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terça-feira, 22 de junho de 2010

Carisma? Que carisma?


PROF.ª AILEDA DE MATTOS OLIVEIRA
Não consigo ver o tal carisma neste senhor Lula, destituído de qualquer traço de civilidade, já que lhe faltam valores essenciais. Por esta razão, seu governo é dionisíaco, de carnavalização total. Tenho lido muitas referências ao carisma de Lula e, agregado a este dom cósmico, o tal índice de aprovação de seu 'governo'. Talvez, a minha repugnância por esta ínfima criatura não me permita enxergar nada além de uma esperteza vulpina a substituir a sua ignorância asinina. Pelo que sei desta palavra, além do seu sentido estrito de 'dom de inspiração divina', o seu sentido amplo e figurado indica alguém 'que tem fascínio pessoal e que influencia outras pessoas'. Não consta nos anais de seus oito anos de rapina dos tributos saídos do bolso do contribuinte, que o senhor presidente haja conquistado alguém sem o auxílio do dinheiro público, portanto, o fascínio não reside no doador, mas nas cédulas facilitadoras da arregimentação política, em todos os níveis. Constato, então, que o carisma do homem não é real, porém, conquistado graças aos reais que saem da cornucópia republicana direto para as contas bancárias dos beneficiários, para as mãos sujas dos tiranos latinos, para as bolsas dos indolentes de nível um, para as bolsas dos indolentes de nível dois, estas últimas como indenizações de perseguidos pelas suas próprias sombras devido aos crimes que cometeram. Como sou perquiridora, não consigo ver as coisas no seu todo sem antes analisar as partes que o compõem, e se as partes nada valem (ausência de caráter, de moral, de ética, etc.) o todo, formado por estas partes ausentes, por uma questão de lógica, recebe o mesmo julgamento. Por esta razão, não consigo ver o tal carisma neste senhor Lula, destituído de qualquer traço de civilidade, já que lhe faltam os valores essenciais citados. Por esta razão, seu governo é dionisíaco, de carnavalização total. Concluo, então, que a palavra 'carisma', tenha definhado e sofrido a perda de seu conteúdo, sobrados apenas a pele de suas vogais e os ossos de suas consoantes por obra da desvalorização semântica do termo, numa conspurcação gramatical de caráter ideológico, a fim de ajustar ao desmoralizado indivíduo algum qualificativo, já que nada lhe sobressai de positivo. Como estes oito anos de estagnação equivalem a outros tantos de distorção, de desvirtuamento das normas, inclusive a do bem-falar, foi a tal palavra sucateada no seu significado, ficando a casca, o rótulo, a fazer crer que o peregrino do espaço, o estadista de "araque", o "cara" que mete a cara em tudo o que não lhe diz respeito, o demagogo dos demagogos, tem a envolvê-lo a aura divina. Como é impossível admitir a existência de atributos demiúrgicos num indivíduo pernicioso, atesto que o homem é, na verdade, um grande debochado, um grande mentiroso, um grande cínico, um grande mentecapto. É a este conglomerado de mercenarismo, de incompetência e de iniquidade que se dá o nome de carisma?

Vivemos o tempo dos “insultos revolucionários”

