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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O milagre da multiplicação dos descontentes deixou grogue o recordista de pesquisa

07/10/2010 às 19:46 - Direto ao Ponto
Ainda atônito com o milagre da multiplicação dos descontentes, que transformou os 4% das pesquisas fabricadas em 54% dos votos válidos, o presidente Lula decidiu que, para avançar no segundo turno, o palanque de Dilma Rousseff precisa voltar a 2006. “Temos que tirar o foco do aborto e discutir a questão das privatizações”, ordenou o Mestre a seus devotos. A ideia só confirmou que um campeão nocauteado não deve tomar a iniciativa quando ainda está grogue. Antes que alvejasse José Serra com as invencionices forjadas há quatro anos para confundir o eleitorado e derrotar Geraldo Alckmin, foi devolvido à lona pela ofensiva da oposição.
Com o ânimo combatente que faltou no primeiro turno, Serra elogiou Fernando Henrique Cardoso, defendeu enfaticamente a abertura das telecomunicações e registrou que Lula, que teve oito anos para estatizar o que não deveria ter sido privatizado, leiloou dois bancos. Ao lado de Serra, o senador Aécio Neves deu o tom do segundo turno, como registra com o brilho habitual o colunista Ricardo Setti. Numa frase, resumiu o que Dilma ouvirá nos debates do segundo turno caso obedeça à ordem do chefe: “Se eles condenam as privatizações, estão dizendo a cada cidadão brasileiro que pegue o celular e jogue na lata de lixo mais próxima”, avisou Aécio.
“Temos que mostrar que existem dois projetos, e que um deles representa o passado”, disse Lula para justificar a retomada da lengalenga de 2006. As mudanças ocorridas no governo de Fernando Henrique Cardoso, como atestam os números reproduzidos na seção Feira Livre, tornaram o Brasil bem mais moderno. O que lembra o tempo das cavernas é o país das estatais corrompidas, ineptas e aparelhadas que Lula preside. Nos últimos oito anos, a privatização foi substituída pelo arrendamento. Os Correios, por exemplo, estão arrendados ao PMDB. O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal passaram ao controle do PT. A Eletrobrás foi anexada à capitania hereditária explorada pela Famiglia Sarney.
As declarações de Serra e Aécio confirmam que os líderes do PSDB finalmente ajustaram o discurso à partitura composta por milhões de oposicionistas que enfrentam sem hesitações a Era da Mediocridade. Nos duelos com Dilma, Serra tem o dever de atacar primeiro. Em vez de esperar que a adversária lhe atribua a ideia de privatizar a Petrobras, por exemplo, o candidato tucano deve exigir que ela explique o arrendamento da empresa petroleira a um condomínio liderado pelo PT.
Em seguida, é só perguntar a Dilma se é verdade que pretende estatizar a telefonia. Se a Doutora em Nada disser que não, estará endossando as mudanças implantadas no governo de FHC. Se disser que sim, será condenada ao naufrágio nas urnas.
Fonte: Veja - Coluna do Augusto Nunes

