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terça-feira, 23 de outubro de 2012

A seguridade social e o suposto déficit previdenciário

FLORIANO JOSÉ MARTINS, VICE-PRESIDENTE EXECUTIVO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE AUDITORES-FISCAIS DA RECEITA FEDERAL(ANFIP) - 23/10/2012

A nova Constituição nascida em 1988 produziu grandes avanços no campo social. Entre eles, o da seguridade social. Seu conceito: “um conjunto de ações destinadas a assegurar direitos relativos à saúde, previdência e assistência social”, com princípios de identificação com a cidadania, uniformidade, equidade e universalidade, e, além disso, orçamento próprio – principal instrumento de efetivação desses direitos, com pluralidade de fontes de financiamento e programações de despesas dos órgãos responsáveis pela prestação dessas funções públicas.

Daí o financiamento dessas ações ser definido como um encargo da sociedade em seu conjunto e os riscos cobertos não como mera contrapartida de contribuição individual, mas como obrigações assumidas pela seguridade pública, enquanto instrumento de política social.

Estudos sobre a análise do orçamento da seguridade social, anualmente divulgados pela Associação Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (ANFIP), revelam que a receita vem superando em todos os anos as despesas, saldos estes que podem ampliar as ações de todo o sistema de seguridade social.

Esses trabalhos sobre a análise do orçamento da seguridade social, anualmente divulgados pela ANFIP, revelam que a receita vem superando em todos os anos as despesas, saldos estes que podem ampliar as ações de todo o sistema de seguridade social. Somente em 2011 foram R$ 77,1 bilhões de superávit (ANFIP, Análise da Seguridade Social 2011 – disponível em www.anfip.org.br).

Mesmo que falemos somente da Previdência Social, um eixo da seguridade, a contribuição da área urbana é superavitária, alcançando a cifra de R$ 41 bilhões em 2011 e R$ 14 bilhões, de janeiro a agosto de 2012.

A análise das ações da seguridade social é muito importante para a compreensão do papel dos principais programas da construção do mercado interno brasileiro na mobilidade social determinada pela redução brutal da miséria e pelo aumento significativo dos setores da classe média.

Recursos da seguridade social são alocados para outros fins, que não se resumem à Desvinculação das Receitas da União (DRU), instrumento que retira de sua receita vultosa quantia que deveria fazer parte de seu orçamento, embora com respaldo constitucional. Some-se a isto as diversas renúncias praticadas, com impacto direto nas receitas, o que ainda vai se agravar em função das recentes desonerações sobre a folha de salários – Leis 12.456 e 12.715 e Medida Provisória 582, todas de 2012. Ainda assim, as ações do sistema de seguridade social contemplam quase a demanda, prestando-se ainda a fazer face ao enfrentamento da crise.

Assim, constata-se que o processo constituinte produziu grandes avanços no campo social. Mas é imprescindível que este processo seja mais transparente, principalmente quanto à segregação dos orçamentos fiscal e da seguridade social, permitindo que a sociedade analise com mais detalhes os fluxos financeiros e de programações de despesas entre estes orçamentos.

Difundir o discurso sobre o déficit previdenciário é fundamental para os que querem legitimar as reformas destinadas a suprimir direitos e a ampliar requisitos para aquisição de benefícios. Para os defensores dos interesses do capital financeiro, é sempre necessário reafirmar que o Estado gasta muito, não com a dívida, é claro, mas com serviços públicos, com servidores ativos e aposentados e com os direitos garantidores da cidadania.

Nesse contexto, a reforma da Previdência tornou-se uma questão recorrente e, portanto, considerada a salvação da pátria para alguns, independentemente dos sacrifícios necessários a determinada classe de trabalhadores, mesmo que seja a parcela do menor poder aquisitivo.

Essa linha discursiva sobre a Previdência Social omite que a Constituição Federal, ao definir o orçamento da seguridade, estabelece uma pluralidade de fontes para arcar com o conjunto dos gastos com saúde, previdência e assistência social.

Os opositores do sistema estatal da seguridade social apontam para a insolvência ou ainda a ineficiência do sistema, questão até agora não comprovada, pois, pelo contrário, sempre houve equilíbrio financeiro no sistema.

E aí entram os argumentos de natureza fiscal. Para estes não há solidariedade e cooperação, princípio que fundamenta a Previdência Social. O motor da sociedade, para eles, é a competição predatória e selvagem entre os cidadãos. Para garantir o interesse do capital financeiro e, ao mesmo tempo, convencer a sociedade a abrir mão do pouco que ainda usufrui, alimentam o discurso de que os serviços públicos prestados ao povo estão fora da realidade, os gastos são excessivos e, por isso, prejudicam o crescimento econômico e o desenvolvimento de todos.