"O povo pensa que dossiê é um doce"
 Não me esqueço de um ataque de riso, muitos anos atrás, quando ouvi a autocrítica de um alto dirigente do PC da China, durante a Revolução Cultural. Quem foi? Lin Piao? Não me lembro. A "autocrítica" era um dos velhos hábitos comunas, uma espécie de confissão católico-vermelha, só que aos berros diante das massas. E o dirigente se criticou: "Eu sou um cão imperialista, eu sou o verme dos arrozais da China, eu sou a vergonha do comandante Mao...". Queria de volta as autocríticas do tempo de Mao. Queria ver o Marco Aurélio Garcia, por exemplo, bater no peito se confessando: "Eu sou a praga do cerrado, eu sou um bolchevista fingindo de democrata. Acabei com o prestígio de Lula lá fora, beijando o Ahmadinejad, isolei o Brasil e provavelmente perderemos mais de US$ 3 bilhões em benefícios que os Estados Unidos nos davam para exportações, além da sobretaxa do etanol, que será mantida!". Depois que conseguiram entrar no Estado, através do Lula, os velhos esquerdistas perderam a aura mística, a beleza romântica que tinham na clandestinidade que os santificava. Eu conheci muitos heróis, sonhando realmente com a revolução, mesmo que utópica, mas honestos, sacrificando-se, morrendo. O comunista romântico não vemos mais. Hoje, eles não se consideram eleitos por uma democracia, mas guerreiros políticos que "tomaram" o poder. Vemos isso nos milhares de insultos no Twitter, e-mails e bloguinhos que espoucam na internet. Recebo centenas, como outros jornalistas. São apavorantes os bilhetes na web: ofensas e ameaças. Não há uma luta por ideais, mas uma resistência carregada de ódio e medo daqueles que podem, eventualmente, tirar seus privilégios: os "canalhas neoliberais"...  Esses quadrilheiros usurparam os melhores conceitos da verdadeira esquerda, que pensa o Brasil no mundo atual, uma esquerda reformada pelas crises internas e externas, que se conscientizou dos erros da agenda clássica. Eles injuriam e difamam o melhor pensamento de uma esquerda contemporânea, em nome de uma "verdade" deformada que teimam em manter. Esse crime abstrato muitos intelectuais e artistas não veem, por temor ou ignorância. Falam de um lugar que seria da "esquerda", mas que é o lugar de baixos interesses pelegos, de boquinhas a defender - uma versão de socialismo decaída em populismo. Se dizem de esquerda, mas são de direita, para usar seus termos. Não só pilharam bilhões de reais de aparelhos do Estado, em chantagens com empresários, em fundos de pensão, em contratos falsos, mas roubaram também nossos mais generosos sentimentos. E não é só a mentira que é vergonhosa. É a arrogância com que mentem ao se apropriarem do controle da inflação e de todas as reformas que o governo anterior lhes deixou, que eles chamam de "herança maldita". Não há mais "autocrítica". Hoje temos o desmentido. O "desmentido" é o arrependimento do "se colar, colou". Quando uma ação revolucionária dá "chabu", basta desmentir e ainda dizer que foi tudo invenção da vítima. Assim