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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

PT, IMPRENSA e Boris Casoy


O desabafo de Boris Casoy: "O PT pressionou a direção para me tirar da Record"
Boris Casoy, no comando do Jornal da Record, tem feito a cobertura mais incisiva da escândalo do "mensalão". Seus comentários ácidos, porém, já custaram caro para a emissora.
Nesta entrevista para Portal IMPRENSA, Casoy revela que o PT pressionou violentamente a direção da Record para que ele fosse demitido, chegando até a ameaçar cortar verba publicitária do canal.
IMPRENSA –Você sofreu muita pressão do governo e do PT?
Boris – Muita... Mas muita mesmo...No começo da administração do PT, pressionaram a direção violentamente para me tirar da Record. Ameaçaram cortar a publicidade. A diretoria me deixou a par o tempo todo
IMPRENSA – E isso acabou?
Boris – Acabou no dia 13 de fevereiro, quando aconteceu o caso Waldomiro.
IMPRENSA – Por que?
Boris – As razões da pressão eram as mais estúpidas possíveis. Eles me atacaram muito no caso do BANESTADO. E agora eu entendo porque... pelo menos eu suponho.
Fizeram um grande pressão...Não sei se a diretoria vai gostar... Queriam que eu não cobrisse mais o caso Celso Daniel. E olha que eu cobria de maneira absolutamente neutra. Eu não podia ligar o Roberto Texeira ao Lula. Nem dizer que era amigo do Lula.
IMPRENSA – Eles chegaram a te processar?
Boris – Não, porque não fiz acusação nenhuma. Eles, no começo do governo, não suportavam, por exemplo, que nós pusemos um debate do Congresso no ar, onde, ao invés de terminar com o PT, a discussão terminava com a oposição, com o Virgílio. Foram reclamações diárias. Diziam que eu era tucano.
"Eu não defendo o "Fora Lula" "
IMPRENSA –Em termos de verba publicitária, houve cortes? As fontes em Brasília secaram?
Boris – Houve ameaças. Em termos de fonte, tive que me virar, mas acho que todo mundo teve que se virar. Menos a Globo que teve todas as fontes. O presidente, na noite em que ele ganhou, disse: "Bom, eu preciso sair porque estão me esperando num outro compromisso", e ele saiu pra dar entrevista na Globo, sentou na mesa do "Jornal Nacional". Isso é um problema dele, virtude da Globo e incompetência nossa.
IMPRENSA – Sua relação com o governo melhorou?
Boris – Melhorou. Eu converso sempre com o Gushiken. Ele não é acessível, foi ele que me procurou. É uma pessoa de quem eu gosto.
IMPRENSA – Existem muitas coincidências entre o escândalo de 1992, que culminou no impeachment do Collor, e o escândalo do mensalão. Você acredita que essas denúncias podem derrubar o presidente Lula?
Boris – Existe uma diferença extremamente forte entre os dois processos. O Collor, em 1992, tinha rompido com praticamente com toda a elite brasileira. Já o Lula tem o apoio decidido das elites. Os interesses dos grupos que permeavam os dois processos políticos, eram opostos. O Collor havia desafiado os bancos, a FIESP, a indústria automobilística... Ele tinha contra si a elite brasileira. Aí apareceu o Pedro Collor, o motorista, e as coisas desandaram. Hoje, não há interesse da elite brasileira em prejudicar a administração do Lula.
IMPRENSA – Quando você fala em elites, você inclui os donos dos grandes meios de comunicação?
Boris – Não, eu estou falando na elite em geral. Os donos dos meios de comunicação na maioria são neutros.
IMPRENSA – Em 1997, FHC passou batido pela crise e se reelegeu. Aquela crise foi tão grave ou maior do que esta agora?
Boris – O Fernando Henrique estava muito bem blindado diante daquela crise. As figuras que estavam no front da crise eram menores. A habilidade dos "operadores do Fernando Henrique" também era maior do que a habilidade dos operadores do Lula.
IMPRENSA – Um argumento que tenho escutado de muitos petistas é que, se existe "mensalão" para comprar deputados, isso aconteceria em nome de um projeto político.
Boris – Eu vou avançar... Eu fui surpreendido, nos meus últimos 40 anos de jornalismo, por pessoas nas quais eu acreditava e, repentinamente, foram cercadas por um mar de corrupção. Como eu tinha conversas francas com essas pessoas, me sentia a vontade em questiona-las. E cheguei a seguinte conclusão: existe um mecanismo de auto-defesa, um sistema imunológico que supostamente protege o caráter de quem está fazendo isso. Todos eles, sem exceção, estavam usando essas armas da corrupção dizendo que não era para eles
De início, o dinheiro não é mesmo para uso pessoal, é para a campanha. Mas se cara tem milhões de dólares no exterior e vê que o filho está estudando em grupo escolar de quinta categoria da periferia de São Paulo, ele vai quer melhorar de escola. Se ele mora numa casa muito ruim, ele acaba achando que uma casa melhor vai melhorar a eficiência dele para poder trabalhar pelo bem. A partir disso, a consciência fica limpa.
O Jânio de Freitas disse outro dia que existe um projeto socialista por trás disso...Eu não acho nada disso. Eu vivo dizendo: "todos os partidos são iguais", inclusive o PT. Tudo começa com a campanha eleitoral.
IMPRENSA – Você acredita ideologicamente no PT?
Boris – Não. A máquina está lá, de boca aberta. É aquilo mesmo que o Jefferson disse, sobre a "síndrome da abstinência": ‘os pásssaros de biquinho aberto esperando a comida".
IMPRENSA – Será que só é possível construir uma maioria sólida no parlamento usando esse tipo de esquema?
Boris – O país precisa de uma reforma política. Não agora, porque seria apenas um socorro. É preciso que a reforma política não seja fatiada, mas sofisticada. O que não pode acontecer é o Brasil ter um presidente da república refém.
"Os operadores do FHC eram mais habilidosos que os de Lula"
IMPRENSA –Você acredita que existem indícios para que seja levantada a bandeira do "Fora Lula"?
Boris – Eu não vou falar em um "Fora Lula!", não defendo isso. Deve haver um processo em que as pessoas se convençam de que isso é verdade. Quando você fala em prova testemunhal, você fala em prova com valor jurídico. Então eu volto ao Collor, que foi absolvido em todos os processos Segundo a decisão da justiça, o Collor pode voltar moralmente para o Palácio do Planalto. O processo de impeachment é político. Tem nuances jurídicas, mas é político. Quer dizer: basta a maioria da CPI do Plenário estar convicta. Isso que aconteceu no tempo do Collor. Mas não tinha nenhuma firula jurídica, tipo perda de prazo. Nenhum cara esqueceu de por uma vírgula, não houve nenhuma prescrição. O processo é político e se dá dentro do parlamento.