Defensoria move ação contra redução de pensões do INSS

RIO - A Defensoria Pública da União vai entrar na Justiça com ação coletiva contra a decisão do INSS de reduzir as pensões por morte que ultrapassam o teto previdenciário de R$ 3.467,40. Mês passado, o Ministério da Previdência começou a enviar correspondências a algumas pessoas que recebem valores acima dessa quantia, informando que o benefício seria reduzido e haveria cobrança retroativa a cinco anos. A Defensoria entende que, por se tratar de "uma pensão de natureza alimentar e recebida de boa-fé", ela não pode ser diminuída. O órgão abriu procedimento administrativo nesta quinta-feira para apurar o assunto e prevê ajuizar a ação na próxima semana.
Nas correspondências, o INSS também informa que a cobrança referente a cinco anos atrás será feita por meio de débito automático, limitado a 30% do vencimento recebido por mês, e que os pensionistas terão dez dias para apresentação de defesa após os comunicados. Na ação, a Defensoria também pedirá que os valores recebidos não sejam devolvidos e que a cobrança automática seja interrompida. Na avaliação do órgão, qualquer questionamento do INSS quanto aos valores recebidos pelos pensionistas deveria ser feito por meio de ação individual, de modo que o titular do benefício pudesse se defender.
- A pensão por morte existe para assegurar que cônjuges da pessoa que morreu ou filhos com até 21 anos não fiquem desprovidos de itens básicos que eram garantidos pelo orçamento familiar. A redução do benefício causa um abalo na renda familiar, ainda que quem o receba trabalhe e tenha renda própria - diz o defensor público André Ordacgy, titular do Ofício de Direitos Humanos e Tutela Coletiva da Defensoria Pública da União, que entrará com a ação.
De acordo com o defensor, seguindo a jurisprudência, verbas de natureza alimentar não podem ser cortadas ou devolvidas por quem as recebe, caso tenham sido recebidas de boa-fé e as pensões por morte se enquadram nessa categoria.
Federação: a maioria está na faixa de 80 anos
Segundo Ieda das Dores Gaspar, presidente Federação das Associações dos Aposentados e Pensionistas do Estado do Rio de Janeiro (Faaperj) , a instituição tem recebido cerca de 50 ligações por dia de pensionistas preocupadas com os descontos nas suas pensões:
- A maioria não se enquadra entre os que correm o risco de redução do benefício. Mesmo assim, já temos mais de cem pessoas agendadas com a nossa advogada. A agenda está lotada até novembro. As pessoas estão muito assustadas com essa possibilidade de redução. Entre quem nos procurou, a maioria está na faixa de 80 anos.
A assessoria da Previdência não quis comentar a possível ação da Defensoria. Segundo a assessoria, os pensionistas notificados têm, além dos dez dias para apresentar provas, nova possibilidade de recorrer da primeira decisão. Só então, se for negado novamente, diz, começam os descontos. No entanto, o beneficiário que tiver decisão judicial a respeito da sua pensão por morte - como liminar, tutela antecipada e mandado de segurança - não terá vencimento reduzido e o INSS terá de resolver a questão na Justiça.
Os interessados na ação coletiva devem procurar a Defensoria na Rua da Alfândega 70, Centro, das 8h30m às 17h30m, telefone 2460-5130 (entre 12h30m e 17h). A Faaperj atende pelo telefone (21) 2507-2455.
Fonte: OGLOBO.COM

terça-feira, 5 de outubro de 2010

‘Que Causa justifica uma destruição tão radical do amor-próprio?’ - Ethan Edwards

Domingos Dutra, Manoel da Conceição, Patrus Ananias, Fernando Pimentel, Ciro Gomes, Dilma Rousseff, Aloizio Mercadante… – pais de família, velhos militantes, cidadãos que deveriam merecer alguma consideração pelos serviços prestados à Causa, são tratados pelo Chefe a pontapés e não ousam proferir uma palavra, já nem digo de revolta, mas de descontentamento. Baixam a cerviz, oferecem-na para novos golpes, ansiosos para serem humilhados uma vez mais. Ah, doce privilégio: ser escolhido antes de qualquer outro para ser chicoteado pelo Chefe. E que Chefe!
Que Causa justifica uma destruição tão radical do amor-próprio? Que ideologia exige de um professor universitário, alguém que passou vinte anos ou mais atrás dos livros, prostrar-se aos pés de um analfabeto e oferecer-lhe servidão incondicional?
As relações entre Lula e os políticos petistas deveriam nos ensinar algo. O problema mais grave do lulopetismo não está no modelo político (antidemocrático) que deseja implantar. Está no tipo de cidadão que almeja fabricar. Um país de servos. Um país de sombras. Um país de homens desfibrados cuja alma pertence ao Chefe. E essa é uma ditadura da qual um povo nunca mais se liberta.