foi o caso Celso Daniel, o caso dos "aloprados" de São Paulo, das cuecas, tudo. "Nunca antes" um partido tomou o poder no Brasil e montou um esquema assim, um plano secreto de "desapropriação" do Estado, para fundar um "outro Estado" ou para ficar 20 anos no poder. E agora, no caso do "dossiê" contra o PSDB e Serra, mentem tranquilos: é a "mentira revolucionária". Lembro-me de Lula rindo do dossiê dos "aloprados", dizendo: "Deixa pra lá... o povo nem entende o que é dossiê... pensa que é doce de batata... de abóbora...". Como não têm um programa moderno para o Brasil, a não ser o imaginário sarapatel de ideologias que vão de um leninismo mal lido, passando por um getulismo tardio, uma recauchutagem de JK fora de época, eles escondem sua incompetência se dedicando à parte "espiritual" da velha ideologia: controle, fiscalização, tutela, espionagem e censura. Agora, estamos assistindo ao início da "porrada revolucionária", com os "militantes" atacando os "inimigos" do povo. É o zelo dos peões, dos pés de poeira, que se acham os guerreiros de uma missão bélica para impedir que os burgueses do PSDB ganhem as eleições (se aliam a Sarney e Collor e dizem que Serra e FHC, que passaram mais de uma década no exílio, são "fascistas neoliberais"... Pode?). Os brutamontes da militância se acham imbuídos de uma missão sagrada: "Eu taquei um pé nos cornos daquele tucano filho de uma égua, esfreguei a cara dele no chão até ele gritar ‘Viva a Dilma!’ É isso que é golpe de esquerda, não é, companheiro?" Outro feito dos bolchevo-pelegos no poder é a desmoralização do escândalo. As verdades e delitos aparecem, mas, por negaças, recursos políticos e protelações, o escândalo definha, entra em agonia e morre. Quantos já houve? Stalin apagava das fotos os membros do partido que ele expurgava; portanto, nunca existiram. Tudo é absolvido pela "mentira revolucionária", porque ela vem por uma "boa causa". Quase todos esses cacoetes derivam de um sentimento: "Somos superiores". Quando eu era estudante, um dirigente do PC dizia sempre: "Não estamos com a doutrina certa? Então... é só aplicá-la". Essa "certeza superior" é encontradiça em homens-bomba, em bispos vermelhos. O autoritarismo e a truculência não são privilégio de fascistas. A única revolução no Brasil seria o enxugamento de um Estado que come a nação, com gastos crescentes e que só tem para investir 1,5% do PIB. A única revolução seria administrativa, apontada para a educação e para as reformas institucionais, já que, graças a Deus, a macroeconomia herdada foi mantida e a economia mundial se dirige aos países emergentes. O Brasil está pronto para decolar, se modernizar, e essa gente quer segurar o avião em nome de interesses de um patrimonialismo de Estado e de um socialismo morto que, em seu delírio, acham que virá. Como recomendou Stédile a seus "sem-terra": "Tenham filhos; eles vão conhecer o socialismo...".
ARNALDO JABOR - Colunista - a.j.producao@uol.com.br - Publicado em: 22/06/2010
  Fonte: OTEMPO