IMPRENSA – Você acha que o Lula conseguiu se descolar da crise?
Boris – Ele é o presidente da república. Tem um passado correto, honesto. Não quero incriminá-lo. Mas existem algumas perguntas não respondidas. Se é verdade que o Roberto Jefferson falou alguma coisa sobre isso, por que o Lula não tomou nenhuma providência? Se ele tomou algumas providências legais, porque elas não apareceram até agora? Ele se omitiu? Ele não sabe o que se passa sob o nariz dele?".
IMPRENSA – Prevaricação?
Boris – Não, se ele não sabe o que se passa, ele é um incompetente.
IMPRENSA – Ou ele prevaricou ou ele é um incompetente?
Boris – Eu não vejo outra saída. Seria menos pior ser só incompetente. Eu acho que o governo está em pane. Você vê o que aconteceu...O Roberto Jefferson fez aquela ameaça e 48h depois o José Dirceu sai, sem que esteja escolhido seu sucessor. Eu não sei o que os olhos do Roberto Jefferson disseram naquela advertência. Não sei como o planalto recebeu. Eu sei que funcionou. Do jeito que foi feito, corroborou mais ainda: "Ué, porque que saiu?". Essa história de que o José Dirceu saiu pra poder se defender...Não existe melhor lugar para se defender do que na altura do poder. Vai se defender no congresso? Vai sair fazendo uma cruzada? Isso não tem um menor sentido. Ele saiu porque precisava sair. Eles estão blindando o Lula.
Boris – Claro que foi. E ele reconhece que foi. Como ele dizem: "quem está oposição faz bravatas".
IMPRENSA – Nesse caso, o PSDB está sendo mais responsável ou é tudo uma estratégia?
Boris – Eu não sei. Até esse instante, está sendo mais sério do que foi o PT. Não interessa paro PSDB, nesse instante, colocar em risco a democracia brasileira. Aliás, não interessa pra ninguém. Também o PSDB tem que olhar o entorno e ele é favorável ao governo Lula. Os números da economia são bons. A economia é a mesma que o PSDB fez. Os bancos estão com o Lula. Não estou dizendo isso de uma forma pejorativa, mas existem vários apoios que o Collor não tinha. O PSDB não pode também romper com todo mundo.
IMPRENSA – Chegaram a vir com aquela história de que você era do CCC?
Boris – Nunca fizeram ataque pessoal. Até porque muita gente que estava lá, sabe que era mentira
IMPRENSA - Você acha que o poder pode mudar o caráter das pessoas? O Zé Dirceu de hoje não parece o mesmo de antes?
Boris – Eu sempre tive uma relação respeitosa, boa com ele, apertei ele também, acho ele muito inteligente. Eu não sei se aconteceu. Mas o comportamento não é o mesmo. Houve gente que me disse, "Olha, vai ser um governo mais autoritário", gente ligado ao PT, gente que disse "você não sabe o que vai acontecer" e aconteceu, e eu não acreditava. Eu achei que iria ter uma certa camaradagem. Uma outra pessoa que não rompeu foi o Genoino.
"Lula tem o apoio das elites"
IMPRENSA – Com o Fernando Henrique era mais tranqüilo?
Boris – O Fernando Henrique tem uma visão diferente da imprensa. Tanto que nunca processou ninguém. Não reclamava, não pedia a cabeça. Nem o Collor, nem o Sarney, nem o Tancredo. O Tancredo me telefonava no jornal chorando pitangas, mas é normal. Diziam, "olha que manchete e tal".
IMPRENSA – Isso foi dito naquele filme "Entreatos", tem uma cena em que o José Dirceu diz "Tire esse cara daqui!", que era o cineasta, "não da para confiar em ninguém".
Boris – Eu soube disso, mas eu perdi esse filme. Agora, eu no começo pensei que essa era uma blindagem natural de quem ia ser presidente da república, mas o Fernando Henrique não era assim. Quando eu falo isso vão dizer que eu sou tucano.
IMPRENSA – Porque você acredita que o PSDB e o PT uma vez no poder eles preferem fazer acordo com a direita?
Boris – Do jeito que está, eles precisam fazer acordo com quem tem voto. Não tem outro jeito. Quando se fala na questão da maioria, eu sempre procuro me colocar na posição do cara. Porque sempre se diz "sai pra rua batendo, vai na praça e denuncia", e é função nossa falar isso. Agora o cara senta naquela cadeira, ele quer fazer alguma coisa. Eu acho que o Fernando Henrique, o Sarney, o Lula, eles possuem boa intenção. Ninguém está lá dizendo, "bom, quem é que eu vou estrepar hoje?", não existe isso. O cara quer marcar o nome dele na história. O Lula possui uma história muito bonita e tudo, ele quer coroar. Agora ele chega lá e vê aquele plano que ele mesmo classificou de 300 picaretas, porque ele conhece aquele lá, não são todos, tem uma minoria lá, nomes que se destacam e como é que o cara vai fazer? Ele fez aliança com quem ele pode. E eu não vejo mal nenhum em ele fazer aliança a direita, mas aí tem essa circunstância, não justifica, mas é assim, o cara fica refém. Ou então ele não governa e vão derrubar o cara. Vide o Jânio Quadros, o processo como culmina, como se materializa, é outra história, mas se materializa.
IMPRENSA – Na sua opinião vai acabar em pizza, em reeleição...?
Boris – Não sei, eu não tenho um prognóstico. Eu estou assustado. Eu sempre me assusto com esse processo. Quando ele começou a ocorrer com o Collor, o Ulysses não queria, dizia "olha, temos que tomar cuidado, os milicos podem voltar". Talvez essa coisa de dizer que é golpismo é mais pra assustar as pessoas. O PSDB nunca dá golpe. Nem é da matriz do PSDB, ele não tem nenhuma tendência autoritária.
IMPRENSA – Agora, o PT tem uma capacidade maior em aumentar as crises?
Boris – A crise surgiu dentro da base governamental, o Roberto Jefferson não teve uma palha movida pela oposição. O congresso estava paralisado pelo próprio PT. O PT elegeu o próprio Severino. Começou com o Severino, onde é que já se viu perder uma eleição para presidente da Câmara tendo maioria e ainda com o descontentamento do pessoal fisiológico e também não-fisiológico, que concorre com os fisiológicos, que precisa se eleger. Eu acho que PT não deu a devida atenção à base parlamentar e se afastou da sua base social.

