Mas não passarão!
Não passarão porque a liberdade de imprensa lhes diz: "Não, vocês não podem!"
Não passarão porque as pessoas de bem protestam: "Não, vocês não podem!"
Não passarão porque a decência se escandaliza: "Não, vocês não podem!"

E por isso eles estão bravos e mobilizam seus sicários na rede. Começam a perceber que o movimento ainda é tímido, mas é crescente. A cada dia, surgem evidências de que suas mentiras perdem vigor, de que suas falcatruas perdem encanto, de que seus crimes buscam mesmo é o conforto dos criminosos, não o bem-estar da população.

Não, eles não podem!
Não calarão a imprensa livre!
Não calarão os homens livres!
Não calarão os fatos.

Agora é a eles que me dirijo, que leiam direito e escutem bem:
"NÃO, VOCÊS NÃO PODEM!!!"

Entre outras coisas, não podem porque estamos aqui.
Por Reinaldo Azevedo - 02/09/2011 - às 6:55