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A dama de vermelho


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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Presidente Lula pode tudo?

Presidente pode tudo?
Autor(es): Agencia o Globo/ Raphael Carneiro da Rocha Filho -  O Globo - 18/06/2010
O presidente da República pode tudo? Como primeiro mandatário da nação, decerto que ele pode muita coisa mesmo — mas não tudo. E por que não? Porque o presidente, como servidor público que é, só pode fazer aquilo que as leis (expressão da vontade do povo, por seus representantes eleitos) dizem que ele pode. Este imperativo decorre do princípio constitucional da legalidade, que determina que o agente público, seja ele qual for, se subordine, no exercício de suas funções, aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum. Isto é próprio dos estados democráticos de direito, como o Brasil. É por isso que o povo exige, na Constituição que adotou, que o presidente eleito, ao tomar posse, preste o compromisso de manter, defender e cumprir o Contrato Social e observar as leis da República. Tomamos esta sábia exigência da tradição democrática americana. Mas a que vem tudo isto? Vem a propósito de dois atos recentes e mal pensados do presidente, a saber: o mau acordo nuclear celebrado com o Irã (que não cuidou de evitar que Teerã continue a enriquecer urânio com fins militares) e o dissonante e desastroso voto, no Conselho de Segurança, em favor da liberdade atômica dos aiatolás. Salvo o presidente Lula e seu assessor especial de política externa, Marco Aurélio Garcia, ninguém de boa-fé duvida das reais intenções do Irã atual. É geral, nas democracias ocidentais, a crença de que os fanáticos religiosos que lideram aquele país buscam, a passos decididos e ousados, dispor de armas nucleares de destruição em massa. Daí a preventiva resolução do Conselho de Segurança — que contou, inclusive, dentre os votos a favor das salvaguardas, com os de Rússia e China, aliados tradicionais do Irã. Choca, pois, o agir do presidente, já que, como bem anotou o colunista Merval Pereira, “apoiar o Irã, uma ditadura teocrática completamente fora das leis internacionais e do respeito aos direitos humanos, é um absurdo. Não é possível aceitar que o presidente, qualquer que seja ele, possa usar o país para aventuras pessoais” (O GLOBO, 10/06). Pois bem. A nossa Constituição expressa (art.4º) que, nas suas relações internacionais, o Brasil rege-se pelos princípios (VII) do repúdio ao terrorismo (que é patrocinado, como é notório, pelos aiatolás radicais); (VI) da defesa da paz (seriamente ameaçada pelo projeto iraniano de expansão militar, centrado na conquista de armas nucleares); e (VII) da solução pacífica dos conflitos (que o voto do Brasil contrariou, ao repudiar a solução pacífica e preventiva encontrada, na ONU, pela comunidade internacional). Ora, estes são princípios fundamentais da República, que têm eficácia jurídica, o que importa na sua aplicabilidade imediata e direta, vale dizer, eles obrigam o agente público/político. Portanto, ao praticar tais atos em favor de uma ditadura religiosa radical, belicista, que almeja o confronto nuclear, repudiando injustificavelmente a resolução preventiva adotada pelo concerto das nações, o presidente agiu objetivamente contra a Constituição que jurou cumprir e defender, traindo, assim, a vontade do povo brasileiro nela encerrada. Em que pese o seu desapreço pelas leis — revelado pela sua quinta condenação pela Alta Corte Eleitoral — o presidente, que as pesquisas indicam gozar da estima da ampla maioria da população, precisa ter mais cuidado com os superiores interesses, fora do comércio, cuja séria gestão lhe foi delegada nas urnas — até porque os atos desastrosos que presidiu comprometeram a dignidade da Nação (bem indisponível), já agora objeto de escárnio em sedes diversas, como tem sido amplamente noticiado, para humilhação dos brasileiros. Do contrário, estará se expondo, em tese, à gravíssima responsabilização capitulada no art. 85 da Carta Magna, cuja efetivação poderia significar, no limite, a sua destituição, por patrocínio infiel, do nobre mandato que lhe foi outorgado. Com efeito, em 1787, já alertava o grande Alexander Hamilton, um dos pais fundadores da América, em obra que é patrimônio da humanidade, que “não há posição fundada em princípios mais claros que aquela de que todo ato de um poder delegado que contrarie o mandato sob o qual é exercido é nulo. Portanto, nenhum ato legislativo (ou executivo) contrário à Constituição pode ser válido. Negar isto seria afirmar que o delegado é maior que o outorgante; que o servidor está acima do senhor; que os representantes do povo são superiores ao próprio povo; que homens que atuam em virtude de poderes a eles confiados podem fazer não só o que estes autorizam, mas o que proíbem”.