Semiautoritarismo maquiado

 A democracia nunca predominou no mundo nem induziu entusiasmo popular semelhante ao induzido por líderes carismáticos e messiânicos – no século 20 ocidental, de Hitler e Mussolini, na Europa, a Vargas, Perón e Chávez, na América do Sul. Em algumas regiões jamais existiu e é improvável que possa existir – situação refletida na resposta de cientista político russo, perguntado se Putin era democrático: “Para a Rússia é.” Insere-se aí a ilusória pretensão de fazer do Iraque e do Afeganistão democracias que requerem as circunstâncias ocidentais, não transplantadas pela vitória militar.
Nos anos 1900 dezenas de milhões de europeus viram no fascismo e no comunismo totalitários opções melhores que a democracia, menos de 50% da população mundial vive hoje sob regime democrático e não se espera melhora significativa no futuro breve. Ao contrário: depois do avanço da democracia social de massa no século 20, a democracia vive hoje restrições em suas combinações de liberdade civil, mercado e interveniência estatal e corre o risco de retrocesso, já transparente em países, inclusive da América Latina, onde a eleição do chefe do Executivo, ungido à liderança redentorista rotulada de democracia, é pretendida como respaldo legítimo ao detrimento das demais instituições.
No Brasil, as razões que perturbaram a democracia no nosso passado ainda não estão satisfatoriamente superadas e algumas vêm sendo até intensificadas. Particularmente grave hoje: o descrédito das instituições representativas pluralísticas e dos agentes políticos que, pautados pela cultura patrimonial-clientelista, confundem o exercício legal com lassidão na posse do poder. Descrédito que está levando o mundo político a ser visto como defensor da reeleição e da continuidade no usufruto do poder acima dos interesses nacionais que possam prejudicá-las – precedência transparente, por exemplo, na derrubada do fator previdenciário no Congresso Nacional.
Apesar da tendência global (muito, latino-americana…) e da preocupante conjuntura brasileira, nossa normalidade processual democrática não está ameaçada, intervenções à século 20 são implausíveis hoje. Mas essa implausibilidade tem limites e nossa fragilidade política abre espaço, se não ao trauma, ao menos a medidas não exatamente na ortodoxia democrática, ao semiautoritarismo maquiado de democracia, que, sem agredi-la ostensiva e radicalmente, mutila a concepção da democracia pluralista e representativa. E não será o caso de atribuir eventuais atribulações à interferência estrangeira: os interesses multinacionais preferem tranquilidade política e segurança jurídica, para investir e lucrar. Tampouco aos militares, que, ao contrário, desejam a consolidação do regime democrático, desejam que os políticos aprimorem a democracia e lhes assegurem espaço funcional para suas finalidades precípuas.
A responsabilidade caberá à combinação de nossas mazelas políticas (em evidência porque da política depende a correção de tudo) com as socioculturais, à combinação da fragilidade de dois requisitos da democracia – povo educado e em segurança socioeconômica, para exercer seus direitos imune ao fascínio populista ilusório, e atores políticos capazes e éticos – com a cultura sebastianista herdada do absolutismo português e estimulada por ideias do positivismo, fascismo e socialismo. Combinação em que o Estado é visto como a solução de todos os problemas e a fonte de benesses de toda ordem.
O Brasil desejável e possível exige bons alicerces políticos, e – ao contrário do regime de Franco, que, superado o trauma da guerra civil, facilitou a formação de quadros para a democracia que inexoravelmente o seguiria na Espanha – nosso regime de 1964 não foi feliz nesse campo. A insuficiente emersão da política de qualidade acabou desembocando na política medíocre, permeada pelo populismo por vezes proxeneta irresponsável em temas nacionais (previdência, por exemplo) e irrealista em internacionais, pelo arrivismo que transforma a política, de sacerdócio cívico, em meio de vida patrimonialista, caracterizado pelo cultivo do usufruto do poder.
O clima de avanço econômico que estamos vivendo e alguns aspectos efetivamente positivos (nem todos são) do assistencialismo ajudam a mistificar os riscos da situação política. Entretanto, mais dia, menos dia, a deterioração da prodigalidade mágica (?) do BNDES, a exaustão do modelo macunaíma da cidadania “subprime”, em que crédito e endividamento são vistos como aumento da renda, a violência e a criminalidade, a má qualidade da educação e da saúde, o descalabro infraestrutural e outros problemas de magnitude similar vão fragilizar a euforia. Em coerência com o DNA sociopolítico latino-americano, a consequência será a atração por soluções salvacionistas, em geral com nuanças “menos democráticas”. A mais provável hoje: o populismo semiautoritário amparado no número emocional, que não é garantia de acerto (Sócrates foi condenado por maioria, Barrabás foi preferido a Jesus e o apoio do povo alemão permitia que Hitler se dissesse democrático), e na cooptação do capital, via benesses e obras públicas do Estado, e do trabalho, via sindicalismo oportunista.
É da natureza intrínseca dessas soluções que os conluios “fisiológicos”, descomprometidos com a ética e o rigor do direito, facilitem a formulação da estrutura legal que confere ao poder redentorista o respaldo da tintura de legitimidade democrática para práticas semiautoritárias – para o cerceamento da liberdade de expressão e de outras liberdades civis, para restrições a direitos, como o de propriedade. Facilitem, enfim, a estruturação legal do governo forte de perfil semiautoritário, diferente do Estado democrático forte como deve ser. Há que estar atento a essa hipótese, de que é exemplo relevante hoje a Venezuela, vista com simpatia mimética por segmentos políticos brasileiros!
Fonte: Jornal “O Estado de S. Paulo” – 17/08/10

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O Brasil de Lula e Dilma não é melhor que Jamaica, Argentina, México, Uruguai, Peru, Costa Rica e Chile