Nada é dito sobre os gastos financeiros, que são tomados enquanto fato natural, como se não resultassem de decisão política e não pudessem ser afastados. Se a nação brasileira anseia por um desenvolvimento social, crescimento econômico e cidadania, mais do que nunca precisa resgatar a seguridade nos termos gravados na Constituição Federal, como conjunto de ações para assegurar os direitos à saúde, à previdência e à assistência social.

Portanto, é necessário que todos tratem a seguridade social, e principalmente a Previdência pública, não como comércio, uma fábrica, um banco, que tem de apresentar lucro e superávit a cada exercício, qualquer que seja o sacrifício imposto aos trabalhadores e contribuintes, mas, sim, como um sistema de política social, solidária e equânime.
Fonte: blogdomax

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Afinal, quem defende os interesses dos aposentados do INSS no Brasil atual?

A grande pergunta que não quer calar: quem defende os direitos dos aposentados?. Ou melhor, que instituições defendem os direitos dos aposentados do INSS?

Os questionamentos são pertinentes porque todas as demandas dos segurados da Previdência Social, sejam no Congresso Nacional ou no Executivo, enfrentam obstáculos quase intransponíveis.

É só verificar a novela quase interminável do Fator Previdenciário. O curioso é que desde o primeiro governo petista, lá atrás, no primeiro mandato do ex-presidente Lula, a grande prioridade sempre foi a base da pirâmide. Aquelas pessoas de baixa renda, os desprotegidos ou despossuídos.

Seriam os aposentados do INSS, com renda superior a um salário mínimo (R$ 622,00), uns privilegiados que poderiam suportar ao longo do tempo um progressivo achatamento de seu poder de compra? Com a palavra os tecnocratas do Governo Federal. Os estudos mais confiáveis falam em perdas desse segmento de aposentados, ao longo dos últimos dez anos, de algo como 75%. É um universo considerável de pessoas, mais de dez milhões de cidadãos e cidadãs entregues à própria sorte.

Aposentado não faz greve. Suas demandas acabaram sendo abraçadas por centrais sindicais, casos da CUT e da Força Sindical, e, também, por uma dezena de parlamentares no Congresso Nacional. Estes, contudo, acabam criticados porque não conseguem e não dispõem de força suficiente para aprovar as reivindicações dos aposentados do INSS. Aprovar uma lei no Brasil, dentro das normas constitucionais vigentes, é um processo doloroso. É para poucos com poder político e articulação dentro dos partidos no Congresso.

Talvez, apenas por hipótese, o melhor defensor dos aposentados seja a Justiça. Por mais lenta que seja, a Justiça brasileira acaba dando respostas corretas às demandas dos aposentados, salvo algumas exceções pontuais.

Então, vamos repetir a pergunta lá de cima, quem defende os aposentados do INSS com salário superior a um mínimo? Objetivamente, quase ninguém.

A razão disso pode estar num fato pouco discutido entre nós nos últimos 15 anos. Quem recebe Bolsa Família e Bolsa Escola, ou qualquer outro benefício social do Governo, dispõe realmente de um forte poder de barganha. Podem decidir uma eleição presidencial. São milhões e milhões debrasileiros, de Norte a Sul do país. É um universo imenso de pessoas tratado a pão de ló pelo poder público.

Os aposentados do INSS – embora sendo mais de 10 milhões de pessoas – não dispõem desse poder de barganha. Afinal, quem ganha acima de R$ 622,00 é rico? De classe média? Não precisa de ajuda ou de justiça social?

Em que modelo você acredita? O Governo e os políticos acreditam piamente que o poder de compra dos aposentados pode sobreviver a qualquer intempérie. Ou melhor, é quase atemporal. Assim, a elite brasileira não resolve ou não tem disposição para desatar os imensos nós que amarram os aposentados. Pouca coisa prática acontece nessa seara ao longo de décadas. É muito falatório e pouca ação.

Infelizmente. 

Carlos Max - 19/10/2012

Fonte -  Blog do MAX.com.br

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sábado, 16 de outubro de 2010