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Lula aproveitou estabilidade e boom mundial e chinês, mas não avançou efetivamente nas questões essenciais para o futuro

Lula = FHC + China
Autor(es): Agencia o Globo/Carlos Alberto Sardenberg O Globo - 17/06/2010
Foi a cara do governo Lula. O presidente manteve o fator previdenciário, uma reforma estrutural da administração FHC, e concedeu um aumento real mais generoso para as aposentadorias, gastando por conta da elevada arrecadação atual, mas comprometendo os futuros orçamentos públicos. Acrescente aí o bônus internacional — o extraordinário crescimento da economia mundial e, muito especialmente, da China — e se terá a explicação para o sucesso do governo Lula e de vários outros espalhados pelo mundo emergente. A “equação” do título acima se justifica assim: todos os países emergentes que tinham alimentos e commodities para exportar e, internamente, apresentavam bases macroeconômicas estáveis, cresceram de modo vigoroso no período de 2003 a 2008. E todos se recuperam bem da crise financeira.O Brasil pegou a onda, mas não esteve na frente. Naqueles seis anos, o mundo emergente cresceu, na média, 7,18% ao ano. O Brasil, 4,2%. Dizem alguns: mas a média dos emergentes é puxada para cima pelos asiáticos em geral e pela China, em especial, que não podem ser imitados. Fiquemos então com América Latina e Caribe, na classificação do Fundo Monetário Internacional: pois a região cresceu mais que o Brasil, 4,76% ao ano, também segundo os dados do FMI.Dirão: mas o governo Lula turbinou o crescimento do país, que vinha de médias muito baixas. Verdade, para o Brasil e para os outros. A média dos emergentes nos anos 90 havia sido de 3,8%. Como o Brasil, essa parte do mundo sofria com crises internacionais e o andamento das reformas que construíam a base econômica. Depois, todos aceleraram juntos.O Brasil conseguiu também elevar for temente suas exportações, que trouxeram os dólares com os quais o Banco Central fortaleceu as reservas — o seguro que permitiu passar bem pela crise. Para Lula: foi o resultado de sua diplomacia.Pois aconteceu a mesma coisa com os bons emergentes.A exportação desses países dobrou em volume de 2002 a 2008. Além disso, os preços das commodities também dobraram, em termos reais, nesse período. Todos aumentaram exponencialmente suas vendas para a China.O BC brasileiro começou a comprar reservas em 2003. Também os colegas.Quando terminou o ano de 2002, os emergentes acumulavam reservas internacionais de US$ 1 trilhão. Seis anos depois, detinham US$ 5 trilhões. Eis por que esses países suportaram a crise e agora se recuperam mais depressa.O conjunto explica também a alta popularidade de presidentes como Michelle Bachelet, do Chile, ou Alvaro Uribe, da Colômbia.E de Lula, que, entretanto, foi considerado “o cara” por uma razão bem objetiva: o Brasil, com PIB se aproximando dos US$ 2 trilhões, fica entre os dez maiores do mundo.Mas, se o governo Lula aproveitou bem as circunstâncias, falhou em preparar o futuro. Um dado é crucial: não houve avanço significativo no volume de investimentos, que constroem a capacidade de crescimento.Muitos países emergentes fizeram a lição. Conforme dados do FMI, no período 1996/2003, esses países investiram 24,9% do PIB, na média anual. Já na era dourada de 2004/08, esses investimentos saltaram para 28,5% ao ano, um ganho de 3,5 pontos percentuais. Em 2008, foram de 29,9%.O Brasil registrou média de 16,3% do PIB entre 1998 e 2003, subindo para apenas 16,9% no bom período 2004/08. O volume mais alto foi o de 2008, de 18,7%. Resumindo: se seguisse a média dos emergentes, o Brasil teria investido a mais a impressionante cifra de R$ 300 bilhões.É inequívoco, consumimos mais do que poupamos e produzimos. A começar pelo governo. O presidente Lula aproveitou o bom momento da economia e os consequentes ganhos de arrecadação para aumentar fortemente os gastos públicos não investimentos.Pessoal, por exemplo: entre 2002 e 2009, o número de funcionários ativos do governo federal aumentou em mais de 60 mil. Nas estatais federais, o aumento foi de nada menos que 100 mil.Terá se elevado na mesma proporção a eficiência do serviço público oferecido? Nossos alunos estão aprendendo mais? E, mais importante, o governo Lula está ampliando o buraco previdenciário.Aprovou, no primeiro mandato, uma reforma da previdência do setor público, mas não a implementou.E a política de aumento real do salário mínimo, herdada do governo anterior e turbinada, se distribui renda entre uma parte da população, gera um passivo previdenciário para o qual não há previsão de cobertura.Resumo da ópera: o governo Lula se aproveitou da estabilidade e do boom mundial e chinês, mas não avançou efetivamente em nenhuma das questões essenciais para o futuro, a saber, educação, infra-estrutura, carga tributária (que aumentou) e estrutura e eficiência do gasto público

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Por coerência, Lula podia abrir mão de sua aposentadoria especial.

Já que vetou o Fim do Fator Previdenciário, por coerência, Lula podia abrir mão de sua aposentadoria especial que conseguiu aos 42 anos de idade e 22 anos de contribuição, recebendo bem mais que o teto de R$ 3.416,54 e com isenção de IR. Eu gostaria muito de me aposentar com meus 48 anos e 30 de contribuição sendo que 18 anos sobre condições insalubres que equivalem a mais sete anos ao total, mas para isto perderei mais de 50%, isto mesmo, mais de 50 % da media de minhas contribuições de 1994 para cá. Vergonha, só isto que posso dizer. Para alguns, vantagens, para outros, obrigação de manter este sistema que privilegia quem legisla em detrimento da maioria que não tem noção de quanto esta sendo enganada.

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segunda-feira, 14 de junho de 2010

“O PT é um perigo para o país e para a democracia”