O Brasil é o 48º melhor país do mundo para se viver, segundo o primeiro ranking de 100 Nações publicado pela revista Newsweek. O País perde, somente entre os países da América Latina e do Caribe, para a Jamaica, a Argentina, o México, o Uruguai, o Peru, a Costa Rica e o Chile - o mais bem colocado da região, no 30º posto da lista. Apesar de seu Produto Interno Bruto de US$ 2,013 trilhões, o nono maior do mundo nas contas do Banco Mundial, o Brasil não figura entre as dez economias mais dinâmicas. Mas, de acordo com a Newsweek, é o melhor lugar do planeta para se fazer cirurgia plástica.
"Nenhum outro país tem mais cirurgiões (plásticos) per capita; essa indústria de US$ 15 bilhões talvez atraia mais turista que as praias. Regulações inovadoras dão uma mãozinha aos cirurgiões", afirma a revista.
Para formular o ranking, a Newsweek cruzou indicadores de cinco categorias - educação, saúde, qualidade de vida, competitividade econômica e ambiente político - e convidou laureados analistas, como o economista Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de 2001. O desafio era responder a uma pergunta: se você fosse nascer hoje, que país escolheria?"
A revista advertiu que o ranking "não é perfeito" e que esse exercício reforçou a constatação de que "não há um único modelo de sucesso" para as Nações. O país campeão foi a Finlândia, seguido pela Suíça e pela Suécia. Os Estados Unidos aparecem em 11º lugar, desgastados por duas frentes de guerra e pela crise econômica. Mas, estão na frente das três potências europeias - Alemanha, Inglaterra e França.
Já o Brasil, atrás da Jamaica no ranking, tem o consolo de ter passado a perna nos seus colegas emergentes do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) e de seus parceiros da hora, Venezuela, Cuba e Irã. O País não aparece nos sub-rankings dos dez melhores nas categorias de educação, de saúde, de qualidade de vida e nem mesmo de dinamismo econômico entre países em desenvolvimento - lista liderada pela China e com a Índia em terceiro lugar.
Entretanto, o Brasil surge em 8º lugar em um sub-ranking dos 10 melhores países para se viver, entre os mais populosos do mundo. Essa lista é encabeçada pelo Japão, com os EUA no segundo posto, seguidos pela Alemanha. Ainda assim, o México fica com o sétimo lugar. Também figura na lista - sem hierarquia - dos "primeiros da classe", os dez líderes que "administraram de forma a ganhar sério respeito".
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é mencionado como o chefe de Estado que está por partir, mas que ainda tem "status de estrela do rock no País e tapete vermelho no exterior". "O ex-chefe de sindicato foi suficientemente sensato para reconhecer que os negócios são aliados, não inimigos", diz a revista.
Fonte: FManager & NewsWeek

O naufrágio da Marinha Mercante

Por: Carlos Tavares  - Jornalista e assessor de comércio exterior da CNC
Sem dúvida, o resultado do crônico desinteresse federal pelo assunto foi o verdadeiro naufrágio da Marinha Mercante brasileira, tanto a internacional quanto a de cabotagem e fluvial. Comprovado o desastre, altamente prejudicial ao desenvolvimento do país, os dados comparativos são, de fato, impressionantes. Contrastando com o auspicioso crescimento da economia nacional, já entre as dez maiores do mundo, a frota brasileira, em queda vertiginosa ocupa agora o 33º lugar no ranking internacional (estava em 12º em 1980), com apenas 144 navios. No comércio exterior, a pequena participação brasileira não passa de 1,2%, mas, em nível ainda mais baixo, os navios mercantes nacionais, correspondem a apenas 0,43% da frota mundial. Enquanto a China, líder do comércio mundial, com a maior frota (4.179 navios) chega até a vender (exportar) fretes em seus navios para outros países.
Em 1970 a frota mercante brasileira transportava 52% do comércio exterior do país, índice que despencou para menos de 3%, em 2009. Assim, os US$ 14 bilhões obtidos com a exportação de minério, o principal item da pauta, foram consumidos no pagamento de fretes em navios estrangeiros. Com a preferência do transporte geral de carga, no Brasil, pelo modal rodoviário (61,8%), o segmento aquaviário, com um dos índices mais baixos do mundo, registra apenas 13,8%, enquanto no Japão e na Noruega chega a 60% e nos Estados Unidos a 20%.
A propósito, no Plano Brasil 2022, o ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, reconhecendo a “dependência do modal rodoviário” – mais caro e com maior índice de poluição – está propondo a elevação da participação do modal aquaviário de 13% para 29%. No mesmo projeto, são anunciadas as Ações necessárias para “Ampliar a participação da armação nacional no tráfego marítimo mundial”.
Por seu turno, o Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), em excelente trabalho técnico – preparado pelo seu quadro de antigos oficiais superiores da Marinha de Guerra – também apresentou projeto para renovação da frota mercante. Para solução imediata da grave questão, com estratégia esboçada por quem vive de perto o problema, o Syndarma propõe medidas práticas para igualar os custos de manutenção da frota nacional com os dos navios mercantes estrangeiros, inclusive os de “bandeira de conveniência”.
Atualmente, cerca de 60% da frota mercante mundial estão vinculados a esses “open registry” – são 18.981 navios com a “foreign flag”, segundo a Unctad,– existentes em vários pequenos países como Panamá, Libéria e Ilhas Marshall, que não cobram tributos nem obedecem aos acordos marítimos internacionais, inclusive na área trabalhista. Visando reduzir o tamanho dessa frota “de conveniência”, mas de concorrência desequilibrada, alguns países resolveram criar seus “registros especiais”, fiscais e previdenciários, como a Alemanha, França, Itália, Inglaterra, entre outros.
Seguindo o (bom) exemplo, em 1997 aqui foi também criado o Registro Especial Brasileiro – REB, com a Lei nº 9.432. Porém, apesar de louvável, a iniciativa não deu resultado, pois os mecanismos adotados foram insuficientes para assegurar competitividade aos navios nacionais. Agora, com esse projeto/programa (denominado Pró-REB), o Syndarma visa igualmente a desoneração fiscal e tributária, norma adotada pelos países industrializados para expansão das suas frotas. Inclusive, boa parte desses países, para combater os registros de conveniência, reduziu o imposto de renda das empresas (armadoras) proprietárias dos navios.
As corretas observações englobadas no Pró- REB são úteis não só aos empresários e interessados no assunto, como, particularmente, para o Governo, quando assinala que o Brasil, “com o fluxo de suas mercadorias à mercê dos navios estrangeiros ficou em posição de extrema vulnerabilidade estratégica”. E, criticando os poucos benefícios concedidos pelo REB, a exposição esclarece: “Com isto frustrou-se a expectativa de uma retomada de investimentos em navios do REB, para conter o envelhecimento e progressiva redução da frota mercante brasileira”.
Evolução Mundial
Sobre as excessivas despesas para manutenção da frota nacional, tornando-a sem poder de competição, o Syndarma assegura: “Atualmente o custo operacional dos navios de bandeira brasileira é cerca do dobro do mesmo navio operando com bandeira estrangeira”. Segundo estudo da FGV, essa considerável desvantagem na competição com as embarcações estrangeiras livres de tributação deve-se, em parte, aos “elevados encargos sociais e previdenciários que colocam o custo de mão de obra dos navios brasileiros em um patamar cerca de 140% mais elevado do que a média internacional”.
Sobre a cabotagem (navegação entre os portos brasileiros), que também será beneficiada com o Pró-REB, a exposição ressalta sua importância para o desenvolvimento do país, acrescentando que “sobre pressão de demanda de navios decorrente da dificuldade de retomar investimentos, renovar e expandir a frota cujos custos se situam bem acima da média internacional”.
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Ambigüidade do Governo - O Perigo na economia - Um cenário para a Terceira Guerra

Comentário da Semana de Gelio Fregapani
Assuntos : Ambigüidade do Governo; Economia e Um Cenário para Terceira Guerra.