Aécio pede mudança de tom para apoiar Serra

Christiane Samarco - ENVIADA ESPECIAL - BELO HORIZONTE - O Estado de S.Paulo
Embalado pela conquista de um lugar no segundo turno, o presidenciável tucano José Serra desembarcou ontem no segundo maior colégio eleitoral do Brasil para virar tributário do sucesso que o PSDB desfruta em Minas Gerais. Uma operação política recebida com uma contraproposta pelo tucanato mineiro: o compromisso de lançar o senador eleito Aécio Neves ao Planalto em 2014 e acabar com o fator previdenciário no cálculo das aposentadorias do INSS, instituído no governo FHC.
O que era, portanto, para ser apenas uma visita de pêsames ao recém-eleito senador, que acabara de perder o pai e ex-deputado Aécio Cunha, teve outra serventia e abriu espaço aos tucanos para falar do segundo turno da disputa presidencial e apresentar a conta política de Minas Gerais para virar o jogo favorável à adversária petista Dilma Rousseff.
Assim, além de preservar o projeto de poder de Minas, com Aécio Neves candidato à Presidência em 2014, o tucanato local quer que Serra mude a campanha e adote o figurino e o discurso de candidato da oposição. E mais: pedem ousadia na apresentação de propostas para mudar a vida do eleitor, a começar pelo fim do fator previdenciário.
Foi neste clima que o deputado estadual Domingos Sávio (PSDB-MG), no embalo das urnas que na véspera o promoveram a deputado federal, tomou o braço de Serra pela mão e desceu as escadas da Assembleia Legislativa de Minas, onde ocorria o velório de Aécio Cunha, e cochichou sua proposta: "O senhor tem de ir para a televisão e anunciar o fim do fator previdenciário. Se o senhor acabar com isto, antes que o PT o faça, a gente ganha a eleição".
Serra não disse nem que sim, nem que não. Ouviu com a atenção devida ao interlocutor que, sete meses atrás, arriscara uma campanha para que Aécio aceitasse ser seu vice na corrida sucessória, como forma de facilitar a vitória do PSDB sobre o PT de Lula e sua candidata.
O fator previdenciário é um sistema de desestímulo à aposentadoria precoce, uma vez que o INSS paga uma pensão maior ao aposentado que adiar a decisão de se aposentar. Nos primeiros dez anos de vigência, o método gerou economia para os cofres públicos calculada em R$ 10 bilhões. Caso seja extinto, a despesa deverá voltar a crescer.
Erro. Atento às abordagens, o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), aconselhava Serra a não repetir o erro que ele cometera em 2006, quando demorou para reiniciar a campanha do segundo turno contra o presidente Lula e acabou derrotado. "Aqueles dez dias que eu fiquei sem programa de televisão, desmobilizaram a campanha. Quanto mais rápido começar o horário eleitoral, melhor. Como o Brasil é muito grande, é preciso um mutirão, incorporando todo mundo", sugeriu.
O deputado estadual Carlos Mosconi (PSDB) acredita que um acordo simples político para preservar o projeto Aécio 2014 pode virar uma "onda maluca" a favor de Serra em Minas. "A força política do Aécio coloca o fim da reeleição na pauta", completa o segundo suplente do ex-governador no Senado, Tilden Santiago (PSB), que votou em Marina Silva (PV) no primeiro turno. "Se o Aécio me pedir para votar no Serra neste segundo turno, não terei como negar, mas é hora de o PSDB paulista se redimir e acabar com a reeleição", adverte Tilden.
Um tucano experiente adverte que Aécio pode fazer a diferença em Minas, mas com uma condição: "É preciso que haja uma tendência nacional favorável. E o clima positivo de virada prosseguirá, mas só o Serra pode dar início a isso, mostrando algo diferente. O que tem de haver é um discurso novo para o segundo turno".
"Precisamos passar a falar para os eleitores que nós não conseguimos atingir e que a Marina atingiu de maneira muito especial. Isto é fundamental", sugere o secretário-geral do PSDB e deputado federal mais votado de Minas Gerais, Rodrigo de Castro.
Para o presidente da Associação Mineira de Municípios e prefeito tucano de Conselheiro Lafaiete, José Milton Rocha, se quiser conquistar os mineiros neste segundo turno, Serra terá de encontrar um outro "mote de campanha, com apelo popular". Ele entende que será preciso, também, mudar "radicalmente" a postura e se assumir como candidato de oposição. "Para ganhar os prefeitos, ele vai ter de bater no que o PT tem de pior, que é a corrupção, com um discurso mais forte e mais firme", propõe. / COLABOROU EDUARDO KATTAH