IDEIA DO BOLSA FAMÍLIA FOI DOS TUCANOS

Esquerdistas costumam achar que o mundo começa com o surgimento de seus ídolos de ocasião. Tem nego que jura de pé junto que Marx inventou a dialética, outros acreditam que a política se resume a uma luta entre socialismo versus capitalismo, tem, claro, aqueles que botam fé que qualquer coisa boa acontecida no Brasil se deve a Lula e ao PT, incluindo aí internet banda larga, penicilina e a Playboy da Flávia Alessandra. Estão errados, claro. Mas se prestassem um só tiquinho de atenção ao que suas estrelas falam, não pagariam tanto mico nos botecos da vida, reais e virtuais. Por exemplo, Lula, ele mesmo, Lula sabe que foram os tucanos que inventaram o Bolsa Família, não só os programas anteriores que culminaram nele, mas como também a própria idéia de unificar os programas todos é dos tucanos e Lula, sim, ele mesmo, reconheceu isso como presidente e o fez na frente de uma boa platéia, com registro em vídeo (abaixo). Sim, tempos atrás Lula disse, grosso modo: quero agradecer aos tucanos por terem inventado isso de unificar todos os programas num só. Exato, Lula agradeceu aos tucanos pela invenção do Bolsa Família propriamente dito.
Quem primeiro unificou os vários programas sociais criados pelos tucanos foi o ex-governador Marconi Perillo, tucano do Goiás. Ele já havia feito a coisa em nível estadual e depois sugeriu a Lula fazer o mesmo em nível federal. A coisa se deu nos primeiros dias do reinado petista. Na cerimônia de lançamento do novo cartão unificado, Lula citou explicitamente o nome do então governador. Agradeceu clara e abertamente ao tucano. Simples assim: Lula reconheceu que a idéia não era dele.
Aqui vai o vídeo em que Lula mostrou-se agradecido, reconheceu a boa idéia que o tucanato teve (a fala mais importante está em 1:24):

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Bolsa Familia, em vez de café, agora pastos!

Bolsa, trabalho e a "mulher do Lula"
BREJÕES (BA) - Na primeira vez em que estive neste pequeno município baiano de Brejões, em fevereiro de 2007, os fazendeiros locais reclamavam que não estavam conseguindo trabalhadores em número suficiente para colher a safra de café. Ou melhor, não encontravam trabalhadores dispostos a ter a carteira assinada, uma exigência cada vez maior dada a firme fiscalização que o Ministério do Trabalho vinha empreendendo nas fazendas locais. A razão era simples: muitos temiam ter o registro em carteira e perder o benefício do Bolsa Família. Outros, em idade mais avançada, não queriam ser "fichados" (como se diz no NE) por esperarem se aposentar aos 60 anos (homens) ou 55 (mulheres) pelo regime especial da Previdência Social. O registro os tiraria dessa condição e eles teriam de esperar mais cinco anos para pendurar as chuteiras.
Na semana passada, voltei a Brejões, a 280 km ao sul de Salvador. Desta vez, para constatar algo surreal: muitos dos fazendeiros que antes lidavam com a falta de mão de obra desistiram do café e estão transformando suas fazendas em pastos.
Em vez de precisarem de até 200 pessoas por safra, podem administrar grandes quantidades de cabeças de gado com menos de dez peões.
Fazendas enormes que tinham até 1 milhão de "covas" (pés) de café estão passando por isso. O que se vê na região hoje são trabalhadores cortando pés de café secos que são vendidos como lenha para um curtume local.
Próximo dali, a trabalhadora rural Juceli de Jesus Alves, 47, trabalhava ilegal em uma fazenda e estava com medo de ser "fichada" e perder os R$ 134,00 que ganha do Bolsa Família (ela tem 9 filhos, sendo 2 ainda pequenos).Na semana passada, Raimundo Moreira de Souza, 56, fazia exatamente isso, empilhando lenha de pés de café em seu caminhão. Raimundo nunca teve a carteira assinada e não a quer, pois espera se aposentar daqui a quatro anos.
Não seria justo culpar apenas os benefícios dados pelo governo federal (como o Bolsa Família e as aposentadorias especiais) pelo o que ocorre em Brejões e em outros locais do país. Há outros problemas, como o preço do café estacionado e a falta de financiamento rural.
Mas é certo que os benefícios sociais, neste caso, têm causado uma distorção tremenda no meio rural.
André diz precisar todos os anos de cerca de 200 trabalhadores rurais registrados. Tem conseguido no máximo 70. Isso faz com que não consiga colher todo o café que planta na hora certa. Cerca de 40% do produto acaba caindo no chão, de onde é recolhido, mais tarde, pelos trabalhadores.Caso do fazendeiro André Araújo, de uma das maiores fazendas de Brejões, a Campo Grande:
Se tivesse o número certo de funcionários, poderia colher no pé quase 90% da safra. Isso faz uma diferença enorme, pois o café catado do chão (chamado "riado") perde muito da qualidade e é vendido a R$ 200,00 a saca. O colhido no pé valeria R$ 290,00.


Fernando Canzian, 42 anos, é repórter especial da Folha. Foi secretário de Redação, editor de Brasil e do Painel e correspondente em Washington e Nova York. Ganhou um Prêmio Esso em 2006 e é autor do livro "Desastre Global - Um ano na pior crise desde 1929". Escreve às segundas-feiras na Folha Online. E-mail: fernando.canzian@grupofolha.com.br
Fonte: "FOLHAONLINE"

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Marchinha do Bolsa-Família

Marchinha do Bolsa-Família, do brasiliense Vasco Vasconcelos, cantada pelo pernambucano Almir Rouche no 31º baile do bloco Siri na Lata.
 

Link para o mp3 clique "aqui", fonte: "Polibio Braga".

http://www.moisesalba.com/
http://dicasempelotas.blogspot.com/
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