Ambigüidade do Governo
Para o julgamento da História - Lula visita Jirau e diz que Brasil não abrirá mão de auto-suficiência na produção de energia
O governo Lula emite sinais contraditórios; busca uma política exterior independente e cede às exigências absurdas da Bolívia; afrouxou-se às exigências das ONGs no caso da Raposa e as enfrenta nas hidrelétricas do rio Madeira. Apóia o direito do Irã ao programa nuclear, mas aceita aplicar-lhe as sanções da ONU.
O que terá levado o Lula a concordar com as sanções, sabendo que o próximo alvo é o nosso País? É óbvio que cedeu a pressões. O governo não ignorou a visita de três emissários do Departamento de Estado, eficientes em levar a ameaça ao Governo, a Indústria e Entidades Bancárias. Certamente contaram com o reforço dos internacionalistas da época FHC – veja-se o artigo de José Goldemberg, na revista “Época”
De fato, o Lula parece querer o bem do País, mas falta-lhe coragem para enfrentar os obstáculos. Conseguiu, depois de afastar a Marina, levar adiante as hidrelétricas do rio Madeira. Estas já são irreversíveis. Entretanto o capital internacional se mobiliza para evitar a construção da usina de Belo Monte. A luta será dura. Terá o Lula coragem de enfrentar? E quanto ao asfaltamento da rodovia 163, no Pará, que poupará 30 dólares de frete por tonelada de soja, demonizada pelos ambientalistas do mundo?
O que está feito, certo ou errado, está feito, mas neste final de governo veremos se o Lula criou coragem ou não. Até agora, na maior parte do tempo se acovardou.


O Perigo na economia
Desde o Plano Real de 1994, nossos governos têm adotado a política de valorização artificial da moeda . O objetivo é o do barateamento das importações com o conseqüente controle dos preços. Essa política mata a produção nacional e incentiva às indústrias estrangeiras. Com a supervalorização do Real face às moedas de nossos parceiros comerciais, as tarifas de 12% deixaram de ser o obstáculo natural e jurídico de proteção à indústria nacional.
É um verdadeiro incentivo às importações, único num mundo pautado pelo protecionismo. Exportadores estrangeiros descobrem no Brasil a terra prometida: O país subsidia as vendas deles no nosso próprio mercado interno. Incrível!, Nosso povo aprende a comprar produtos estrangeiros e que é mais barato viajar para férias no exterior do que conhecer o próprio País. A atividade industrial deixa de crescer. O país se desindustrializa. Vejam o anexo sobre Alexander Hamilton
Com a deterioração das contas aumentarão as taxas de juros e diminuirão as reservas externas. Teremos em seguida o já conhecido fenômeno de uma máxi-desvalorização do Real, com todas suas nefastas conseqüências.

Apenas considerações
Há quem afirme que temos demasiados parlamentares. A verdade é que temos mais deputados federais do que os Estados Unidos. Precisamos realmente de tantos? De tentos deputados estaduais? Da multidão de vereadores?
A resposta cada um o fará. Concentrar-me-ei no que me parece mais claro: o número de senadores. São três por estado. Ao contrário dos deputados, que representam o grupo que os elegeu, os senadores deveriam representar o seu Estado, mas como são três, terminam por cada um representar apenas uma facção. Nenhum deles pode dizer que seu Estado quer isto ou não quer aquilo.
Parece-me óbvio que deveríamos ter um só senador representando cada Estado. Também é lógico que tem que estar afinado com o governador, pois seu posicionamento representará o posicionamento do Estado, como um todo. Talvez o mais correto seria que fosse nomeado por seu governador e pudesse inclusive ser substituído por ele. Para dar maior legitimidade poderia ser escolhido forçosamente entre os deputados estaduais;.
Isto seria realmente vantajoso? Certamente a representação estadual seria mais autêntica. Em termos de economia pode até ser significativo, mas não é o mais importante. Para ter uma idéia, um senador custa cerca de um milhão e seiscentos mil por ano, sem contar as passagens aéreas e outras mordomias.
Parece irrealizável? Certamente, mas quem sabe um dia a idéia não cola.

Situação Mundial - Um cenário para a Terceira Guerra
O grupo financeiro internacional tem como principal braço armado os EUA, no auge do poder militar, ao mesmo tempo em que sua economia depende cada vez mais desse poder para manter de pé a estrutura que lhes permite sobreviver. A razão de qualquer força é dar respaldo aos objetivos dos povos, ou ao menos dos governos que os lideram. Quando a simples ameaça de uma força esmagadora resolve a divergência em favor de seus interesses vitais do mais forte, a força terá cumprido sua tarefa sem lutar. Haverá paz – mas dificilmente haverá justiça.
Não se sabe que conluios levaram a Rússia e a China a, aprovando a resolução das sanções, desistir de seus negócios no Irã. Difícil que tenha sido por um acordo vantajoso. Mais provável que tenha sido ameaças convincentes. Talvez o mesmo tenha ocorrido com o nosso governo.
Por vezes, seja por emoção, fanatismo ou desespero, um grupo decide desafiar a força esmagadora. Um previsível ataque por parte dos EUA, da OTAN e de Israel contra o Irã a ser desencadeado antes do Irã conseguir armas nucleares (depois seria improvável), e haveria o cuidado de não transformá-la em guerra mundial pois a preocupação mais séria dos EUA (e do sistema financeiro internacional) parece ser com a China, que desenvolve armas que poderiam obstruir a capacidade dos navios de guerra americanos de operar em águas internacionais; essas armas incluem mísseis de precisão de longo alcance e uma crescente frota de submarinos.caçadores de submarinos.
No contexto iraniano, as consequências devastadoras de uma guerra são banalizadas ou simplesmente não se mencionam. Alardeia-se que crise “real” que ameaça a humanidade é o “aquecimento global” e não uma guerra local. O contexto atual se caracteriza por uma acumulação militar global controlada por uma superpotência mundial que está utilizando seus aliados para desencadear guerras regionais. Estamos falando de um desenho militar mundial cuidadosamente coordenado e controlado pelo Pentágono, com a participação de forças armadas combinadas de mais de quarenta países. A humanidade está numa encruzilhada perigosa. Os preparativos de guerra para atacar o Irã estão em estágio avançado. Sobre o tabuleiro de xadrez está a opção de guerra para salvar a economia em crise insolúvel por outro processo, mas elas só serão desencadeadas se a vitória anglo-americana estiver garantida. Aguardemos.
Como fica o nosso País nesse cenário?Fica pronto para perder as jazidas de minérios estratégicos com a independência das “nações” indígenas e o petróleo do pré sal por simples ameaças, se não nos prepararmos antes

Que Deus guarde a todos vocês
Gelio Fregapani
ANEXO Aprendendo com um Americano ==>> Link
Fonte: DefesaNet

Quem lutou pela democracia e quem lutou pelo comunismo?