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS E TOLERÂNCIA

3/10/2010 - EDITORIAL - EDITORIAL - O GLOBO - 3/10/2010
A sexta eleição presidencial direta consecutiva, com escolha de governadores e renovação de casas legislativas federais e estaduais, merece ser comemorada como uma reafirmação da opção da sociedade pela democracia representativa.
O país completa o período de um quarto de século, sem interrupções, dentro dos marcos de um regime republicano. Sequer a votação do impeachment de um presidente, Collor, foi capaz de produzir algum curto-circuito grave.
Lula encerrará em 90 dias oito anos de uma experiência, também histórica, durante a qual uma eclética aliança política liderada pela esquerda governou o país sem maiores sustos.
Também devido a este ecletismo, o regime democrático e suas instituições foram testados na Era Lula, e demonstraram solidez. Grupos de esquerda autoritária abrigados nesta aliança não deixaram de trabalhar em prol da tutela da sociedade pelo Estado. Suas impressões digitais na campanha eleitoral foram percebidas quando Dilma Rousseff encaminhou à Justiça, como programa de governo, algumas propostas destiladas nesses laboratório do autoritarismo. Em boa hora, a candidata recolheu o documento.
A campanha do primeiro turno foi pautada pela atuação de um presidente decidido a eleger sua candidata mesmo contra a legislação eleitoral. Mais uma vez, os pesos e contrapesos da democracia atuaram. Houve admoestações e multas, pela insistência com que Lula confundiu o papel de chefe de governo com o de líder partidário e cabo eleitoral.
Ávido em fazer o sucessor, Lula se arvorou em “dono” da opinião pública e confundiu notícia com os agentes dela, quando foi conivente com o desengavetamento da exótica acusação contra a imprensa profissional de “golpismo”, artifício dissimulador já acionado no mensalão e no caso dos aloprados. Uma imprensa partidária e/ou dependente de verbas oficiais encontra motivos — embora deploráveis — para não divulgar certas informações.
Mas o jornalismo independente, cuja razão de ser é a credibilidade, jamais fingirá que inexistem malfeitorias em Brasília ou em qualquer outro lugar, mesmo contra os interesses dos poderosos de ocasião.
Numa campanha em que regras rígidas estabelecidas pelos candidatos aos debates na TV impediram, mais uma vez, o aprofundamento da discussão de temas estratégicos, os marqueteiros continuaram a ocupar grande e indesejado espaço. Espera-se que um dia haja uma eleição no Brasil em que candidatos possam esgrimir argumentos como nas campanhas americanas, se mostrem por inteiro. Por tudo, as liberdades de expressão e imprensa estiveram no centro da campanha do primeiro turno.
Com acerto, Dilma Rousseff, na condição de quem sofreu violência desmedida de um estado ditatorial, perfilou-se entre os defensores das liberdades. Não podia ser diferente. Também aqui as instituições mostraram a necessária força, quando o Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo à arguição da Abert (associação de emissoras de TV e rádio), tirou a mordaça do humorismo e do jornalismo político na mídia eletrônica em época de campanha. Entre as tendências detectadas pelas pesquisas, prevê-se, nas eleições proporcionais, a a formação, no Congresso, de uma sólida bancada lulopetista e de aliados. Ponto importante a observar, confirmado o cenário, é o que fará esta bancada: se testará limites constitucionais, senha para a deflagração de tensões desnecessárias, ou não. O encolhimento da mancha tucana no mapa político nacional, por sua vez, coloca na agenda do PSDB, mesmo se Serra vier a ser presidente, a crise de identidade do partido: resgata no passado o projeto modernizante exitoso de FH ou insiste na linha de ser uma força paralela ao petismo, apenas com uma suposta competência técnica mais apurada? Fecha a radiografia das urnas, tudo indica, a boa notícia do avanço da agenda verde de Marina Silva, tema do futuro mas que precisa ser debatido já. Haja o que houver na disputa entre Dilma, Serra e Marina, o país que sai do primeiro turno demonstra que nada justifica buscar a hegemonia política a qualquer preço. Quando isto ocorre, os anticorpos da democracia reagem. Neste sentido, a campanha reafirmou a imperiosa necessidade da tolerância e convivência entre contrários, como nos últimos 25 anos.
A necessária convivência pacífica entre contrários
Fonte: PPS