Neste ano temos eleição presidencial. Você está animado? Ah, vai ser uma batalha. Os dois candidatos estão empatados. Espero que o Serra ganhe. Será um absurdo se o Lula, que empurrou a Dilma garganta adentro do PT, vá empurrar agora garganta adentro do país só pela vontade exclusiva dele. Acho que nem a Dilma é a favor disso. Mas o governo Lula não teve nenhum mérito? Não é que não teve nenhum mérito. O principal problema do Lula é ele não reconhecer o que ele deve aos governos anteriores. Tudo dele é “Nunca na história deste país...”. Ele se faz dono de tudo o que ele combateu. Por que o Brasil passou pela crise da maneira que passou? Porque havia o Proer (programa de auxílio ao sistema financeiro). Mas o PT foi para a rua condenar o Proer dizendo que o governo FHC estava dando dinheiro para banqueiro. E a Lei de Responsabilidade Fiscal? O PT entrou no STF contra a lei. Ainda está lá o processo do PT para acabar com a Lei de Responsabilidade Fiscal. O PT era contra o superávit primário,era contra tudo. Quer dizer, tudo o que eles estão adotando e que se constitui a infraestrutura da política econômica eles combateram. Agora o cara não reconhece isso: ele diz que fez tudo. O Lula é, de fato, uma pessoa desonesta. Um demagogo. E isso é perigoso. Está arrastando o país para posições que são realmente inacreditáveis. O cara se tornar aliado do Ahmadinejad, o presidente de um país que tem a coragem de dizer que não houve o Holocausto? Ele está desqualificando mundialmente porque está negando um fato real que não agrada a ele. Então não pode. O Brasil vai se ligar a um cara desse? É um oportunismo e uma megalomania fora de propósito. É um desastre para o país. Eu espero que a Dilma perca a eleição. Não tenho nada contra ela, mas contra o que isso significa. O PT é um perigo para o país. O aparelhamento do Estado, o domínio dos fundos de pensão... Um sistema de poder que vai ameaçar a própria democracia. As pessoas têm que tomar consciência.
Por: Ferreira Gullar  Publicado em: 08/06/2010
Fonte: O TEMPO
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Mary Anastasia O’Grady sobre Lula

14 de junho de 2010 12h38 Sílvio Guedes Crespo
A polêmica jornalista Mary Anastasia O’Grady, membro do Conselho Editorial do Wall Street journal, publica nesta segunda-feira um artigo com fortes críticas do governo brasileiro, utilizando termos como “cãozinho de Terceiro Mundo” e “política externa lunática”.
A autora, a mesma que em abril escreveu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não fez nada no poder, dá o título de “A dança de Lula com os déspotas” ao seu artigo sobre a tentativa do presidente brasileiro de mediar um acordo com o Irã a respeito do projeto nuclear do país persa.
“O Brasil pode estar ganhando respeito no front monetário e econômico, mas quando se volta para a liderança geopolítica, o senhor Da Silva trabalha o tempo todo para preservar a imagem do País como um cãozinho de Terceiro Mundo ressentido”, afirma O’Grady. O termo ”cãozinho”, no contexto do artigo, pode ser traduzido como um “nanico pretensioso demais” e se refere à posição do Brasil contra os Estados Unidos em algumas disputas externas, como o voto contrário às sanções sobre o Irã.
Para a autora, o presidente brasileiro é vazio ao defender diálogo com o Ira e dizer que as sanções causarão mais sofrimento ao povo do Irã, porque, segundo ela, “as sanções são diretas, não aos civis, mas às ambições nucleares do Irã”. “Quanto ao ‘diálogo’”, diz O’Grady, “deveria ser óbvio hoje que o que o presidente iraniano precisa é de um pouco menos de conversa”.
O’Grady diz que o PT é um partido “acentuadamente à esquerda”, mas afirma que “ninguém deve confundir Lula com um bolchevique”. “Ele é meramente um político esperto que emergiu a partir das ruas e adora o poder e limusines”, afirma.
“Uma revisão dos seus dois mandatos revela uma tendência de defender déspotas e dissidentes da democracia”, diz a autora, citando como exemplo o apoio ao Venezuelano Hugo Chávez, o cubano Fidel Castro e as Farcs (Forças Armandas Revolucionárias da Colômbia).
Ela também critica o fato de o Brasil ter apoiado o ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya, “apesar de ele ter sido removido pelo governo civil por violar a Constituição”.
A autora encerra o artigo com uma citação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que está longe de ficar claro se os brasileiros aprovam a “mudança de lado” da política brasileira.
Artigo ‘A dança de Lula com déspostas’ traz foto do presidente com Ahmadinejad

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PT de Dilma optou por esconder os gastos da campanha. Vergonha!