REVOLUÇÃO DE 64
Para você que esqueceu e para você que não viveu
É importante a gente refrescar a memória do cidadão brasileiro sobre um fato marcante na vida política do país - a Revolução de 64. Da mesma forma, torna-se imperioso narrar alguns fatos aos mais jovens, muitos dos quais, nem nascidos eram.
A Revolução Militar de 64 nasceu de um movimento popular quando mais de 1 milhão de pessoas foram às ruas de São Paulo e do Rio Janeiro para pedir ao Exército brasileiro que impedisse a implantação de um regime comunista no Brasil.
Foi a partir desse evento que Jango Goulart, o presidente à época, foi deposto.
Quem eram as pessoas que queriam implantar o comunismo no Brasil?
São essas mesmas que hoje ocupam o poder no país.
A história conta que os militares ficaram no poder além do limite e daí surgiram grupos de oposição a este regime.
Um grupo, liderado por grandes nomes da nossa politica como Ulysses Guimarães, Trancredo Neves, Zé Serra e outros, lutou pacificamente pela volta da democracia com movimentos como o Diretas Já. E foram eles que conquistaram e deram início ao processo de redemocratização do país.
Tancredo Neves, avó de Aécio Neves, foi eleito presidente e não chegou a assumir a presidência da República, vindo a falecer. Em seu lugar, assumiu José Sarney.
O país iniciava a retomada pela liberdade com o pé esquerdo. E continuou com o pé esquerdo ao eleger Fernando Collor. Com o seu impechment, Itamar Franco passou a ser o novo presidente do Brasil. E aí sim, o país começou a tomar um novo rumo.
Como ministro da Fazenda do governo Itamar, Fernando Henrique Cardoso, liderou um grupo de economistas e foi implantado o Plano Real, mesmo com a oposição ostensiva do PT.
E o país continuou crescendo com Fernando Henrique Cardoso como presidente, consolidando o Plano Real e promovendo reformas necessárias às garantias para o desenvolvimento e à liberdade.
Em seus oito anos como presidente, FHC transformou o país. A inflação que vivia números estratosféricos foi domada e passou a refletir índices de primeiro mundo.
O Brasil mudou a partir do governo de Itamar Franco e do governo de Fernando Henrique Cardoso.
O governo Lula nada mais é do que a continuação desses dois governos que os petistas negam a sua existência a todo momento e creditando unicamente a Lula essa nova fase da nossa história.
O outro grupo, formado por muitos dos que hoje ocupam importantes funções no governo Lula, era o mesmo que queria implantar à época o comunismo no nosso país. E foi esse grupo que enfrentou os militares, com suas táticas de guerrilhas, apoiado pelo ditador Fidel Castro. Esse grupo, matou, sequestrou e roubou bancos. E não estava lutando pela democracia e sim pelo comunismo.
Por sua participação em várias correntes de guerrilheiros e em atos como o assalto a casa do ex-governador Ademar de Barros, um nome do governo Lula, se destaca dos demais. Trata-se da ex-guerrilheira Dilma Rousseff, ungida por Lula como sua candidata.
Um governo e um partido que celebra a Venezuela do ditador Hugo Chavez; que doa milhões ao governo do ditador Fidel Castro com quem mantém há anos os melhores laços de amizade, sendo Lula, inclusive, fundador do Foro de São Paulo juntamente com o ditador cubano; um partido que tem ligações explícitas com as Farc, um grupo de guerrilheiros que rouba, mata, sequestra e faz tráfico de drogas; que celebra o governo do ditador Mahmoud Ahmadinejad do Irã; que já tentou inúmeras vezes consolidar passos que nos levariam ao comunismo, como a censura à imprensa.
É esse governo e o partido que a candidata Dilma representa e quer dar continuidade implantando no país um regime que os militares impediram em 1964.
Hoje, eles não usam mais armas. Usam a fraqueza humana e corrompem o Congresso Nacional para aprovar as medidas para execução de suas intenções.
Exagero. Não! Basta ler o plano de governo que a candidata Dilma apresentou ao TSE e depois foi retirado. E ainda, ler a carta que o presidente Lula mandou para o Foro de São Paulo que realiza congresso na Argentina, publicada pelo jornalista Reinaldo Jardim .
A diferença entre 64 e 2010, é que não temos certeza de que os militares estariam dispostos a nos socorrer novamente. Isto quer dizer, que estamos entregues à nossa própria sorte. E, se tivermos eleições limpas e democráticas, somente com o nosso voto poderemos fazer uma nova revolução.
Fonte: BlogdoLÚCIONETO