domingo, 3 de outubro de 2010

DANUZA LEÃO Na torcida

ARQUIVO DE ARTIGOS ETC - Domingo, Outubro 03, 2010 - FOLHA DE SÃO PAULO - 03/10/10
Gostaria que houvesse uma urna paralela para se votar nos cinco candidatos em quem jamais se votaria
COMO EU ADORO eleição, estou torcendo para que haja um segundo turno. Se isso acontecer, vamos poder saber mais das propostas dos candidatos, conhecê-los um pouco melhor, com debates mais verdadeiros, de preferência dois candidatos sem tempo marcado para perguntas e respostas.
Alguém, não me lembro mais quem, prometeu abrir 6.000 creches; e quem vai sair contando, por esse país tão grande? Se tanto faz, por que não prometer 60 mil, 6 milhões, já que ninguém vai mesmo cobrar?
A vida de Marina e Serra nós conhecemos bem; a de Dilma é meio misteriosa. Sabemos que ela lutou contra a ditadura, foi presa e torturada, era do PDT, trocou pelo PT, teve dois maridos; e quase mais nada, pois a candidata não dá entrevistas.
O eleitorado só ficou sabendo que ela tinha uma filha dias antes dessa filha ter um bebê; há cerca de um mês se soube, pela Folha -até então ninguém sabia-, que tinha sido sócia de uma lojinha de bugigangas (que faliu) em Foz do Iguaçu, e até hoje não está claro se ela planejava as ações ou empunhava metralhadora, quando lutava contra a ditadura.
Lembro que há alguns anos a imprensa -sempre ela- descobriu que um candidato a candidato à Presidência, nos EUA, tinha uma empregada mexicana ou asiática, que havia entrado irregularmente no país. Os jornais estamparam, e ele deixou a vida pública.
Qualquer americano sabe da vida do presidente Obama, da dos seus pais e dos seus avós. É um direito do eleitor saber em quem está votando.
O que faz com que se escolha um candidato, e não o outro, é seu passado, sua coerência, a capacidade de escolher para sua equipe as pessoas mais competentes e de mais confiança; como os cavalos de corrida, seu retrospecto. E sobretudo, acreditar nele.
Esta noite, alguns vão dormir felizes, outros com dor de cotovelo, outros, talvez, com alívio pela campanha ter acabado, e há também os que vão beber muito -por qualquer dessas razões.
Para os outros cargos além da Presidência, são tantos os candidatos, a maioria totalmente desconhecida, que a tendência é votar em alguém de cujo nome já se ouviu falar, mesmo que só de quatro em quatro anos, o que, aliás, é perigosíssimo.
Mas alguns são tão absurdos que eu gostaria que houvesse uma lista paralela, com uma urna paralela, para se votar nos cinco candidatos em quem jamais se votaria. Eu adoraria isso.
Você aí, que não precisa votar, porque passou dos 70, deixe de preguiça. Não precisa usar gravata, basta um jeans e uma camiseta; pegue o título de eleitor e a identidade (com foto) e não perca esse privilégio, que é escolher quem vai governar seu país. Nosso país.
Desta vez vai demorar, deve ter fila, mas sempre vale a pena. Quando chegar em casa, é ligar a televisão, se preparar para dormir tarde -a apuração só vai terminar lá pela meia-noite- e torcer, torcer muito.
Por um segundo turno, é claro.
PS - E como a vida continua, perigo à vista: uma determinada fábrica de tintas que está colorindo o Rio de Janeiro com as piores cores, como se fosse uma cidade cenográfica, anuncia pela TV que seu próximo destino é Ouro Preto. Socorro, autoridades. Isso é muito grave.