Por: Ricardo Galhardo, enviado a Brasília 13/06/2010 12:16
Enquanto a pré-candidata Dilma Rousseff defende a reforma política e o financiamento público de campanhas como formas de dar mais transparência ao processo eleitoral, o PT optou por esconder os gastos. O partido se recusa a informar o montante gasto na convenção que vai oficializar a candidatura de Dilma. A resposta padrão, que segundo dirigentes será adotada em toda a campanha, é que os valores serão informados apenas à Justiça Eleitoral. Abordado pelo iG sobre o custo da convenção, o tesoureiro do partido, João Vaccari, respondeu irritado: “não sei”. Vaccari é alvo de inquérito e de uma CPI da Assembleia Legistativa de São Paulo por suspeita de desvio de recursos da Bacoop, a cooperativa habitacional do Sindicato dos Bancários de São Paulo, da qual é dirigente.Questionado sobre a suposta falta de transparência, Vaccari disse: “para você pode ser falta de transparência. Pode chamar como quiser. Mas tudo será declarado à Justiça Eleitoral”. Segundo ele, a decisão de esconder os gastos é uma estratégia de campanha. “Cada partido tem a sua estratégia. A nossa é não divulgar”, disse o tesoureiro petista. Segundo dirigentes do partido a estratégia foi proposta pelo próprio Vaccari à direção partidária, que acatou o pedido. Embora não faça parte oficialmente da campanha de Dilma, Vaccari será o responsável por administrar milhões de reais em recursos das chamadas “doações ocultas”, pelas quais doadores optam por entregar o dinheiro ao partido que, depois, repassa os recursos aos candidatos. Assim os doadores não aparecem nas declarações entregues pelos candidatos à Justiça Eleitoral.

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No Governo Lula o Min. da Pesca se dispôs a pagar R$ 352,22 por 50ml de café na xícara

Três homens que aparecem nesta reportagem têm muito em comum. Os três frequentaram o comitê eleitoral do PT, em Brasília. Os três têm ligações com uma empresa de eventos, a Dialog, que faturou dezenas de milhões em negócios com o governo federal. Os três não falam, nunca deram entrevistas e se esquivam de explicar o que realmente fazem - ou faziam - na campanha petista. As digitais do trio - o empresário Benedito de Oliveira Neto, o contador Luiz Carlos Ferreira e o ex-funcionário público Jorge Luiz Siqueira - apareceram no bojo do escândalo que foi a tentativa de montar um grupo de policiais e arapongas para espionar adversários e aliados incômodos. O elo mais forte entre esses três senhores é o dinheiro. Há duas semanas, em entrevista a VEJA, o delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo Sousa revelou que o serviço de espionagem custaria 1,6 milhão de reais. Quem pagaria? Benedito de Oliveira. Como? Em dinheiro vivo. Por que Benedito? O enredo que responde a essa pergunta parece levar à repetição de uma história tão ou mais antiga do que as eleições: amigo de mandatário é beneficiado materialmente com contratos milionários feitos sem licitação ou ao arrepio delas e, mais tarde, devolve a gentileza custeando despesas do seu antigo benfeitor. O Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) investigam dezenas de negócios da Dialog, empresa de Benedito de Oliveira, com o governo, cujos termos e irregularidades ilustram com nomes e números o milenar enredo narrado acima. Criada em 2004, a Dialog saiu da irrelevância para o domínio quase hegemônico da prestação de serviços e realização de eventos para ministérios e outros órgãos públicos. Não se sabe a razão, mas no ano passado o Ministério da Pesca propôs usar 72% de tudo o que gastou em 2009 em um único contrato com a Dialog. Seriam entregues a Benedito 94 milhões de reais para… criar uma frota pesqueira? Montar fazendas de camarão no Nordeste? Ensinar a pescar? Não. Nada disso. O Ministério da Pesca queria destinar 94 milhões à Dialog para ela fornecer, entre outras coisas, cafezinho a funcionários e visitantes. Cada xicrinha custaria aos pagadores de impostos do Brasil a fortuna de 352,22 reais. Atenção: o Ministério da Pesca se dispôs a pagar ao empresário 352,22 reais por 50 mililitros de café na xícara, usando para isso o dinheiro dos impostos subtraídos dos brasileiros honestos que acordam cedo e vão trabalhar. Aqui

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