AO FIM E AO CABO... por Percival Puggina

Não é de meu hábito travar por falta de palavras. Mas quando tento identificar o que tenha feito Lula ungir Dilma Rousseff como sua sucessora, entro em dispnéia vocabular. Fico que nem ela perante o mais trivial dos conceitos. Não sei o que levou o presidente a tal desatino. Se lhe foi dado escolher, por que escolheu assim?
Convenhamos, a candidata do presidente não consegue (ou não está conseguindo) articular uma frase inteligível sequer. Suas apresentações são incompatíveis com a imagem de mãe do PAC, dama de ferro do governo, gestora que permitiu a Lula ser o que sempre desejou ser desde seu primeiro orgasmo populista com um megafone nos idos de São Bernardo dos Campos. Quando, no debate da Band, ela teve que enfrentar uma questão sobre a falência da infraestrutura nacional depois de oito anos de governo Lula, a mãe do PAC esteve muito mais para madrasta. Dessas de histórias infantis. A verdadeira mãe do PAC, se existir, deve andar por aí, chorando em silêncio. Interrogada sobre a situação das Apaes, a candidata de Lula foi incapaz de acolherar três palavras que se relacionassem com o tema, demonstrando total desconhecimento a respeito dessas meritórias instituições.
O processo sucessório em curso não visa a escolher a reitora de um convento de monjas cartuxas, onde não se deve falar. Nem de um Clube de Xadrez, onde mero "Bah!" arranca eloquentes sinais de reprovação. Ninguém melhor do que Lula sabe a importância da comunicação para o exercício do poder político numa sociedade de massa. No entanto, escolheu para sucedê-lo uma candidata que se dá melhor quando não fala e tem seus melhores momentos totalmente muda, sob os respingos da popularidade do chefe. Vem, então, a pergunta: teria ela sido escolhida por Lula numa atitude do tipo "tudo posso" e, portanto, "posso até fazer uma coisa dessas"? Se os delírios messiânicos o levaram a tanto, a conta lhe haverá de cair na caixa de correspondência. Esteja ele onde estiver.
Dilma somente demonstrou segurança quando afirmou que "nós criamos 14 milhões de empregos". E errou. Errou sob silêncio dos demais candidatos, que não lhe perguntaram: criaram como? Criaram com quê? Governos somente criam empregos no serviço público (vitalícios) e em obras e serviços (temporários) que lhe são prestados. E basta! No mais, quem gera postos de trabalho é a iniciativa privada.
"Mas o governo não cria condições para a atividade privada?", indagará meu leitor petista ou lulista. Respondo: nesse particular, o que existem são sistemas que favorecem a atividade empresarial, porque favorecem a estabilidade da moeda, proporcionam segurança jurídica e respeitam o direito de propriedade, o livre mercado, os contratos e assim por diante. E não me parece que estejamos mais do que engatinhando nessa direção, entre mamadas nas tetas do governo, papinha socialista servida desde as creches até o topo do mundo acadêmico, e longas sestas tiradas em berço esplêndido. Como Lula nada fez para corrigir essas realidades (ao contrário, ampliou as tetas, as papinhas e as sestas), tudo que hoje se colhe foi plantado antes dele. E contra sua esforçada militância, como se sabe.
Reconheça-se que a mídia eletrônica - rádio e tv -, por força de lei, não pode expressar opinião política mais contundente durante as campanhas eleitorais. Mas é escandalosa a omissão da mídia impressa. Nossos jornais, em vez de opinar sobre o que viram e sobre o que veem, ao término de um debate como o da Band, limitam-se a registrar o que cada lado disse de si mesmo e do opositor. Isso lá é opinião? Isso é suficientemente analítico? Serve à verdade? Serve ao país? Ao fim e ao cabo, diante do que vejo, acabarei concordando com a presunção do Lula. E com os fundamentos de sua opinião sobre o eleitorado nacional.

QUEM PRECISA DE CENSURA?

Dia desses, um jornalista catarinense dos bons e amigo melhor ainda me confidenciou, magoado, que estava sofrendo pressões do veículo no qual trabalha por conta de suas posições políticas. Contou-me que, durante muitos anos, exprimira suas convicções livremente, pois que eram muito semelhantes ao pensamento e a opção editorial dos mesmos veículos, dos mesmos patrões. No caminho da constatação de que as coisas mudaram e como -, um belo dia ele foi chamado a uma conversa com o editor-chefe, que, por sua vez, havia sido provocado pelo diretor comercial que, por coincidência, era filho do patriarca. Ele foi informado que o cliente privado XPTO estaria tirando a verba da publicação caso ele permanecesse com sua linha de posicionamento. Ao ouvir o relato, perguntei a mim mesmo quem precisa de uma censura governamental se já temos, entre nós, mecanismos horrorosos de opressão e intimidação, públicos e também privados, capazes de submeter inclusive aqueles que, outrora, foram formidáveis e providenciais líderes de opinião?
Até mesmo o atual governo se deu conta de que não precisa mais se preocupar com essas polêmicas trivialidades. Descobriu que é muito mais fácil ligar para a agência de propaganda, que liga para o dono do jornal, que chama o jornalista e apela para o seu bom senso. Fulano, estou com as mãos atadas e precisamos deste patrocínio, se tu continuares dando porrada, vamos perder esta receita e não poderemos mais arcar com teu polpudo salário.
Depois desta descoberta, tão vil ou ainda pior do que invasões truculentas e armadas às redações, acabou o estresse de ter de aprovar um projeto como o tal Controle Social da Mídia, proposto e retirado do programa de governo de Dilma no TSE. O repórter aquele está incomodando? Avisa o dono da TV que a concessão dele vai ser questionada, que o BNDES vai abrir uma linha exclusiva para redes que não a dele e manda tirar aquela mídia gigantesca do grupo. O repórter logo terá apenas duas opções: calar-se ou demitir-se.
O problema são os ciclos de persistência, cada vez mais frágeis e desprovidos de qualquer convicção que não se renda às eficazes baionetas econômicas. E o que eu chamo de ciclo de persistência de líderes de opinião de outrora, está com os dias contados. O empresário, dono do jornal ou da TV, mudou de opinião quanto ao capitalismo, à livre iniciativa e à soberania do mercado? Provavelmente não. Sua postura empresarial diante de uma perspectiva não só de sobrevivência, mas de crescimento, ao se aliar aos novos mandatários, esta sim, em vários casos, mudou muito. Afinal de contas, ele é um empresário e não um monge e pode, sim, fazer o que quiser com seu patrimônio. Ficará mal nesta história quem costumava trabalhar com o antigo chefe, aquele que sobreviveu e prosperou nos anos de direita e centro e que, agora, não tem como ser clicado na mesma foto com um chefe que também deseja sobreviver e prosperar em tempos de PT e sua nova ordem.
Eu disse ao meu amigo, com a sinceridade que ele sempre me mereceu, que ou ele mudava de lado ou de profissão. O Brasil não precisa mais de uma censura verde-oliva. O Brasil tem hoje uma censura capitalista, ainda mais implacável, pública e também privada, que, se por um lado não confisca computadores, assim o faz com vozes, textos, imagens.
A história da nova censura brasileira poderá ser bem pior do que a da Venezuela de Chávez e sua Globovisión.
Por Glauco Fonseca

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Na frente dos bois - Dora Kramer