‘Reconquistemos o que restou da República e continuemos o debate’

01/10/2010 às 15:37 \ Direto ao Ponto
Ethan Edwards: ‘Reconquistemos o que restou da República e continuemos o debate’
Milicianos fazem o que o chefe ordena. O rebanho companheiro segue o Grande Pastor. Os brasileiros do país que presta pensam e discutem. O debate que vem sendo travado aqui na coluna, e é ampliado com mais um texto do nosso Ethan Edwards, reafirma que sem independência intelectual não haverá salvação. Confiram:
É muito desagradável ficar lembrando “eu escrevi isso”, “eu avisei sobre aquilo”, como a pedir que, no debate, minhas opiniões tenham mais peso que as dos demais. Argumentos de autoridade não tornam claro o que está obscuro. Mas… eu já escrevi aqui mesmo sobre isso: que Serra não diria o que desejávamos que dissesse, mas apenas o que as circunstâncias políticas (inclusive sua história pessoal) lhe permitissem. As razões? Serra não é o líder filosófico, moral e político de que os brasileiros cansados do lulopetismo precisam. Serra é apenas o candidato possível, capaz de encarnar alguns valores republicanos que prezamos, nestas eleições que, se dependessem do lulopetismo, nem seriam realizadas.
A renovação moral e filosófica do país – se um dia acontecer… – é outra coisa. Como não depende do TSE (muito pelo contrário), provavelmente não ocorrerá numa data do calendário eleitoral. Terá seu próprio ritmo, escolherá seus próprios acontecimentos e virá pelas mãos de homens que, ao meus olhos, pelo menos, não se encontram no cenário político atual.
As eleições não são uma cruzada pela nossa renovação moral e filosófica. Os candidatos não devem ocupar o lugar de heróis, nem se deve exigir deles uma coragem especial para dizer aquilo que o povo não pôde dizer durante os últimos oito ou vinte anos. Se for assim, alguma coisa está errada – e não é com os candidatos. Uma eleição presidencial é (ou deveria ser) apenas um acontecimento de natureza político-administrativa, previsto pela sabedoria do legislador republicano, que nos permitirá experimentar, nos próximos quatro anos, soluções ainda não testadas para os problemas da nossa vida em comum neste espaço nacional. Adaptando livremente Karl Popper (Os Paradoxos da Soberania), nosso objetivo, nesta eleição e noutras, deveria ser apenas escolher o candidato que, tendo nas mãos, pelos próximos quatro anos, o formidável poder do Estado, com ele causará menos danos ao povo.
Sei que estou sendo excessivamente desapaixonado e “acadêmico”. Afinal, estamos à beira de um abismo e isso não são horas para filosofices. Lamento. Mas a verdade é que, se hoje temos de esperar de Serra a salvação contra o lulopetismo, deixamos o abismo chegar muito perto. Esse tipo de ilusão é um sintoma da gravidade da nossa crise espiritual e política. Serra pode, sim, como um socialdemocrata íntegro, suprimir algumas das práticas mais nefastas do lulopetismo, promover uma moderada desratização da máquina governamental, revitalizar as agências reguladoras, sanear o BNDES, resgatar um pouco a confiabilidade da Receita e da Polícia Federal, etc. Talvez nem consiga tanto. Mas, nas circunstâncias, é só o que podemos almejar. Metade disso já será um excelente programa para nossa quase destruída República. Aliás, só impedir que o lulopetismo continue destruindo a República já será um magnífico programa.
Desconfio que Serra não conseguiria chegar ao patamar eleitoral que ocupa hoje se tivesse optado por denunciar o lulopetismo, tão entranhado na alma do jornalismo brasileiro e dos nossos “formadores de opinião”. Não tenho como provar isso. Meus críticos não tem como provar o contrário. Votemos em Serra, então, reconquistemos o que restou da República e continuemos o debate. Viva a democracia!
PS: Não me referi a Marina. Desculpem. Falha nossa. Não entendo nada desse negócio de genéricos.