É de se perguntar para que mesmo eleição, campanha, gastos inúteis de tempo, dinheiro e energia. Apenas para que as urnas confirmem as pesquisas? De fato, parece ser a conclusão subjacente às argumentações de maior aceitação
No frigir, a prolongada dianteira do candidato da oposição a presidente não o favoreceu. Além de ter posto José Serra e o PSDB em relativo sossego durante bastante tempo, ajudou a consolidar a impressão de que uma vez perdida a primeira posição estaria também perdida a eleição.
Esta é a ideia preponderante hoje entre os analistas. Não todos, mas aqueles de compromisso marcado com a adivinhação já se aboletam sobre a certeza de que a eleição está decidida.
Se o cenário mudar não tem problema, basta atribuir ao efeito do horário eleitoral e fica tudo certo: todos ao menos parecerão justos e não engajados.
Realistas, sobretudo, uma vez que é mais fácil tomar como verdadeiro um cenário desenhado e depois adaptar o raciocínio do que raciocinar sobre os traços do desenho.
Por ora a explicação para as assertivas é a de que o apoio do presidente Luiz Inácio da Silva torna a candidata do PT imbatível. Se Dilma Rousseff inicia o horário eleitoral à frente de José Serra, isso quer dizer (de acordo com a norma em voga) que ela tende a crescer, ele a cair.
Ademais, como Dilma está a três pontos porcentuais da vitória no primeiro turno, não há o que se discutir.
É de se perguntar para que mesmo eleição, campanha, gastos inúteis de tempo, dinheiro e energia. Apenas para que as urnas confirmem as pesquisas? De fato, parece ser a conclusão subjacente às argumentações de maior aceitação.
Só um truque espetacular saído da cabeça do marqueteiro seria capaz de virar o jogo. Isso tudo é o que se diz, embora não seja necessariamente o que acontece.
E acontece que a eleição é daqui a dois meses e será decidida pela maioria dos 135 milhões de eleitores que compareceram às urnas.
Até lá o favoritismo da candidata governista pode se confirmar, se acentuar, disparar, mas pode também estacionar e até diminuir.
Tomemos a eleição anterior, de 2006. Lula em pessoa estava na disputa e nessa mesma época mais bem situado do que Dilma está agora. Ela tem 41% das intenções de voto contra 33% do adversário. Lula tinha 55% contra 24% de Geraldo Alckmin.
Eram 31 pontos de diferença. Dois meses depois, as urnas deram 48% para Lula e 41% para Alckmin. Ah, dirá alguém, havia a sombra do mensalão. Ainda assim Lula tinha 55% das intenções de voto.
Ah, mas houve o escândalo dos aloprados. Pois é, as coisas acontecem. Ou não.
Em Minas Hélio Costa tem 43% contra 17% de Antonio Anastasia e os mesmos analistas não tiram do cenário a hipótese de uma virada. Por que a diferença de expectativa?
Tudo depende da percepção e do desejo da maioria: se o eleitorado cotejar os atributos dos candidatos ganha Serra; se resolver votar apenas referido em Lula ganha Dilma e não haverá malabarismo publicitário capaz de mudar o curso desse rio.
De verdade o que José Serra poderia fazer ou inventar? Ele está em cena há anos, é conhecido de todos, não tem quem fale em seu lugar, não há Celso Kamura que dê jeito no visual nem existe margem para mágicas: Serra é o que é.
Isso pode beneficiá-lo ou pode prejudicá-lo, mas a realidade não pode ser alterada.
Diferente de Dilma, cuja situação se presta a quaisquer construções. Sendo desconhecida, tudo o que se diga ou se crie em torno dela passa a ser a circunstância real. Por mais fantasiosa que possa ser.
Incluindo aí a já afamada continuidade. Nada mais diferente de um governo de Lula que um governo de Dilma, a começar pela personalidade e o estilo da que terá sido (se for) eleita presidente, que não terá como levar o governo na base da conversa com as massas.
A se estender pela presença mais incisiva do PT e pela participação marcante do PMDB agora na posição de protagonista, de poder - note-se - moderador e da já auto anunciada condição de distribuidor de partilhas.
São parceiros de apetites inesgotáveis a serem administrados por uma pessoa ao mesmo tempo inexperiente e senhora absoluta do mando, cujo respaldo popular nunca lhe será atribuído a mérito próprio, mas pela conquista do empenho e da força de outrem.

Lula e a mãe

Em um de seus inflamados comícios de campanha, o presidente Lula declarou, ao lado de sua candidata, que “governar qualquer um governa; o que o Brasil precisa é de alguém que cuide dele, de uma mãe”. A primeira parte do raciocínio mal esconde um modo curioso de, discretamente, desfazer de sua candidata, já que, para governar, qualquer um serve – por que não ela? Mas a segunda parte revela, atrás do pitoresco típico de sua linguagem, de forte apelo popular, uma representação cativante do poder que re­­monta às raízes do Brasil. Em outras palavras, a ideia de que o Estado é um prolongamento da família, uma imagem aliás recorrente nas me­­táforas de Lula. Sim, uma imagem com sabor de povo, mas exa­­ta­­mente o mesmo conceito se encontra na clássica frase do elitista Ruy Barbosa, uma figura ornamental da cultura brasileira que pode ser acusado de tudo, exceto de iletrado: “A pátria é a família ampliada”.
A pátria tem muitas formas e vestimentas, até a célebre “pátria de chuteiras” na expressão de Nelson Rodrigues. Mas a reincidência histórica de sua identificação com os valores da família não é apenas pitoresca; é, de fato, uma ideologia de Estado que vamos encontrar tanto nas barbas paternais de dom Pedro II, que tinha um “grande carinho” pelos escravos, até o “pai dos pobres” do século 20, Getúlio Vargas. A disseminação de ditaduras em meados do último século – Stalin, Franco, Hitler, Mussolini, Getúlio, Perón, a lista é imensa – reforçou-se sempre na imagem do “pai da nação”, aquele senhor sábio que, na cabeceira da mesa, pela autoridade paterna indiscutível, leva a família pelo bom caminho. Não se discute à mesa, nem se ergue a voz contra o pai. Quando o presidente choraminga que a imprensa o destrata, ele dá voz a uma nostalgia atávica do “pátrio poder” contra os “filhos ingratos”. Quando o pai decide, não se discute – ele sempre quer “o melhor” para nós.
Ocorre que o Estado moderno só passou a existir quando destruiu o seu pressuposto familiar; o Estado, hoje, tem de ser o contrário do que é a família. Não pode jamais ser regido por laços de sangue, parentesco, hierarquia familiar, proteção de clãs, privilégios de berço, direito à herança. O Estado tem de ser a regulação abstrata de leis, o que pressupõe, necessariamente, a autonomia adulta de indivíduos, não a tutelagem familiar. Quem precisa de pai e mãe é criança; o cidadão precisa de presidente e de governo, ambos renováveis periodicamente (ao contrário das famílias, que são eternas). O mundo civilizado aprendeu a duras penas essa diferença. Imagine-se um candidato alemão, francês, americano ou sueco dizendo aos eleitores que eles “precisam de uma mãe” e veja-se o resultado nas urnas. Seria um bom modo de descobrir o grau de maturidade política de um país.
Publicado em 17/08/2010 - Cristovão Tezza