A farsa desmontada em 35 segundos

02/10/2010 às 15:35 \ Direto ao Ponto
“A senhora é socialista?”, pergunta o repórter a Dilma Rousseff. “Sou”, confessa a entrevistada que aprendeu ainda na adolescência nos anos 60 que, no Brasil, “socialista” é o esconderijo vernacular em que se enfurna todo comunista. Em seguida, o jornalista quer saber se Dilma faz restrições à legislação sobre o aborto. Então, adoçando a segunda confissão com eufemismos como “descriminalização”, a chefe da Casa Civil revela que é a favor do aborto.
Se Dilma mantivesse o que disse há pouco mais de três anos na sabatina na Folha, a primeira resposta apenas atestaria que a candidata de Lula continua estacionada na metade do século passado. Como a ditadura militar acabou há muito tempo, ela pode defender sem sobressaltos a ditadura do proletariado. Também está liberada para permanecer distante da religião e discordar das concepções do Vaticano sobre a interrupção da gravidez. O que transforma o vídeo em prova do crime é a comparação entre o que disse e o que anda dizendo nesta temporada de caça ao voto.
Com duas respostas, a Dilma de verdade implode a metamorfose malandra forjada para transformar em democrata desde criancinha uma autoritária juramentada -- e apresentar como católica praticante alguém que nunca recitou a segunda parte do Salve Rainha. Os 35 segundos valem por uma biografia, 10 reportagens, 500 comícios. Dilma Rousseff mente até quando diz bom-dia. Se for vitoriosa na eleição, o Brasil não terá escolhido uma presidente. Terá optado pelo salto no escuro.

Fonte: Augusto Nunes

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Manifesto em Defesa da Democracia

Manifesto em Defesa da Democracia
 
mensagem, de 30.09.2010

Caros amigos,
Já são mais de 64 mil assinaturas, em uma semana, em defesa da Democracia e da liberdade de expressão, contra os abusos e a corrupção. É fundamental ampliar as assinaturas em favor deste movimento e atuar para a realização do segundo turno, votando em candidatos comprometidos estes valores e contra a corrupção desenfreada e desavergonhada, que todo dia dá maus exemplos à sociedade e aos nossos jovens, desviando recursos de hospitais, escolas, segurança, melhores estradas e mais empregos.

O segundo turno é fundamental para que compromissos claros sejam assumidos pelos candidatos a presidência da Republica e que o país não tenha duvida de quem é melhor e mais preparado para cuidar da sua condução e do seu futuro.
Veja no site -
em defesa da democracia - depoimentos importantes de Helio Bicudo, José Gregori e Bruno Daniel (do seu exílio na França, irmão do ex prefeito do PT, Celso Daniel, assassinado).
Divulgue a seus amigos.
 
 
Movimento em Defesa da Democracia e da liberdade de expressão, contra a corrupção e a intimidação.
  
 buzz2feed - moisesalba

 O socialismo é a filosofia do fracasso, a crença na ignorância, a pregação da inveja. Seu defeito inerente é a distribuição igualitária da miséria. Churchill
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Manifesto em Defesa da Democracia manifestoemdefesadademocracia@gmail.com
Data: 1 de outubro de 2010 16:44
Assunto: 64 mil assinaturas - video Bruno Daniel, Helio Bicudo e Jose Gregori
Para:
moisesalba@gmail.com

VISÃO PORTUGUESA DO LULA - POEMA